JESUS E RENÚNCIA
Emmanuel
Estudando a renúncia
que o Evangelho nos traça por senda de ascensão, examinemos como se fazia
a renúncia na conduta de Cristo para que a nossa exibição de virtude não
se converta em falta de caridade.
Porque as portas do
vilarejo em que surgiu entre os homens se Lhe fechassem à necessidade de
socorro e refúgio, não se esquivou ao propósito de auxiliar às criaturas
da Terra e valeu-se da estrebaria para começar o Seu Divino Apostolado de
Redenção.
Porque os doutores
de Jerusalém Lhe furtassem concurso intelectual na divulgação da Boa Nova,
não abandonou a idéia de iluminar lhes o passo com a luz da Revelação
Sublime e aceitou a colaboraçao de pescadores singelos para ofertar-lhes o
ensinamento.
Porque sentisse
Judas transtornado pela tentação de domínio, não desistiu de auxiliá-lo, é
o instante em que o próprio discípulo desertasse da preciosa tarefa de
que se achava investido.
Porque Pedro O
negasse na extrema hora, não lhe recusa mão firme no reajuste.
E porque os homens O
tivessem crucificado, impondo-Lhe injuria e morte, em retribuição de Sua
Ternura e Devotamento, não se afasta da Terra em definitivo, a pretexto de
glorificar-Se no Céu, reaparecendo aos companheiros, plenamente redivivo,
esquecendo assombras e ofensas, a recompor os serviços da Sua Bandeira de
Aperfeiçoamento das Almas, prometendo-lhes cooperação e amor até o fim dos
séculos.
Lembremo-nos de que
Jesus renunciou sempre felicidade de ser compreendido para melhor
compreender e de ser amado para amar com mais amplos recursos de
entendimento.
Faze, assim,
semelhante renuncia ao pé daqueles que a vida te confiou, permanecendo
sempre em teu posto de sacrifício para melhor servi-los no campo da
evolução e terás aprendido que renunciar com o Senhor é trocar o prazer
efêmero da superfície para construir no imo da própria alma a Soberana
Alegria da Vida Eterna.
De "Alma e Luz", de
Francisco Cândido Xavier |