ROSEMARI  DAURÍCIO

 

Rosemari Daurício - Rose, como carinhosamente a chama D. Therezinha de Jesus Beraldo, sua genitora – nasceu em São Paulo a 27 de outubro de 1953, deixando nosso convívio, em decorrência de acidente de trânsito, com 23 anos, no dia l 8 de dezembro de 1976, na capital paulista.

Filha única, inseparável companheira da mãezinha, convivendo ambas com ingentes dificuldades materiais, sua vida foi um constante testemunho de amor e de respeito a tudo que a cercava.

Seis meses antes, previu a morte, lembrando às pessoas mais chegadas que “estava de partida para a outra vida, onde prestamos contas de nossos atos".

Da separação até o reencontro, com a mensagem mediúnica recebida por Chico Xavier, assim nos falou D. Therezinha:

 

 

“Rose partiu para a Pátria Espiritual, quando chegava o Natal de 19?6. Para mim, o mundo acabou. Sempre às voltas com os calmantes, emagrecendo, em poucos meses, mais de vinte quilos, resolvi ir a Uberaba conhecer o Chico, pois nunca ò tinha visto, sequer pela televisão ou revistas.

Devo minha vontade de continuar vivendo a Chico Xavier, a quem peço a Deus abençoar, fortalecer, para a continuidade de suas tarefas, pois, foi o Chico que me transmitiu e transmite força para prosseguir lutando na Terra, até chegar minha hora de partir.”

 

 

Querida Mamãe, abençoe sua filha.

Venho pedir seu auxílio.

Meu avô Francisco e minha tia Maria1 velam por mim e me receberam de braços abertos.

Recorde a lembrança de Jesus que ofereci à senhora antes de vir para cá.2 Jesus protegerá seus dias, querida mamãe.

Não julgue que procurei a morte para prestar-lhe auxílio.3 Minha querida Mãe Therezinha, eu não faria isso. Éramos nós duas a lutar pela vida, escoradas uma na outra.

Não teria coragem de abandoná-la, porque a senhora nunca me abandonou. Acontece que eu pensava distraidamente nas festas de Natal, quando perdi o controle do volante e me deixei esmagar por outra máquina.

Simples encontro de máquinas e a provação no meio do assunto, para que os princípios da vida se cumprissem.

A única tristeza que ainda tenho é a de vê-la em lágrimas incessantes, julgando que sua filha teria procurado a morte, para que seguros e pensões lhe dessem a tranqüilidade merecida.

Isso não aconteceu. O desastre não foi provocado. Sofri as conseqüências de alguma vida passada que ainda não sei penetrar. Meu avô Beraldo4 promete explicar-me, logo que eu a veja serenada.

Não chore mais, nem se sinta sozinha. Muitos parentes do lado Daurício e da parte Beraldo estão me auxiliando.

Por outro aspecto, não creia que namorados ou afeições da Terra me fizessem desiludida. Trabalhava com ânimo firme e pretendia continuar os estudos, para que nós duas encontrássemos um futuro melhor. As leis de Deus, porém, me trouxeram mais cedo.5

Agora, peço-lhe calma. Tudo está melhorando. Recorde o que eu lhe dizia:

– Mamãe, fique tranqüila, porque realizaremos todos os nossos desejos. Eu não falava isso, pensando outra coisa. A senhora não está só. Pense no muito que poderá fazer pelos que sofrem mais do que nós.

Logo que possível, peço para que a senhora faça parte de um grupo de ação cristã, onde esqueça o que deve ser esquecido. O fardo mais

pesado que se carrega no mundo somos nós mesmos, quando não dividimos o tempo e a vida, em favor de outras pessoas.

Às vezes, querida Mãezinha, pensamos beneficiar alguém, com esse ou aquele recurso de que sejamos portadores, mas o bem não fica nisso. A pessoa, que nos recebe o concurso, nos auxilia a diminuir a carga de nossas tristezas e lembranças.

O pão que se dá na caridade é a moeda de Deus com que compramos alegria e esperança.

Não fique imóvel com as nossas recordações. Estenda, Mamãe, as suas mãos para ajudar, pensando que estamos juntas. E estaremos mesmo juntas, porque o amor não desaparece.

O que a senhora possui é seu, é conquista sua. Nada recebeu por favor, porque, se fôssemos contar os seus sacrifícios por mim, a conta seria inesgotável.

Não se esqueça de Deus e cultive a oração. A prece é uma luz que nos transforma por dentro.

E creia que serei sempre sua filha reconhecida, aprendendo agora a trabalhar de outro modo, a fim de ser mais útil.

Abençoe a sua Rose e receba um beijo de carinho e gratidão na face carinhosa e sofrida – aquele mesmo beijo com que procurava surpreendê-la, quando voltava do trabalho ou quando a encontrava desprevenida.

 

Muito grata por tudo o que a senhora fez e faz por mim e guarde no coração a alma toda de sua filha agradecida.

ROSEMARI 1 5.10.77

 

 

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1 - Respectivamente, bisavô e tia do lado paterno, já falecidos.

2 - Extraordinária revelação! Pouco mais de um mês antes de falecer, Rose presenteou a mãezinha com um quadro de Jesus.

3 - Rose possuía seguro de vida, sendo D. Therezinha sua beneficiária.

4 - José Beraldo, bisavô materno falecido há 4S anos.

5 - Referência a carta que D. Therezinha encontrara entre os guardados da filha.

 

 

Do livro Adeus Solidão. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.