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ESPINHOS
Maria Dolores
Ouço-te as preces, alma querida e boa,
Rogando proteção,
Como quem pede entendimento e abrigo
Para o cansado coração...
E sei que choras, com motivos próprios,
Mesmo vivendo no clarão da fé,
Porquanto quem passou pelas sendas humanas
Sabe o que seja a luta e a provação como
é...
Para os que decidem a viver sob a inércia,
Tempo, ante algum tempo, é sono
simplesmente,
Mas para quem aceita o próprio aprendizado
A vida é diferente...
Entretanto, recorda:
Os espinhos da alma
São sempre como são,
Formando, em qualquer parte, os degraus da
subida
À luz da elevação...
E os espinhos são muitos,
No caminho interior,
É o dever de se dar à batalha do bem,
O encargo de atender ao plantio do amor...
É a incompreensão de alguém, é o desafio
A fim de que se anule a tentação
Que tantas vezes nos visita,
A testar-nos o próprio coração;
É a nossa dor e a luta dos que amamos,
A inquietação e o medo, em cada prova,
A tristeza, a amargura, a sombra e a
mágoa,
Tudo, enfim, que nos fere e nos renova.
Inda assim, alma boa,
Vale a pena seguir...Ama e perdoa!...
A fim de que se alcance a suprema alegria,
Não basta ver em nós sofrimento e pesar,
É preciso vencê-los, dia-a-dia,
Trabalhar e servir, aprender e passar...
Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco
Cândido Xavier
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