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TUA POSSE
Emmanuel
Jamais condenarás a posse e nem articularás,
em torno dela, qualquer movimento de extorsão.
Refletirás na providência de Deus, que não
permite se racione o sol que te ilumina ou o ar que te alimenta, e
compreenderás que o Supremo Senhor te propicia a posse na condição de um
depósito sagrado, observando-te a capacidade de amparar os teus irmãos. Tão
profundo é o sentido de semelhante concessão, que sempre chega um momento em
que o beneficiário haverá de transferi-la para o comando de outrem, a fim de
recolher, no Mais Além, os frutos decorrentes dos créditos ou dos débitos
que com ela haja granjeado, perante a Contabilidade Divina.
Nem por isso, porém, a desprezarás. Dar-lhe-ás
a função de instrumento do bem, com que possas construir a própria
felicidade, em edificando a felicidade dos outros.
Dela retirarás o apoio que o mundo te deve,
sem te esqueceres do apoio que, por tua vez, deves ao mundo.
Utilizando-a, criarás o serviço honrado que
protege os companheiros de experiência, a cultura enobrecedora no sustento
da escola, o socorro aos lares em provação e o alívio aos irmãos que estejam
atribulados em doença e penúria.
Mas não considerarás tão-somente os recursos
de natureza material como sendo a tua propriedade, no quadro dos empréstimos
divinos.
Traze igualmente para a seara do amor ao
próximo, honorificando Todo-Misericordioso, o poder, a inteligência, a
autoridade, a arte, a técnica ou o título que dominas.
Tua posse, na essência, é a tua possibilidade
de ser útil.
Organizarás com o que tens e com o que podes a
tua dádiva de ação e cooperação para que a vida se faça melhor, onde
estejas, suprimindo os constrangimentos da necessidade e intensificando o
serviço da bênção. E sempre que a idéia de escassez te sugira o afastamento
das boas obras, lembrar-te-ás de Jesus, que vivendo e agindo em lares e
barcos emprestados, sem possuir nem mesmo uma pedra em que repousar a
cabeça, deu de si mesmo a bendita posse do amor, transformando-a em tesouro
inalienável do mundo para a sustentação do Reino de Deus.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
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