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PETIÇÃO E
RESPOSTA
Maria Dolores
Busquei o campo, a fim de meditar
Nas provações da Terra, em vastas
crises...
Como sanar a dor das almas infelizes?
Como estender a fé ao pranto do pesar?
Encerrada em mim mesma, ali, a sós,
Fitei o Céu imenso, a esmaltar-se de luz,
E surpreendi-me, orando em alta voz,
Perguntando a Jesus.
Mestre e Senhor!...
Já que nos enviaste ao mundo desatento,
Para falar do amor
E proclamar-te o ensinamento
Nos alicerces da esperança
O que dizer aos homens nesta hora
De amargura transição?
O sofrimento avança
E enquanto as luzes do progresso
Tomam novos lauréis nas grimpas onde estão
Vemos a multidão que se excrucia e chora
No mais remotos ângulos da vida...
O que dizer, Senhor, à mágoa indefinida
Das mães que perdem filhos bem-amados
Que apenas começavam a viver?!...
Filhos de primavera e juventude,
Que recolhem nos braços desolados,
Quais lírios em botão,
Que a morte decepou, antes da floração?
Que dizer aos que fogem
Para os domínios da aventura
E caem, sem pensar, nas tramas da loucura,
Superlotando sanatórios
Que lhes apague a alucinação?
Que ensinar aos irmãos acidentados,
Que despertam, depois da anestesia,
Para saber que foram mutilados,
Com mais problemas para cada dia?
De que modo afastar o desconforto
Da mulher que carrega um filho nascituro,
Ante o marido morto,
Imaginando as dores do futuro?
O que dizer, Jesus, aos que vagam na
estrada,
Muitas vezes com febre, frio e fome,
Sem apoio e sem lar na caminhada
De aflição que os consome?
Como extirpar a desesperação
Daquele que organiza a própria despedida,
No intuito de fugir ao fel da própria
obrigação
E fazer-se suicida?
Como extinguir na Terra a violência e a
penúria
Dos conflitos do ódio sempre em fúria,
A fim de apedrejar e destruir
Tudo o que mostra o bem, nas asas do
porvir?
Confesso que chorei, mas mergulhada em
pranto,
Escutei, de repente,
Um celeste mentor que, em silêncio, me
ouvia,
- Irmã, a dor no mundo é o preço da
alegria
Sofrimento é recurso amargo e santo,
Preparando, na Terra, os dias que virão...
Bendita seja a luz da provação!
Se desejares servir ao Cristo que nos
chama,
Nada reclames... Segue, serve e ama!
Nisso, ouvi alguém gemendo, em voz dorida
e mansa...
Larguei-me da emoção,
Indagando a mim própria quem seria...
Atravessei, à pressa, alguns trechos de
chão
E encontrei, dentro da noite fria,
Paupérrima choupana...
Lá dentro, um quadro de ternura humana;
Pobre mulher, em pranto, procurava
Podar a dor de frágil pequenina,
Que doença fatal, aos poucos, destruía,
Por falta de agasalho...
Coloquei-me em trabalho,
E envolvendo-a de todo,
Fiz-me calor e paz, apoio e segurança...
E, em oração, no estreito bosque escuro,
Compreendi que amparar a uma criança
É também cooperar nas bases do futuro.
Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco
Cândido Xavier
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