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FORTUNA
Emmanuel
Dinheiro posto à margem da bolsa, por
desnecessário, garante facilmente a tarefa do socorro e a construção da
alegria. Impossível a extensão da felicidade suscetível de nascer da moeda
que o amparo fraternal transubstancia em bênção de luz.
No entanto, embora reconheçamos que o dinheiro
se erige por agente de apoio e consolação, não te disponhas a conquistá-lo
impensadamente. Em muitas ocasiões, anseias entregar-te à prática do bem e
pedes para isso que o Senhor te cumule com reservas de ouro e prata;
contudo, qual acontece com qualquer conjunto de conhecimentos coordenados
para os objetivos superiores da vida, altruísmo e beneficência reclamam
começo e preparação. A tinta, que nas mãos do artista configura o painel que
suscita emoções renovadoras na alma, entre os dedos daqueles que ignora a
intimidade com o belo, pode criar a mancha que desfigura a parede. Quantos
se apoderam do dinheiro, sem se matricularem na disciplina da renúncia e da
bondade, nada conseguem para si mesmos senão o martírio dos avarentos que
ressecam no próprio ser as fontes da vida; eles retêm substancioso lastro
econômico, mas fazem-se escravos da sovinice, na qual vezes e vezes,
enquanto desfrutam a reencarnação, transformam seus próprios descendentes em
órfãos de pais vivos para transfigurá-los, depois da morte, pelos mecanismos
da herança, em modelos de prodigalidade e loucura.
Faze por merecer o dinheiro que te sobre
corretamente, a fim de que desenvolvas generosidade e progresso, na esfera
de teus dias, mas edifica no terreno do espírito a compreensão e a
solidariedade para que saibas conduzi-lo com segurança e discernimento.
Fortuna, tanto quanto ocorre ao poder e à
autoridade, para beneficiar efetivamente, roga equilíbrio e orientação. Além
do mais, se aspiras a contar com possibilidades de ser útil, no ideal de
abençoar e elevar, auxiliar e servir, urge não esquecer que todos nós,
indistintamente, fomos dotados por Deus, em todos os climas sociais e em
todos os recantos da Terra, com as riquezas infinitas do amor, no tesouro
vivo do coração.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
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