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NÃO SOMOS
EXCEÇÕES
Emmanuel
Quando sofras alfinetadas morais no mundo, não
te permitas, por isso, cair no labirinto das grandes complicações.
Forçoso que a mínima brecha no carro ou na
embarcação receba reparos imediatos se o viajante não deseja arriscar-se.
Nos comprometimentos do corpo, esmera-te no
uso de remédios, ginásticas, dietas, cirurgias; nos males da alma, não te
curarás ao preço de expectação. Urge empregar observações, decisões, normas,
estudos.
Quando a ansiedade ou aflição te visitem,
analisa a ti mesmo, delibera quanto ao que devas fazer para evitar
desequilíbrio e conturbação, assume a responsabilidade da própria disciplina
e inspeciona o campo de ação em que te movimentas.
Sem dúvida, necessitas de refazimento e
conforto; no entanto, em favor do próprio reajuste, aprende a reconhecer
que, em matéria de sofrimento, não constituis exceção.
Reflete naqueles que carregam fardos mais
pesados que os teus. Os que desejam andar como naturalmente caminhas e jazem
atarraxados em leitos imóveis; os que anseiam ver como enxergas e tateiam na
sombra; os que te contemplam a mesa farta, sem recursos de usufruí-la; e os
que estimariam compartilhar-te a segurança íntima e suportam a cabeça
esfogueada pelas chamas invisíveis da obsessão.
Fita a vanguarda dos que se te fizeram
superiores, a fim de que te animes à subida espiritual; todavia, não
desfites a retaguarda para que te reconfortes nos valores já conquistados e
que podes claramente distribuir, a benefício dos outros.
Sofre, aprendendo, e eleva-te, auxiliando.
Este, o programa do educandário da vida em si, porquanto seja na ascensão ou
no resgate, aperfeiçoando ou ressarcindo, a lei das provas é o agente
aferidor do merecimento de cada um, sem criar privilégios ou favores,
clandestinidades ou exceções para ninguém.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
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