CARNAVAL

 

Cornélio Pires

 

É um grande acontecimento

No caminho emocional

De toda gente que espera

Os dias do Carnaval.

 

Antes, porém, do sinal

Para o esperado começo

Falarei sobre alguns casos

Dos muitos que já conheço.

 

Você recorda o Titoni

No violão do Moraes?

O violão voltou, há um ano,

Mas Titoni nunca mais.

 

Nosso Ivo carpinteiro

Querendo mesa perfeita,

Caiu do segundo andar

Quebrando a perna direita.

 

Juntaram-se algumas jovens

Dançando ao seu lado,

Uma delas desmaiou,

Eis Alceu desencarnado.

 

Na festa do Carnaval,

Amigos de projeção,

Rogam a Bênção de Deus,

Pensando em elevação.

 

Muitas viúvas a enxergam

Esperando alguns vinténs

Que lhes dão ao lar vazio

A paz por melhor dos bens.

 

Deitou Jim, querendo ver-nos,

Subiu ao grande salão,

Viu alguém furtar-lhe o carro

Mas não fez reclamação.

 

O doutor reconheceu

Que a hora lhe pertencia

Para ensaiar o perdão

Na caridade por guia.

 

Maricota fez oferta

Em apoio ao Carnaval,

Levando leite fervente

Resvalou no espinheiral.

 

Um caso desagradável

Foi da tia Belinha,

Deu pó facial à irmã

Com piolhos de galinha.

 

Todo vestido de andrajos

Vi nosso médium Gil Flores,

Voltou para a própria casa

Com mais quatro obsessores.

 

Não sei se você recorda

O nosso amigo Adão Taco;

Ficou em festa seis meses,

Voltou com voz de macaco.

 

Qual você pode pensar

Na lógica que não erra,

Carnaval é semelhante

À nossa vida na Terra.

 

Livro: Ação, Vida e Luz – Psicografia: Francisco C. Xavier – Espíritos Diversos.