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HONRA DE SERVIR
Maria
Dolores
Às vezes, alma irmã, dizes que a vida
É um tecido
de lutas colossais,
Que não tens
paciência de sofrê-las,
Que não
suportas mais.
Acalma-te,
no entanto, pensa e nota:
Sem que os
problemas surjam tais quais são,
Tudo seria o
caos no campo da existência,
Deserto sem
degraus de elevação.
-
"Paciência, - explicou-nos sábio amigo,
É o respeito
ideal que se mantém,
Entre os
seres e as vidas que se entrosam
Para a
realização do Eterno Bem".
Para que não
se faça barro e lodo,
Pântano
incomodando o próprio ar,
Deve a fonte
servir no curso a que se prende,
No anseio de
atingir a grandeza do mar.
Se o trigo
recusasse a mó que o pulveriza,
Faria nobre
prato com certeza
Ou talvez
fosse adorno para o mundo,
Mas não
seria pão brilhando à mesa.
Sem controle
da usina que a governa,
Depois de
acumulada onde se ativa,
Seria a
força da eletricidade
Unicamente
força destrutiva.
Se quisesse
fugir da órbita a que atende,
Seria o
próprio Sol, nos espaços profundos,
Um monstro
luminoso sem destino,
Perturbando
a mecânica dos mundos.
Paciência,
alma irmã, é o dom do entendimento,
A honra de
servir que temos ao dispor,
Para erguer,
ante os Céus, nos distritos da Terra,
O caminho da
Paz e a presença do Amor.
Maria Dolores
(De "A Vida
Conta", de Francisco Cândido Xavier)
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