ALMA E LUZ
Emmanuel
Questionados que
temos sido por vários companheiros reencarnados nas áreas do campo
físico, com respeito ao binômio “alma e corpo”, desejamos afirmar,
preliminarmente, que sabemos que o assunto será esclarecido, nos termos
justos, por autoridades da Vida Superior, no tempo próprio.
Diante, porém, da
sinceridade dos nossos irmãos, que permanecem transitoriamente na Terra,
ousamos enfileirar aqui algumas deduções simbólicas, capazes de
auxiliar-nos o raciocínio na solução dos problemas profundos que a
questão envolve em si mesma.
A alma é
comparável ao motor.
O corpo é o
veículo.
A alma é o
livre-arbítrio.
O corpo é a
matéria que se organiza a fim de resguardá-la.
A alma é o
timoneiro.
O corpo é a
embarcação.
A alma é a raiz.
O corpo é o
tronco.
A imaginação é a
tela que detém os nossos desejos.
O corpo é a
realidade, em que se manifesta.
A alma é a
sublimidade da música.
O corpo é a câmara
na qual o compositor procura os recursos para reproduzir ou inspirar-se
ante a melodia dos anjos.
A alma é a lógica
nos acontecimentos da vida.
O corpo é
instrumento em que se aprende a respeitá-la.
A alma é a
inspiração da Vida Maior.
O corpo é a
matéria densa em que nós outros manipulamos as formas dos anseios que os
nossos sentimentos acalentam no dia-a-dia.
A alma é o plano.
O corpo é a
inteligência instintiva que o executa.
A alma é o campo.
O corpo é a enxada
que obedece ao lavrador.
A alma é o oleiro.
O corpo é o
elemento que o obedece na formação de vasos diversos.
A alma é o
ambiente.
O corpo é a forma
que nos define os pensamentos.
A alma é a fonte
dos nossos ideais.
O corpo é o buril
de trabalho com que nos conduzimos, pela própria vontade, às atividades
do bem ou do mal, conforme nossas escolhas.
A alma é a
diretriz.
O corpo é o
território em que viajamos com a possibilidade de nutrir a saúde ou as
provações da doença.
A alma é o amor de
que nos alimentamos para a vida.
O corpo é a
atitude que nos tutela a independência própria para assumir as nossas
preferências das quais teremos os resultados respectivos.
O corpo é o refletor
de nossas disposições íntimas para servi-la ou conturbá-la.
A vida é semelhante
mina de ouro.
Tomando o corpo
físico, que lembra o uniforme do trabalhador que se esforça para
encontrar e deter alguma parcela do precioso metal, na reencarnação,
simbolizamos desta forma a presença ou a busca da luz em que todos
vivemos.
Necessário remover
toneladas de cascalho para achar alguma quantidade da preciosidade
referida.
Aqueles que se
devotam às boas obras e se desenvolvem no auto-conhecimento levam consigo
alguma luz ao Plano Espiritual; isso, porém, por vezes, determina grande
número de existências, na Crosta Terrestre.
Os amigos que se
consagram ociosidade ou revolta, ao desanimo ou ao ódio, devem voltarão
mesmo padrão de existência, nas áreas físicas do Planeta, tantas vezes
quantas foram as romagens no ambiente das provas que não quiseram vencer.
Conduzindo Vida
Superior apenas cascalho improdutivo, às vezes necessitam regressar às
dificuldades que desprezaram, demorando-se no mundo material.
E isso acontece com
muitos amigos que apenas conduziram consigo o cascalho da inutilidade, sem
possibilidade de partilhar o trabalho nas Legiões do Bem.
Lamentam-se, em vão,
porque em verdade recusaram sistematicamente as oportunidades de serviço e
elevação que lhes foram concedidas.
Conduzindo às
Esferas Superiores uni¬camente cascalho, sem qualquer resquício de luz de
que se acham necessitados, são constrangidos a retornar às tarefas que
menosprezaram no mundo.
Saibamos procurar a
luz nas pedras da existência, estudando e aprendendo, amando ao próximo
como sendo nós mesmos e sublimando os ideais de elevação que adquirimos,
com a realização de nossos princípios.
Eis porque este
livro simples e despretensioso recebeu o nome de: Alma e Luz.
Emmanuel
Uberaba, 19 de julho
de 1990.
De "Alma e Luz", de
Francisco Cândido Xavier |