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AMPARO
MÚTUO
Emmanuel
Apesar da condição de viajar que te
caracteriza no mundo, pensa, de quando em quando, em teu coração como sendo
esta a estalagem de que outros viajores se valem para refazimento ou
informação, socorro ou descanso.
Alija da entrada de tua casa íntima quaisquer
calhaus suscetíveis deferir os pés daqueles que te procuram, e acende aí a
luz da compaixão com que sejas capaz de compreender e auxiliar a todos,
conforme a necessidade de cada um.
Recorda os obstáculos que já venceste e não
permitas que o abrigo de tua alma se converta em labirinto de sombras para
os que te buscam.
Já sabes que a vida possui carga suficiente de
realidade para esclarecer os que passam na carruagem da ilusão; assim, não
lhes atires em rosto os enganos de que se enfeitam para o encontro com a
verdade, e, em acolhendo aqueles que carregam defeitos à mostra, cobre-os
com a bondade de teu olhar, sem referir-te às chagas que transitòriamente
lhes desfiguram a vida.
Todos nós, em espírito, nos albergamos uns com
os outros. Cede aos companheiros que te pedem apoio o ambiente de paz e a
mesa da bênção. Em suma, compadece-te de todos os que passam pelo asilo de
tua alma! Qual deles, como acontece a nós próprios, estará sem problemas?
qual deles caminhará para a frente sem que a dor lhe purifique a visão.
Diante dos bons, compadece-te, porquanto
desconheces quantos espinhos se lhe cravam no coração, diariamente, para
serem fiéis ao bem, e, diante dos maus, compadece-te, duplamente, de vez que
não ignoramos quanto sofrimento os aguarda, caminho afora, para que se
desvencilhem do mal.
Seja quem for que te bata às portas da
apreciação. abençoa-o com a palavra do entendimento, e se alguém chega para
habitar contigo, no mesmo domínio do trabalho e do ideal, em alguma estação
breve ou longa de convivência, oferece a esse alguém o melhor que possas.
Nada sintas, penses, fales ou faças sem que a
compaixão te assessore. Todos somos hóspedes uns dos outros, e, se hoje
aparece quem te rogue atenção e zelo, proteção e simpatia, em vista das
surpresas aflitivas da estrada, é possível que amanhã outras surpresas
aflitivas da estrada esperem também por ti.
Do livro “Alma e Coração”. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
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