SE SOUBESSES...
Emmanuel
Se soubesses quão venenoso é o conteúdo de fel a tisnar o cálice da
aversão, decerto compreenderias que todo golpe de crueldade não é senão
desafio à tua capacidade de entendimento.
*
Se soubesses a trama de sombra que freme,
perturbadora em torno da palavra infeliz que proferes, na crítica à luta
alheia, preferirias amargar no silêncio as feridas de tua mágoa, esperando
que o tempo lhes ofereça a necessária medicação.
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Se soubesses a quantidade dos crimes, oriundos
da revolta e da queixa, escolherias padecer toda sorte de sofrimento antes
que reclamar consideração e justiça em teu próprio favor.
*
Se soubesses a multidão de males que a vingança
provoca, esquecerias sem custo os braseiros de cor que a calúnia te
arremessa à existência.
*
Lembra-te de que o ódio é o grande fornecedor
das prisões e de que a cólera é responsável pela maior parte das moléstias
que infelicitam a vida e guarda o coração na grande serenidade, se te
propões conservar em ti mesmo o tesouro da paz e a bênção da segurança.
*
Ainda mesmo que alguém te ameace com o gláudio
da morte, desculpa e segue adiante, porque as vítimas ajustadas aos marcos
do Bem Eterno elevam-se de nível, enquanto que os ofensores, ainda mesmo
os aparentemente mais dignos, descem aos princípios do tempo para o acerto
reparador.
*
De
qualquer modo, se a aflição te procura, cala e perdoa sempre, porque se o
Mestre nos exortou ao amor pelos inimigos, também nos advertiu que a mão
erguida à delinqüência da espada, agora, hoje ou amanhã, na espada
fenecerá.
De "Alma e Luz", de
Francisco Cândido Xavier |