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A ALEGRIA
DE JESUS
Maria Dolores
Ele, homem de fé,
Ouvira alguém dizer, um dia,
Que Jesus, em legando a paz ao mundo,
Também deixara aos homens,
Junto à bênção da paz, em sentido
profundo,
O dom celeste da alegria.
A calma ele encontrara esquecendo as
ofensas
E cumprindo o dever que lhe cabia.
No entanto, onde encontrar o júbilo do
Mestre,
Entre as contradições do caminho
terrestre?
Buscou sinceramente o serviço das
crenças...
Todas elas traçavam
A senda nobre e reta,
Mostrando a fé por meio e os altos Céus
por meta,
Mas, muitos dos fiéis, quase em todos os
cultos,
Eram tristes, amargos, sofredores;
Pediam proteção, chorando as próprias
dores,
Fossem jovens ou adultos,
Em vasta maioria,
Oravam tão somente a rogar e a gemer,
Pouca gente sabia agradecer
Ao chão que lhes doava água, apoio e
comida,
Nem pensar na grandeza
Da própria natureza
Que lhes acalentava os dons da vida.
Onde estava a alegria de Jesus?
Ele foi procura-la
No cimo da montanha,
Entretanto, a montanha em plena luz
Que o sol lhe endereçava em raios cor de
opala,
Era bela e altaneira,
Mas lamentava os temporais
Que lhe abriam no corpo as chagas da
erosão.
Foi ao vale a ser abrir em pompas naturais
Na beleza das flores...
O vale era um jardim de perfume e cores,
Mas censurava as larvas que o feriam...
Ele foi consultar;
As áreas de um pomar,
As árvores mais fortes e mais belas
Talvez fossem as altas sentinelas
Da divina alegria...
Todas vestindo em verde, alegres e felizes
Sobre os sapatos das raízes,
Davam a quem passasse os próprios frutos,
Entretanto, queixava-se do vento,
Que lhes quebrava o corpo, ao furacão
violento.
O homem foi ao mar...
O oceano que se reconhecia
O gigante maior, existente no mundo,
Expressava-se em cólera sombria,
Talvez gritando a dor em que vivia,
Por ocultar, no próprio fundo,
As vítimas de guerra
E os resultados da pirataria...
Ele peregrinou, quase que em toda a Terra,
Sem achar a alegria de Jesus,
Numa noite, porém, chuvosa e fria,
Lobrigou na calçada
Um velhinho caído sem ninguém...
Sofreu ao ver-lhe o peito e os braços nus;
Não quis saber quem era...
Ali estava alguém
Que devia tratar qual se lhe fosse irmão.
Conhecia um telheiro próximo e vazio,
Podia socorre-lo e livra-lo do frio.
Tomou-o com cuidado,
Aconchegando ao peito o infeliz desmaiado;
No entanto, ao dedicar-lhe a máxima
atenção,
Sentindo que lhe ouvia o próprio coração.
Notou que lhe nascia
No âmago do ser um júbilo profundo
Associado à paz de que se revestia
Ao transportar o pobre ancião,
Ele reconheceu que descobria,
Sob o calor de estranha luz,
Em sublime alegria,
A celeste alegria de Jesus.
Desde então, muito embora
Cumprisse as obrigações de cada hora,
Em todos os sentido,
Fez-se o irmão dos caídos...
Carregava esses pobres companheiros
Que encontrasse na rua
Para abrigos, refúgios e telheiros.
Não só isso,
Doava sempre a quem necessitasse
A própria prestação de apoio e de
serviço...
O tempo desgastou-lhe o corpo alterado e
doente...
Ele, porém, sentia-se feliz,
Servindo sem cessar
Na mesma diretriz.
Numa noite, entretanto, ele caiu,
Ao carregar um ébrio desditoso...
Estirado no pó, quase que num instante,
Viu-se fora do corpo enfermo e idoso...
Sob dor lacinante,
Qual se agudo punhal lhe traspassasse o
peito...
Fitou o antigo corpo imóvel,
Conquanto fraco, embora,
Usufruía agora
Um corpo mais perfeito,
Sentiu-se um tanto inquieto.. O que seria?
Mas alguém se mantinha de vigia...
Era um homem trajando um manto acolhedor
Que lhe estendia os braços num sorriso
Feito de paz e amor...
E ele que carregara tanta gente
Viu-se, então, transportado, de repente,
E esquecendo a doença, o desgaste e o
cansaço,
Notou que resguardado com carinho,
Ele e o homem de luz
Subiam juntos para o Grande Espaço...
Que se passava ali? O que Haveria?
Ele não quis saber... Repousava e seguia
Nos braços que o guardavam,
Atento ao benfeitor que o conduzia;
Ele sabia apenas
Que atravessava as regiões serenas
Da Altura recamada
De branda e extensa luz
Buscando o Grande Além, chorando de
alegria,
Na celeste alegria de Jesus.
Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco
Cândido Xavier
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