CARLOS  ANDRÉ  PICANÇO  FILHO

 

 

Gaúcho de Porto Alegre, Carlos André Picanço Filho nasceu a 6 de agosto de 1965, partindo para a Vida Espiritual aos 16 anos incompletos, em decorrência de acidente de trânsito, ocorrido em 17 de junho de l 981.

Filho de Carlos André Picanço e D. Elsa Terezinha Leite Picanço, deixou também três irmãos, Rosemari, Virgínia e Alex, lembrados na mensagem.

Alegre, comunicativo, amigo de todos, tinha, qual nos lembrou o genitor, incrível facilidade para fazer amigos.

O leitor pode compreender o que significou para os pais e irmãos a perda do querido André. Certa feita, algum tempo após a desencarnação, a genitora lembrou ao marido que amigos lhe haviam sugerido que procurasse Chico Xavier, pois, com ele, poderiam conseguir alguma notícia do filho.

Passaram, então, a freqüentar a distante Uberaba com regularidade e, cinco meses após o falecimento, Carlos André escreveu aos pais, pelas mãos de Francisco Cândido Xavier.

Qual o significado para os pais do recado mediúnico do filho? Recolhemos a D. Elsa o seguinte depoimento:

 

                                                                              

“Dizer da felicidade que a mensagem nos trouxe, não tenho palavras.

Só sei que foi uma injeção de ânimo para todos, pois, aprendemos a sorrir novamente.”.

 

 

Querido Papai Carlos e querida Mãezinha Elsa, abençoem-me.

Não sei se escreverei como desejo, porque ainda não estou legal como queria, para trazer notícias.

Mas, o meu bisavô Picanço e a vovó Orlandina1 me trouxeram até aqui, a fim de lhes transmitir algumas informações, e devo afirmar-lhes que estou bem, conquanto a falta de casa. 

Chorar, chorei muito e sofrer, penso que sofri, a ponto de estarmos empatados. Mas aprendi a pedir o auxílio de Deus, por aqui, com tal força, que supliquei à vovó me encontrasse um processo de cientificá-los de que não estou em dificuldades. 

Creio que as pessoas doentes de muito tempo, pessoas que já se cansaram de remédios e camas, encontram mais facilidades para desembarcar na vida nova em que me encontro, porque em se tratando delas a renovação é sempre para melhor; entretanto, para um rapaz que é transferido sem aviso prévio da vida física para a vida espiritual como sucedeu comigo, o problema é muito difícil, quanto à recuperação da tranqüilidade própria.

Ainda assim, já estou sabendo me virar e rogo-lhes paciência e conformação.                                                                                                  

Pai querido, sei que as suas indagações são muitas no silêncio da noite, como se quisesse reencontrar-me de improviso, e compreendo os instantes em que a mamãe se esconde para lembrar-me e chorar. Entretanto venho pedir-lhes fortaleza e confiança em Deus e confiança na vida.

Espero melhorar-me e estou certo de que lhes serei útil.

Lembremo-nos de nossa Rosernari, de nossa Virgínia e de nosso Alex que esperam por nossos cuidados e aceitemos a vida que o Senhor nos concedeu, agora repartida entre os serviços daí e os serviços daqui.

Se não fosse a saudade, diria que estou ótimo. No entanto, uma ausência do amor que deixamos no plano físico é um ponto característico de todos os amigos que vou fazendo por aqui.

Tenhamos aceitação e calma, na certeza de que Deus nos oferece o melhor que sejamos capazes de receber pelas circunstâncias da existência.

O choque passou, o inevitãvel já se foi. A incompreensão já se desfez, a tempestade já não existe, e, existindo, estamos nós com o nosso amor e com as nossas saudades justas.

Auxiliem-me ambos a ser forte, pois, preciso disso, e abracem os queridos irmãos por mim.

E os queridos Pais estejam na certeza de que continua vivendo e amando-os cada vez mais, o filho do coração, sempre reconhecido.

 

CARLOS ANDRÉ PICANÇO FILHO 13. 11.81

 

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1 - Vovó Orlandina faleceu em 1977 e o bisavô Picanço há 30 anos.

 

Do livro Adeus Solidão. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.