|
CONVERSA
EM FAMÍLIA
Emmanuel
Quando observares a dificuldade moral de
alguém, não te detenhas na superfície das coisas. Aprofunda-te no exame das
causas, para que a injustiça não te enodoe o coração.
Recordemos que o médico nem sempre identifica
a enfermidade pelo que vê, mas sobretudo por aquilo que não vê, apoiado na
cooperação do laboratório.
Raramente todo o mal é aquele mal que se
enxerga no lado visível das circunstâncias.
A Humanidade é constituída de povos; cada povo
se baseia em comunidades; cada comunidade é uma coletânea de grupos; cada
grupo é uma constelação de almas.
Não opines sobre qualquer acontecimento
infeliz, sem apreciar todas as peças que o suscitaram.
Como definir a posição da esposa, imaginada em
desvalimento, sem considerar a conduta do esposo, chamado pelos princípios
de causa e efeito a prestar-lhe assistência ? E como examinar o homem
tombado em criminalidade passional, sem analisar a mulher que o levou ao
desvario ? De que modo interpretar os jovens transviados sem tocar nos
adultos que os largaram à matroca, e de que maneira observar a penúria dos
mais velhos, sem anotar o abandono a que foram votados pelos mais moços ?
Como acusar unicamente os maus, sem perguntar
aos bons o que fizeram por eles, na esfera da convivência ? E como condenar
exclusivamente os pecadores, sem saber que orientação recolheram dos
virtuosos que lhes comungam a vida cotidiana ?
Serão justos ou insensíveis os Espíritos
nomeados por justos quando relegam seus irmãos aos enganos da injustiça, sem
a mínima frase que lhes clareie o raciocínio ? E serão corretos ou ingratos
os Espíritos supostos corretos quando deixam seus irmãos afundados no erro,
sem o menor amparo que lhes refaça o equilíbrio ?
Irmãos uns dos outros pelos laços da família
maior - a humanidade - , à frente de nossos companheiros caídos antes de
censurá-los, será preciso interrogar-nos a nós próprios que espécie de
benefício já lhes teremos feito, a fim de que não resvalassem no lodo que
lhes desfigura a face divina de filhos de deus, tão carecedores das bênçãos
de deus quanto nós próprios.
Reflitamos nisso, porque, atendendo a isso,
sempre que impelidos a observar o comportamento de alguém, teremos
misericórdia por inspiração e apoio, a fim de que não falhemos ao imperativo
do amo para a glória do bem.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
|