CARAVANA

Maria Dolores

 

Quando a crise te pareça

Duro lenho que suportas

De esperanças semi-mortas,

Fita os outros como estão...

Perceberás, claramente,

Na prova em que te conduzem,

Que todos carregam cruzes

No imo do coração.

 

Aquele homem bem posto;

Embora os cabelos brancos,

Está preso a vários bancos

Por débitos que mantém;

Outro que surge mostrando

Posse rica e passageira,

Chora a nobre companheira

Que a morte instalou no Além.

 

A jovem de face linda

Que tantos dotes condensam

Tolera a cruz da doença

De natureza mortal;

Aquela senhora triste,

De olhar calmo e gesto brando,

Tem o filho agonizando

Numa cela de hospital.

 

Aquele pintor famoso

Que a gente admira tanto,

Tem a cruz do desencanto

Por infortúnios de amor,

A bailarina que vimos,

No ritmo a que se entrega,

Lamenta a mãezinha cega

Inconformada na dor.

 

Buscando a união com Deus,

Somos nós, na estrada humana,

Corações em caravana,

Cada qual na própria cruz!...

Não te lamentes. Sigamos.

Nenhum de nós é sozinho,

Entre as pedras do caminho,

Quem segue à frente é Jesus.

 

Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco Cândido Xavier