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CANTIGA DA
DOR
Maria Dolores
“E por que tanta dor por este mundo afora?
-Perguntei ao mentor que me instruía –
Ralava-me na Terra a escassez de
alegria...
Voltei do mundo físico e, ainda agora,
Novo tipo de lágrimas me assiste:
Sou feliz e sou triste
Vendo aqueles que amo, em provação
constante,
Sem que eu possa vale-los,
Muito embora o carinho dos meus zelos
E o meu imenso amor de cada
instante!...”“.
Ele explicou-me com bondade:
“Essa história da dor na Humanidade
Precisa ser revista...
Por que lhe menosprezar a função alta e
bela,
Se não há criatura a evoluir sem ela?
Vemo-la, em toda parte,
Desde o sono da pedra aos altos sonhos da
Arte.
Entre os homens irmãos, tudo o que se
conquista:
A cela corporal, as posses e os prazeres
Pedem a vida de milhões de seres!...
Quanta aflição envolve a Natureza
Para que o homem se alimenta à mesa!?...
Se houvesse uma consulta em cada horta,
Se alguém se dispusesse a ouvir a queixa
dos rebanhos
Ou se escutasse o tronco que se corta,
Quantas inquietações e protestos
estranhos!...
A dor também é lei na qual se apura
A Civilização de que tens a cultura!...
Força de propulsão,
Sofrimento é processo
Para que se organize o topo do progresso
Ante o esplendor da evolução!...
“E posso caminhar sem dor, em minha
estrada?”.
-Indaguei, pensativa.
E o mentor respondeu em voz pausada:
“Sem a bênção da dor, que nos guarda e
elucida
Para o encontro do Bem,
Ninguém pode entender os ensinos da vida
Nem saberá servir junto de alguém ““.
Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco
Cândido Xavier
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