|
|
OFENSAS E
OFENSORES
Emmanuel
Tão logo apareçam diante de nós quaisquer
problemas de injúria, prejuízo, discórdia ou incompreensão, é imperioso
observar quão importante para o espírito é o estudo das próprias reações, a
fim de que a mágua não entre em condomínio com as forças que nos habitam a
mente.
Ressentir-nos é cortar nos tecidos da própria
alma ou acomodar-nos com o veneno que se nos atira, acalentando sofrimento
desnecessário ou atraindo a presença da morte. Isso porque, à face da
lógica, todas as desvantagens no capítulo das ofensas pesam naqueles que
tornam a iniciativa do mal.
O ofensor pode ser a criatura que está sob
lastimáveis processos obsessivos, que carrega enfermidades ocultas, que age
ao impulso de tremendos enganos, que atravessa a nuvem do chamado momento
infeliz, e, quando assim não seja, é alguém que traz a visão espiritual
enevoada pela poeira da ignorância, o que, no mundo, é uma infelicidade como
qualquer outra. Cabem, ainda, ao ofensor o pesadelo do arrependimento, o
desgosto íntimo, o anseio de reequilíbrio e a frustração agravada pela
certeza de haver lesado espiritualmente a si próprio.
Aos corações ofendidos resta unicamente um
perigo – o perigo do ressentimento, que aliás, não tem a menor significação
quando trazemos a consciência pacificada no dever cumprido.
Entendendo isso, nunca respondas ao mal com o
mal.
Considera que os ofensores são, quase sempre,
companheiros obsessos ou desorientados, enfermos ou francamente infelizes, a
quem não podemos atribuir responsabilidades maiores pelas condições difíceis
em que se encontram.
Recomendou-nos Jesus: “Amai os vossos
inimigos”.
A nosso ver, semelhante instrução, além de
impelir-nos à virtude da tolerância, faz-nos sentir que os ofendidos devem
acautelar-se, usando a armadura do amor e da paciência, a fim de que não
sofram os golpes do ressentimento, de vez que os ofensores já carregam
consigo o fogo do remorso e o fel da reprovação.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
|
|