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alguns recém
desencarnados
André Luiz
Atingíramos largo recinto construído à feição de
um pátio interior de proporções corretas e amplas.
Tive a idéia de penetrar em
enorme átrio, algo semelhante a certas estações ferroviárias terrestres,
porque nas acomodações marginais, caprichosamente dispostas, se
encontravam dezenas de entidades em franca expectativa.
A dizer verdade, não vi sinais de
alegria completa em rosto algum.
Os grupos variados, alguns deles
em discreto entendimento, dividiam-se entre a preocupação e a tristeza.
De passagem, podíamos ouvir
diálogos diferentes.
Em círculo reduzido, registramos
frases como estas:
-Acreditas possa ela, agora,
devotar-se à mudança justa?
-Dificilmente. Centralizou-se,
por muito tempo, no descontrole da própria vida.
Mais além escutamos dos lábios de
uma senhora que se dirigia a uma rapaz de agoniado semblante:
-Meu filho, guarde serenidade.
Segundo informações do Assistente Cláudio, seu pai não virá em condições
de reconhecer-nos. Precisará muito tempo para retornar a si.
Em trânsito, não assinalava senão
alguns retalhos de conversão, como esses.
A certa altura, na praça em
movimentação. Druso, generoso, confiou-nos aos cuidados de Silas,
mencionando obrigações urgentes que lhe abreviariam a atenção.
Encontrar-nos-íamos no dia
seguinte, informou.
A promessa gentil obrigou-me a
considerar o aspecto do tempo.
Pela sombra reinante, não
poderíamos saber se era dia, s era noite.
Por isso, o grande relógio, ali
existente, com largo mostrador abrangendo as vinte e quatro horas,
funcionou aos meus olhos como a bússola para o viajante, deixando-me
perceber que estávamos em noite alta. (3).
Sons de campanas invisíveis cortavam agora o ar e,
assinalando-nos a curiosidade, Silas esclareceu que a caravana-comboio
penetraria no recinto em alguns minutos.
Aproveitei os momentos para
indagações que julgueis necessárias.
Que espécies de criaturas
aguardavam, ali? Recém-desencarnados em que condições? Com se organizaria
a caravana-comboio? Vinha diariamente à instituição atendendo a horário
certo?
O companheiro, que se dispusera a assistir-nos,
informou que as entidades prestes a entrarem integravam uma equipe de
dezenove pessoas, acompanhadas por dez servidores da casa, que lhes
orientavam a excursão, tratando-se de recém-desencarnados em desequilíbrio
mental, mas credores de imediata assistência, de vez que não se achavam em
desesperação, nem se haviam comprometido de todo com as forças dominantes
nas trevas. Notificou, ainda, que a caravana se constituía de
trabalhadores especializados, sob a chefia
de um Atendente, e que viajavam com simplicidade, sem carros de estilo,
apenas conduzindo o material indispensável à locomoção no pesado ambiente
das sombras, auxiliada por alguns cães inteligentes e prestimosos.
A Mansão contava com dois grupos
dessa natureza.
Diariamente um deles atingia
aquele domicílio de reajuste, revezando-se no piedoso mister socorrista.
Entretanto – aclarou -, não
possuíam horário certo para a chegada de vez que a peregrinação, pelos
domínios das trevas, obedecia comumente a fatores circunstanciais.
Mal terminaria o interlocutor e a
expedição penetrava o enorme átrio.
Os cooperadores responsáveis
estavam aparentemente calmos, evidenciando alguns, entretanto, no olhar,
funda preocupação.
Os recolhidos, no entanto,
exceção de cinco que vinham de maca, desmemoriados e dormente, revelavam
perturbações manifestas que, em alguns, se expressavam por loucura
desagradável, se bem que pacífica.
Enquanto os enfermeiros se
desvelavam em ajuda-los, carinhosos e atentos, e os cães se deitavam,
extenuados, aqueles seres recém-chegados falavam e reclamavam,
demonstrando absoluta ausência mental da realidade e provocando piedade e
constrangimento.
Silas convidou-nos à
movimentação.
Efetivamente, cabia-nos algo
fazer na cooperação.
O chefe da caravana aproximou-se
de nós e o Assistente no-lo apresentou num gesto amigo.
Era o Atendente Macedo, valoroso
condutor de tarefas socorristas.
Afeiçoados e parentes dos
recém-vindos cercavam-nos, agora, com expressões de alegria e sofrimento.
Algumas senhoras que vira, antes,
em ansiosa expectativa, derramavam lágrimas discretas.
Notei que as criaturas
recém-desligadas dos corpos densos, conturbadas qual se achavam, traziam
consigo todos os sinais das moléstias que lhes haviam imposto a
desencarnação.
Ligeiro exame clínico poderia sem
dúvida favorecer a leitura da diagnose individual.
Dama simpática abeirara-se de uma
jovem senhora que vinha amparada pela ternura de uma das enfermeiras da
instituição, e, abraçando-a, chorava sem palavras. A moça recém-liberta
recebia-lhe os carinhos, rogando, comovente:
Não me deixem morrer!... Não me
deixem morrer!...
Mostrando-se enclausurada na
lembrança dos momentos derradeiros no corpo terrestre, de olhos torturados
e lacrimosos, avançou para Silas, exclamando:
-Padre! Padre deixa cair sobre
mim a bênção da extrema-unção; contudo, afasta de minha alma a foice da
morte!...Tentei apagar minha falta na fonte da caridade para com os
desprotegidos da sorte, mas ingratidão, praticada com minha mãe, fala
muito alto em minha consciência infeliz!... Ah! Por que o orgulho me
encegueceu, assim tanto, a ponto de condena-la à miséria?!... Por que não
me possuía, há vinte anos, a compreensão que tenho agora? Pobrezinha, meu
padre! Lembra-se dela? Era uma atriz humilde que me criou com imensa
doçura!...Concentrou em mim a existência...Da ribalta festiva, desceu o
rude labor doméstico para conquistar nosso pão...Tinha a sociedade contra
ela, e meu pai, sem ânimo de lutar pela felicidade de todos nós, deixou-a
arrastar-se na extrema pobreza, acovardado e infiel aos compromissos que
livremente assumira...
A infortunada criatura fez
ligeiro interregno, misturando as próprias lágrimas com as da nobre
matrona que a conchegava de encontro ao peito e, de mente aprisionada à
confissão que fizera “in extremis”, continuou qual se tivesse o
sacerdote ao pé de si:
-Padre, perdoe-me, em nome de
Jesus, entretanto, quando me vi jovem e senhora do vultoso dote que meu
pai me conferira, envergonhei-me do anjo maternal que sobre os meus dias
estendera as brancas asas e, aliando-me ao homem vaidoso que desposei,
expulsei-a de nossa casa!... Oh! Ainda sinto o frio daquela terrível noite
de adeus!... Atirei-lhe ao rosto frases cruéis... Piedade!... Pretendendo
elevar-me no conceito do homem desposara, menti que ela não era minha mãe!
Apontei-a como ladra comum que me roubara ao nascer!... Lembro-me do olhar
de dor e compaixão que me lançou ao despedir-se...Não se queixou, nem
reagiu...Apenas contemplou-me, tristemente, com os olhos túrgidos de
chorar!...
Nessa altura, a dama que a
sustentava afagou-lhe os cabelos em desalinho e buscou reconforta-la:
-Não se excite.
Descanse...Descanse...
-Ah! Que voz é esta? – bradou a
moça a desvairar-se de angústia.
E, tateando as mãos afetuosas que
lhe acariciavam a face, exclamou, sem vê-las:
-Oh! Padre dir-se-ia que ela se
encontra aqui, junto de mim!...
E, voltando para o alto os olhos
apagados e súplices, rogava em pranto:
-Ó Deus, não me deixeis
encontra-la, sem que pague os meus débitos!...Senhor, compadecei-vos de
mim, pecadora que Vos ofendi, humilhando e ferindo a amorosa mãe que me
destes!...
Como auxílio de duas enfermeiras,
porém, a simpática senhora que a acalentava situou-a em leito portátil e
fê-la emudecer, à força de inexcedível ternura. Percebendo-me a
emotividade, Silas, depois de amparar o serviço de acomodação da doente,
explicou:
-A dama generosa que a recolheu
nos braços é a genitora que veio ao encontro da filha.
-Que nos diz?! – Exclamou
Hilário, assombrado.
-Sim, acompanhá-la-á,
carinhosamente, sem identificar-se, para que a pobre desencarnada não
sofra abalos prejudiciais. O traumatismo perispirítico vale por muito
tempo de equilíbrio e aflição.
-E por que motivo teria a doente
decidido confessar-se, dessa maneira? – pergunta meu colega, intrigado.
-É fenômeno comum – elucidou o
Assistente. – as faculdades mentais de nossa irmã sofredora estagnaram-se
no remorso, em razão do delito máximo de sua existência última, e, desde
que foi mais intensamente tocada pelas reflexões da morte, entregou-se, de
modo total, a semelhantes reminiscências. Por haver cultivado a fé
católica romana, imagina-se ainda diante do sacerdote, acusando-se pela
falta que lhe maculou a vida...
O espetáculo ferira-me, fundo.
A rudeza do quadro que a verdade
me oferecia obrigava-me a dolorida meditação.
Não havia, então, males ocultos
na Terra!...
Todos os crimes e todas as falhas
da criatura humana se revelariam algum dia, em algum lugar!...
Silas entendeu a amargura de
minhas reflexões e veio em meu socorro, observando:
-Sim, meu amigo, você repara com
acerto. A Criação de Deus é gloriosa luz. Qualquer sombra de nossa
consciência jaz impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por
nós mesmos, com o suor do trabalho ou com o pranto da expiação...
E ante os apelos agoniados e
afetivos nos reencontros a se processarem, ali, sob nossos olhos, em que
filhos e pais, esposos e amigos se reaproximavam uns dos outros, o
Assistente acrescentou:
-Geralmente a estas plagas de
inquietação aportam aqueles que em si mesmos cavaram mais fundos sulcos
infernais e que se cristalizaram em perigosas ilusões, mas a Bondade
Infinita do Senhor permite que as vítimas edificadas no entendimento e no
perdão se transformem, felizes, em abnegados cireneus dos antigos
verdugos. Como é fácil verificar, o incomensurável amor de nosso Pai
Celeste sobre, não somente os territórios glorificados do paraíso, mas
também as províncias atormentadas do inferno que criamos...
Pobre mulher prorrompeu um choro
convulso, junto de nós, cortando a palavra de nosso amigo.
De punhos cerrados, reclamava a
infeliz:
-Quem me libertará de Satã? Quem
me livrará do poder das trevas? Santos anjos, socorrei-me! Socorrei-me
contra o temível Belfegor!...
Silas convocou-nos ao amparo
magnético imediato.
Enfermeiros presentes acorreram,
solícitos, impedindo o agravamento da crise.
-Maldito! Maldito!... – repetia a
demente, persignando-se.
Invocando o socorro divino,
através da oração, procurei anular-lhe os movimentos desordenados,
adormecendo-a pouco a pouco.
Asserenado o ambiente,
convidou-nos Silas a sondar-lhe a mente conturbada, agora sob o império de
profunda hipnose.
Busquei pesquisar-lhe a
desarmonia em rápido processo de análise mental, e verifiquei, espantado,
que a pobre amiga era portadora de pensamentos horripilantes.
Como que a se lhe enraizar no
cérebro, via escapar-lhe do campo íntimo a figura animalesca de um homem
agigantado, de longa cauda, com a fisionomia de garras e ostentando dois
chifres, sentado numa cadeira tosca, qual se vivesse em perfeita simbiose
com a infortunada criatura, em mútua imanização.
Diante da minha pergunta
silenciosa, o Assistente informou:
-É um clichê mental, criado e
nutrido por ela mesma. As idéias macabras da magia aviltante, quais sejam
as da bruxaria e do demonismo que as igrejas denominadas cristãs propagam,
a pretexto de combate-los, mantendo crendices e superstições, ao preço de
conjurações e exorcismos, gera, imagens como esta, a se difundirem nos
cérebros fracos e desprevenidos, estabelecendo epidemias de pavor
alucinatório. As Inteligências desencarnadas entreguem à perversão,
vale-se desses quadros mal contornados que a literatura feiticista ou a
pregação invigilante distribuem na Terra, a mancheias, e imprime-lhes
temporária vitalidade, assim como um artista do lápis se aproveita dos
debuxos de uma criança, tomando-os por base os desenhos seguros com que
passa a impressionar o ânimo infantil.
O esclarecimento se me deparava
como oportuna chave para a solução de muitos enigmas, no capítulo da
obsessão, em que os doentes começam atormentando a si mesmos e acabam
atormentados por seres que se afinam com o desequilíbrio que lhes é
próprio.
Hilário, que observava
atentamente o duelo íntimo entre a enferma prostrada e a forma-pensamento
que se lhe superpunha à cabeça, falou comovido:
-Lembro-me de haver manuseado, há
muitos anos, na Terra, um livro de autoria de Collin de Plancy, aprovado
pelo arcebispo de Paris, trazendo a descrição minuciosa de diversos
demônios, e creio haver visto uma figura gravada nessa obra, semelhante à
que temos sob nossa direta observação.
Silas adiantou, confirmando:
-Isso mesmo. É o demônio Belfegor,
segundo as anotações de Jean Weier, que imprevidentes autoridades da
Igreja permitiram se espalhasse nos círculos católicos. Conhecemos o livro
a que se refere. Tem criado empecilhos tremendos a milhares de criaturas
que inadvertidamente acolhem tais símbolos de Satanás, oferecendo-os a
Espíritos bestializados que os aproveitam para formar terríveis processos
de fascinação e possessão.
Refletia quanto ao problema dos
moldes mentais na vida de cada um de nós, quando o Assistente, certo me
surpreendendo a indagação, acentuou bem-humorado:
-Aqui, é fácil reconhecer que
cada coração edifica o inferno em que se aprisiona, de acordo com as
próprias obras. Assim, temos conosco os diabos que desejamos, segundo o
figurino escolhido ou modelado por nós mesmos.
O serviço assistencial, porém,
exigia cautelosa atenção. E, por isso, removemos a enferma para o aposento
limpo e bem-posto que a esperava.
Decorridos alguns minutos,
voltamos ao átrio, então descongestionado e silencioso.
Apenas algumas sentinelas da
noite velavam, infatigáveis e atentas.
Os tormentos entrevistos
compeliam-me a pensar. Muito já estudara acerca de pensamento e fixação
mental, todavia, a angústia daquelas almas recém-desencarnadas me infundia
compaixão e quase terror.
Confiei ao amigo que nos
acompanhava, bondoso, a indefinível tortura de que me via objeto e o
Assistente esclareceu com sabedoria:
-Em verdade, estamos ainda longe
de conhecer todo o poder criador e aglutinante encerrado no pensamento
puro e simples, e, em razão disso, tudo deve fazer por libertar os entes
humanos de todas as expressões perturbadoras da vida íntima. Tudo o que
nos escravize à ignorância e à miséria, à preguiça e ao egoísmo, à
crueldade e ao crime é fortalecimento da treva contra a luz e do inferno
contra o Céu.
E talvez porque desejasse
ardentemente mais alguma anotação, em torno do transcendente assunto,
Silas ajuntou:
-Recorda-se de haver lido alguma
memória, alusiva às primeiras experiências de Marconi, nos albores do
telégrafo sem fio?
-Sim – respondi -, lembro-me de
que o sábio ainda muito jovem se consagrou ao estudo das observações de
Henrique Hertz, o grande engenheiro alemão que realizou importantes
experiências sobre as ondulações elétricas, comprovando as teorias da
identidade da transmissão entre a eletricidade, a luz e o calor
irradiante, e sei que, certa feita, tomando-lhe o oscilador e conjugando-o
com a antena de Popoff e com o receptor de Branly, no jardim da casa
paterna, conseguiu transmitir sem fio os sinais do alfabeto Morse. Mas...
Que tem isso a ver com o pensamento?
O Assistente sorriu e falou:
-A referência é significativa
para as nossas considerações. Além dela, volvamos à televisão, uma das
maravilhas da atualidade terrestre...
E acrescentou:
-Reporto-me ao assunto para
lembrar que na radiofonia e na televisão os elétrons que carreiam as
modulações da palavra e os elementos da imagem se deslocam no espaço com
velocidade igual à da luz, ou seja, a trezentos mil quilômentos por
segundo. Ora, num só local pode funcionar um posto de emissão e outro de
recepção, compreendendo-se que, num segundo, as palavras e as imagens
podem ser irradiadas e captadas, simultaneamente, depois de atravessarem
imensos domínios do espaço, em fração infinitesimal de tempo. Imaginemos
agora o pensamento, força viva e atuante, cuja velocidade supera a da luz.
Emitido por nós, volta, inevitavelmente a nós mesmos, compelindo-nos a
viver, de maneira espontânea, em sua onda de formas criadoras, que
naturalmente se nos fixam no espírito quando alimentadas pelo combustível
de nosso desejo ou de nossa atenção. Daí, a necessidade imperiosa de nos
situarmos nas idéias mais nobres e nos propósitos mais puros da vida,
porque energias atraem energias da mesma natureza, e, quando estacionárias
na viciação ou na sombra, as forças mentais que exteriorizamos retornam ao
nosso espírito, reanimadas e intensificadas pelos elementos que com elas
se harmonizam, engrossando, dessa forma, as grades da prisão em que nos
detemos irrefletidamente, convertendo-se-nos a alma num mundo fechado, em
que as vozes e os quadros de nossos próprios pensamentos, acrescidos pelas
sugestões daqueles que se ajustam ao nosso modo de ser, nos impõem
reiteradas alucinações, anulando-nos, de modo temporário, os sentidos
sutis.
E depois de ligeira pausa,
concluiu:
-Eis por que, efetuada a
supressão do corpo somático, no fenômeno vulgar da morte, a criatura
desencarnada, movimentando-se num veículo mais plástico e influenciável,
pode permanecer longo tempo sob o cativeiro de suas criações menos
construtivas, detendo-se em largas faixas de sofrimento e ilusão com
aqueles que lhes vivem os mesmos enganos e pesadelos.
A explicação não podia ser mais
clara.
Calamo-nos; Hilário e eu;
dominados por igual sentimento de respeito e reflexão.
Silas percebeu-nos a atitude
interior e generosamente convidou-nos ao descanso em que, por algumas
horas, conseguiríamos repousar e...Pensar.
(3 –Reportamo-nos a
regiões encravadas nos domínios do próprio globo terrestre, submetidas às
mesmas leis que lhe regulam o tempo – (Nota do Autor espiritual)).
Da obra “AÇÃO E REAÇÃO” – ESPÍRITO: ANDRÉ LUIZ –
MÉDIUM: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
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