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ANOTAÇÕES
OPORTUNAS
André Luiz
Os problemas do lar de Ildeu ofereciam-nos ensanchas a preciosos estudos
no terreno puro da alma.
Em razão disso, de volta à Mansão
em companhia do Assistente, valíamo-nos do tempo para buscar-lhe a opinião
clara e sensata, acerca de momentosas questões que nos esfervilhavam a
mente.
Hilário foi o primeiro a quebra a
longa pausa, indagando:
-Meu caro Silas, não tem ali, no
caso de Roberto e Marcela, um quadro autêntico do chamado complexo de
Édipo, que a psicanálise freudiana pretende encontrar na psicologia
infantil?
Nosso amigo sorriu e obtemperou:
0O grande médico
austríaco poderia ter atingido respeitáveis culminâncias do espírito, se
houvesse descerrado uma porta aos estudos da lei de reencarnação.
Infelizmente, porém, atento à pragmática científica, não teve bastante
coragem para ultrapassar a observação do campo fisiológico, rigidamente
considerado, imobilizando-se, por isso, nas zonas obscuras da
inconsciência, em que o “eu” enclausura as experiências que realiza,
automatizando os próprios impulsos. Marcela e Roberto não poderiam trair,
na condição de mãe e filho, as simpatias carreadas do pretérito ao
presente, tanto quanto Ildeu, Sônia e Márcia não conseguiriam fugir à
predileção que os ligava desde o passado. O problema é de afinidade em sua
estrutura essencial. Afinidade com dívidas, exigindo resgate.
Lembrei-me, então, dos exageros
que podemos atribuir à teoria de Freud, o instinto sexual se revela na
mente, e teci alguns comentários alusivos ao assunto, detendo-me, de
maneira especial, na amnésia infantil, a que o famoso cientista empresta a
maior importância para explicar as operações do inconsciente.
Silas, atencioso, completou sem
hesitar:
-Bastaria compreender na
encarnação terrestre um Espírito usando naturalmente da inadaptação
temporária entre a alma e o instrumento de que se utiliza. Na infância o
“ego”, em processo de materialização, externará reminiscências e opiniões,
simpatias e desafetos, através de manifestações instintivas, a lhe
entremostrarem o passado, do qual mal se lembrará no futuro próximo, de
vez que estará movimentando a máquina cerebral em desenvolvimento, máquina
essa que deverá servi-lo, tão-só por algum tempo e para determinados fins,
ocorrendo idêntica situação na idade provecta, quando as palavras como que
se desprendem dos quadros da memória, traduzindo alterações do órgão do
pensamento, modificadas por desgaste.
-E a tese da libido como fomes
sexual característica em todos os viventes? – insisti, curioso.
-Freud – considerou Silas - deve
ser louvado pelo desassombro com que empreendeu a viagem aos mais
recônditos labirintos da alma humana, para descobrir as chagas do
sentimento e diagnostica-las com o discernimento possível. Entretanto, não
pode ser rigorosamente aprovado, quando pretendeu, de certo modo, explicar
o campo emotivo das criaturas pela medida absoluta das sensações eróticas.
Confiou-se o Assistente a ligeira
pausa e prosseguiu:
-Criação, vida e sexo são temas
que se identificam essencialmente entre si, perdendo-se em suas origens no
seio da Sabedoria Divina. Por isso, estamos longe de padroniza-los em
definições técnicas, inamovíveis. Não podemos, dessa forma, limitar às
loucuras humanas a função do sexo, pois, seríamos tão insensatos quanto
alguém que pretendesse estudar o Sol apenas por uma réstia de luz filtrada
pela fenda de um telhado. Examinando como força atuante da Cida, à face da
criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão
dos princípios subatômicos à atração dos astros, porque, então, expressará
força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus. O ajuste entre o
oxigênio e o hidrogênio decorrerá desse princípio, no plano químico,
formando a água de que se alimenta a Natureza. O movimento harmonioso do
Sol, equilibrando a família dos mundos, na imensidade sideral, além de
nutrir-lhes a existência, resultará dessa mesma energia no plano cósmico.
E a própria influência do Cristo, que se deixou crucificar em devotamento
a nós outros, seus tutelados na Terra, para fecundar de luz a nossa mente,
com vistas à divina ressurreição, não será, na essência, esse mesmo
princípio, estampado no mais alto teor da sublimação? O sexo, pois, não
poderia ausentar-se do reino espiritual que nos é conhecido, por ser de
substância mental, determinando mentalmente as formas em que se expressa.
Representa, desse modo, não uma energia fixa da Natureza, trabalhando a
alma, e sim uma energia variável da alma, com que ela trabalha a Natureza
em que evolve, aprimorando a si mesma. Apreciemo-la, assim, como sendo uma
força do Criador na criatura, destinada a expandir-se em obras de amor e
luz que enriqueçam a vida, igualmente condicionada à lei de
responsabilidade, que nos rege os destinos.
Hilário, que ouvia,
atenciosamente as elucidações expostas, considerou:
-Semelhante argumentação dá-nos a
entender que a força sexual não se destina simplesmente a gerar filhos...
Não me calou agradavelmente a
ponderação que julguei de todo inoportuna, ante a elevação e a
transcendentalidade a que Silas projetara o tema em estudo, mas co
Assistente sorriu bem-humorado e respondeu:
-Hilário, meu amigo, na Terra, é
vulgar a fixação do magno assunto no equipamento genital do homem e da
mulher. Contudo, é preciso não esquecer que mencionamos o sexo como força
de amor nas bases da vida, totalizando a glória da Criação. Foi ainda
Segismundo Freud quem definiu o objetivo do impulso sexual como procura de
prazer... Sem, a assertiva é respeitável, em nos reportando às
experiências primárias do Espírito, no mundo físico; entretanto, é
indispensável dilatar a definição para arreda-la do campo erótico em que
foi circunscrita. Pela energia criadora do amor que assegura a
estabilidade de todo o Universo, a alma, em se aperfeiçoando, busca sempre
os prazeres mais nobres. Temos, assim, o prazer de ajudar, de descobrir,
de purificar, de redimir, de iluminar, de estudar, de aprender, de elevar,
de construir e toda uma infinidade de prazeres, condizentes com os mais
santificantes estágios do Espírito. Encontramos, desse modo, almas que se
amam profundamente, produzindo inestimáveis valores para o engrandecimento
do mundo, sem jamais se tocarem umas nas outras, do ponto de vista
fisiológico, embora permutem constantemente os raios quintessenciados do
amor para a edificação das obras a que se afeiçoam. Sem dúvida o lar
digno, santuário em que a vida se manifesta, na formação de corpos
abençoados para a experiência da alma, é uma instituição da Providência
Divina; entretanto, junto dele, dispomos igualmente das associações de
seres que se aglutinam uns aos outros, nos sentimentos mais puros, em
favor das obras da caridade e da educação. As faculdades do amor geram
formas sublimes para a encarnação das almas na Terra, mas também criam os
tesouros da arte, as riquezas da indústria, as maravilhas da Ciência, as
fulgurações do progresso... E ninguém amealha os patrimônios da evolução a
sós. Em todas as empresas do acrisolamento moral, surpreendemos Espíritos
afins que se buscam, reunindo as possibilidades que lhes são próprias, na
realização de empreendimentos que levantam a Humanidade, da Terra para o
Céu...
Após breve pausa, acentuou:
-O próprio Cristo, Nosso Senhor,
para cimentar os alicerces do seu apostolado de redenção, chamou a si os
companheiros da Boa Nova que, embora a princípio não lhe compreendessem a
excelsitude, dele se fizeram apóstolos intimoratos, selando com o Mestre
Inesquecível um contrato de coração para coração, por intermédio do qual
lançaram os fundamentos do Reino de Deus na Terra, numa obra de abnegação
e sacrifício que constitui, até hoje, o mais arrojado cometimento do amor
no mundo.
Nesse ponto das elucidações que
lhe fluíam do verbo afetuoso, permitiu-se o Assistente mais longo
intervalo.
Percebendo, porém, que
estimaríamos ouvi-lo mais amplamente sobre o sexo, qual é concebido entre
os homens, de forma a enfileirar conclusões adequadas aos nossos estudos
de causa e efeito, voltou a dizer:
-Tais considerações que
expendemos, acerca de um tema assim tão vasto, externando-nos do ângulo
mais elevado que a nossa mente é suscetível de abarcar, não nos dispensam
do dever de exaltar a necessidade de sublimação da experiência emotiva
entre as criaturas. Sabemos que o sexo, analisado na essência, é a soma
das qualidades femininas ou masculinas que caracterizam a mente, razão por
que é imprescindível observa-lo, do ponto de vista espiritual,
enquadrando-o na esfera das concessões divinas que nos cabe movimentar com
respeito e rendimento na produção do bem. Entendo que vocês desejariam
efetuar mais longa digressão educativa nesse domínio, entretanto, cremos
desnecessários minudenciar particularidades ao redor do assunto, porque
conhecem de sobejo que, quanto mais amplos o discernimento do Espírito,
mais imperiosas se lhe fazem as obrigações perante a vida. O sexo no corpo
humano é assim como um altar de amor puro que não podemos relegar à
imundice, sob pena de praticar as mais espantosas crueldades mentais,
cujos efeitos nos seguem, invariáveis, depois do túmulo...
Meu colega, que ardia no anseio
de intensificar indagações, inquiriu, respeitoso;
-Silas amigo; assistimos no mundo
a todo acervo de conflitos sentimentais que, por vezes, culminam em
pavorosa delinquência... Homens que renegam os sagrados compromissos do
lar, mulheres que desertam dos deveres nobilitantes para com a família...
Pais que abandonam os filhos...Mães que rejeitam rebentos mal nascidos,
quando os não assassinam covardemente... Tudo isso em razão da sede dos
prazeres sexuais que, não raro, lhes situam os passos nas sendas
tenebrosas do crime... Todas essas falhas acompanham o Espírito, além da
armadura da carne que a morte consome?
-Como não? – respondeu o
Assistente, tristonho. – Cada consciência é uma criação de Deus e cada
existência é um elo sagrado na corrente da vida em que Deus palpita e se
manifesta. Responderemos por todos os golpes destrutivos que vibramos nos
corações alheios e não nos permitiremos repouso enquanto não consertamos,
valorosos, o serviço de reajuste.
Impressionado, meu companheiro
persistiu:
-Imaginemos que um homem tenha
conduzido uma jovem à comunhão sexual com ele, à caça de mero prazer dos
sentidos, prometendo-lhe matrimônio digno, para abandona-la vilmente ao
próprio desencanto, depois de saciado em seus desejos... A pobre criatura,
desenganada, sem recursos para refugiar-se no trabalho respeitável,
entrega-se ao meretrício. O homem é responsável pelos destinos que a
infelicitada companheira venha a praticar, compreendendo-se que ele não
terá marchado sozinho para semelhante aventura?
-É preciso reconhecer que todos
responderemos pelos atos que efetuamos – explicou o interlocutor -;
contudo, no caso em foco, se o homem não é responsável pelos delitos em
que venha a falir a mulher desventurada, é ele, inegavelmente, o autor da
desdita em que ela se encontra. E, em desencarnando com o remorso da
traição praticada, quanto mais luz se lhe faça no entendimento mais agudo
lhe será o pesar de haver cometido a falta. Trabalhará, naturalmente, para
levanta-la do abismo a que ela se arrojou para segui-lo, confiante, e
reconduzi-la à reencarnação, em cujos liames se demorará, aceitando-a por
esposa ou filha, de modo a entregar-lhe o puro amor prometido, sofrendo
para regenerar-lhe a mente em desequilíbrio e resgatando a sua consciência
entenebrecida pela culpa.
-Da mesma forma – aduziu Hilário
-, notamos na sociedade terrestre homens arruinados por mulheres desleais
que os precipitaram na criminalidade e no vício...
-O processo da reparação é
absolutamente o mesmo. A mulher que lançou o companheiro nas sombras do
mal, em despertando à luz do bem, não descansará, enquanto não reerguer
para a dignidade moral, diante das Leis de Deus. Quantas mães vemos no
mundo, engrandecidas pela dificuldade e pela renúncia, morrendo cada dia,
entre a aflição e o sacrifício, para cuidar de filhos monstruosos que lhes
torturam a alma e a carne? Em muitos desses quadros terríveis e
emocionantes, oculta-se, divino, o labor da regeneração que só o tempo e a
dor conseguem realizar.
Tudo isso meu amigo – tornou
Hilário com manifesta amargura -, nos obriga a reconhecer que, nas falhas
do campo genésico, temos a considerar, acima de tudo, a crueldade mental
que praticamos em nome do amor...
-Isso mesmo – aprovou o
Assistente. – Na perseguição ao prazer dos sentidos, costumamos armas as
piores ciladas aos corações que nos ouvem... Contudo, fugindo à palavra
empenhada, não nos precatamos quanto à lei de correspondência, que nos
devolve, inteiro, o mal que praticamos e em cuja intimidade as bênçãos do
conhecimento superior nos agravam as agonias, de vez que, no esplendor da
luz espiritual, não nos perdoamos pelas nódoas e chagas que trazemos na
alma. Isso, para não falar dos crimes passionais, perpetrados na sociedade
humana, todos os dias, pelos abusos das faculdades sexuais, destinadas a
criar a família, a educação, a beneficência, a arte e a beleza entre os
homens. Esses abusos são responsáveis não apenas por largos tormentos nas
regiões infernais, mas também por muitas moléstias e monstruosidades que
ensombram a vida terrestre, porquanto os delinqüentes do sexo, que
operaram o homicídio, o infanticídio, a loucura, o suicídio, a falência e
o esmagamento dos outros, voltam à carne, sob o impacto das vibrações
desequilibrantes que puseram em ação contra si próprios, e são, muitas
vezes, as vítimas da mutilação congênita, da alienação mental, da
paralisia, da senilidade precoce, da obsessão enquistada, do câncer
infantil, das enfermidades nervosas de cariada espécie, dos processos
patogênicos inabordáveis e de todo um cortejo de males, decorrentes do
trauma perispirítico que, provocando desajustes nos tecidos sutis da alma,
exige longos e complicados serviços de reparação a se exteriorizarem com o
nome da inquietação, angústia, doença, provação, desventura, idiotia,
sofrimento e miséria. Aliás, muito antes da pompa terminológica das
escolas psicanalíticas modernas, que se permitem arrojadas conjeturas em
torno das flagelações mentais há quase vinte séculos ensinou-nos Jesus que
“todo aquele que comete o mal é escravo do al” (9) e podemos
acrescentar que, para sanar o mal, a que houvemos escravizado o coração, é
imprescindível sofrer a purgação que o extirpa.
A conversão como que esmorecia,
no entanto, Hilário, interessado em dirimir as dúvidas que lhe escaldavam
a cabeça, tomou novamente a palavra e indagou, sem preâmbulos:
-E os problemas inquietantes da
inversão?
Silas deu-se pressa em aclarar:
-Não será preciso alongar elucidações.
Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas
ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito
acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas
linhas evolutivas da mulher, e que o
Espírito marcadamente masculino, se detenha por
longo tempo nas experiências do homem.
Contudo, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua
pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que,
inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a
renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto
íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe,
diante de Deus, ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois
de arrastar o homem à devassidão e à delinquência, cria para si mesma
terrível alienação mental para além do corpo masculino, a fim de que, nas
teias do infortúnio de sua emotividade, saída edificar no seu ser o
respeito que deve ao homem, perante o Senhor. Nessa definição, porém, não
incluímos os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas
circunstâncias, reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais
recônditos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, no intuito
de operarem com mais segurança e valor, não só o acrisolamento moral de si
mesmos, como também a execução de tarefas especializadas, através de
estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que se
lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da
vida e no progresso espiritual.
Compreendemos que Silas se
desincumbiria brilhantemente da tarefa de esclarecer-nos, condensando, em
palavras singelas luminosa síntese de vasto assunto que, decerto, em nossa
conceituação exigiria vários compêndios para ser devidamente analisado.
Meu colega, contudo, como quem
desejava estudar todas as questões tangentes, voltou a interrogar:
-Já que nos detemos em matéria de
sexologia, na lei de causa e efeito, como interpretar a atitude dos casais
que evitam os filhos, dos casais dignos e respeitáveis, sob todos os
pontos de vista, que sistematizam o uso dos anticoncepcionais?
Silas sorriu de modo estranho e
falou:
-Se não descambam para a
delinquência do aborto, na maioria das vezes são trabalhadores
desprevenidos que preferem poupar o suor, na fome de reconforto
imediatista. Infelizmente para eles, porém, apenas adiam realizações
sublimes, às quais deverão fatalmente voltar, porque há tarefas e lutas em
família que representam o preço inevitável de nossa regeneração. Desfrutam
a existência, procurando inutilmente enganar a si mesmos, no entanto, o
tempo espera-os, inexorável, dando-lhes a conhecer que a redenção nos pede
esforço máximo. Recusando acolhimento a novos filhinhos, quase sempre
programados para eles antes da reencarnação, emaranham-se nas futilidades
e preconceitos das experiências de subnível, para acordarem, depois do
túmulo, sentindo frio no coração...
-E o aborto provocado,
Assistente? – inquiriu Hilário, sumamente interessado. – Diante da
circunspeção com que a sua palavra reveste o assunto, é de se presumir
seja ele falta grave...
-Falta grave? Seria melhor dizer
doloroso crime. Arrancar uma criança ao materno seio é infanticídio
confesso. A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante
delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações
deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a
dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo, a metralgia, o
enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os quais, muita
vez, desencarna, demandando o Além para responder, perante a Justiça
Divina, pelo crime praticado. É, então, que se reconhece rediviva, mas
doente e infeliz, porque,pela incessante recapitulação mental do ato
abominável, através do remorso, reterá por tempo longo a degenerescência
das forças genitais.
-E como se recuperará dos
lamentáveis acidentes dessa ordem?
O Assistente pensou por momentos
rápidos e acrescentou:
-Imagine vocês a matriz mutilada
ou deformada na mesa da cerâmica. Decerto que o oleiro n não se utilizará
dela para a modelagem de vaso nobre, mas aproveitar-lhe-á o concurso em
experimentos de segunda e terceira classe... A mulher que corrompeu
voluntariamente o seu centro Genésio receberá de futuro almas que viciaram
a forma que lhes é peculiar, e será mãe de criminosos e suicidas, no campo
da reencarnação, regenerando as energias sutis do perispírito, através do
sacrifício nobilitante com que devotará aos filhos torturados e infelizes
de sua carne, aprendendo a orar, a servir com nobreza e a mentalizar a
maternidade pura e sadia, que acabará reconquistando ao preço de
sofrimento e trabalho justo...
Inexplicavelmente, Hilário
emudeceu e, à face da lógica em que se baseavam as anotações de Silas, não
tive coragem de prosseguir perguntando, absorvido então pelo temos de
aprofundar em excesso num terreno em que terminaria por esbarrar nos
detritos de meus próprios erros, preferindo, assim, o silêncio para
reaprender e pensar.
(9) Evangelho de João
8:34. – (Nota do Autor espiritual).
Da obra “AÇÃO E REAÇÃO” – ESPÍRITO: ANDRÉ LUIZ –
MÉDIUM: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
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