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EM TORNO
DA VIRTUDE
Emmanuel
Se uma criatura possui enorme fortuna, podendo
desmandar-se na prodigalidade ou na avareza, e busca empregá-la no bem-estar
e no progresso, na educação e no aprimoramento dos semelhantes...
Se dispõe de autoridade com recursos para
manejar a própria influência em seu exclusivo proveito, e procura aplicá-la
no auxílio aos outros...
Se sofre acusação indébita com elementos para
justiçar-se do modo que considere mais justo, e prefere esquecer a ofensa
recebida, reconhecendo-se igualmente passível de errar...
Se já efetuou, em favor de alguém, todos os
serviços ao seu alcance, recolhendo invariàvelmente a incompreensão por
resposta, e prossegue amparando esse alguém, através dos meios que se lhe
fazem possíveis, sem exigência e sem queixa...
Essa pessoa ter-se-á colocado, evidentemente,
a cavaleiro das piores tentações que lhe assediavam a vida.
Todos nós, – os espíritos em evolução e
resgate nas trilhas do Universo, – recapitulamos as experiências em que
tenhamos falido. Ã vista disso, todas as provações na escola terrestre
assumem a feição de ensinamentos e testes indispensáveis. Há quem renasça
mostrando extrema beleza, física, a fim de superar inclinações
ao;desregramento carregando um cérebro privilegiado para vencer a vaidade da
inteligência; detendo valiosa titulação acadêmica de modo a subjugar a
propensão para o abuso; ou exercendo encargos difíceis nas causas nobres, de
maneira a extinguir os impulsos de deserção ou deslealdade.
Cada qual de nós, no internato da
reencarnação, é examinado nas tendências inferiores que trazemos das
existências passadas, a fim de aprendermos que somente nos será possível
conquistar o bem, vencendo o mal que nos procure, tantas vezes quantas
necessárias, mesmo alem do débito pago ou da sombra extinta.
Fácil, pois, observar que sem a presença da
tentação, a virtude não aparece e assim será sempre para que a inocência não
seja uma flor estéril e para que as grandes teorias de elevação não se façam
sementes frustras no campo da Humanidade.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
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