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A PRECE
RECOMPÕE
Emmanuel
"E, tendo orado, moveu-se o lugar em que
estavam reunidos."
- (ATOS, 4:31.)
Na construção de simples casa de pedra, há
que despender longo esforço para ajustar ambiente próprio, removendo
óbices, eliminando asperezas e melhorando a paisagem.
Quando não é necessário acertar o solo
rugoso, é preciso, muitas vezes, aterrar o chão, formando leito seguro, à
base forte.
Instrumentos variados movimentam-se,
metódicos, no trabalho renovador.
Assim também na esfera de cogitações de
ordem espiritual.
Na edificação da paz doméstica, na
realização dos ideais generosos, no desdobramento de serviços edificantes,
urge providenciar recursos ao entendimento geral, com vistas à cooperação,
à responsabilidade, ao processo de ação imprescindível. E, sem dúvida, a
prece representa a indispensável alavanca renovadora, demovendo obstáculos
no terreno duro da incompreensão.
A oração é divina voz do espírito no grande
silêncio.
Nem sempre se caracteriza por sons
articulados na conceituação verbal, mas, invariavelmente, é prodigioso
poder espiritual comunicando emoções e pensamentos, imagens e idéias,
desfazendo empecilhos, limpando estradas, reformando concepções e
melhorando o quadro mental em que nos cabe cumprir a tarefa a que o Pai
nos convoca.
Muitas vezes, nas lutas do discípulo sincero
do Evangelho, a maioria dos afeiçoados não lhe entende os propósitos, os
amigos desertam, os familiares cedem à sombra e à ignorância; entretanto,
basta que ele se refugie no santuário da própria vida, emitindo as
energias benéficas do amor e da compreensão, para que se mova, na direção
de mais alto, o lugar em que se demora com os seus.
A prece tecida de inquietação e angústia não
pode distanciar-se dos gritos desordenados de quem prefere a aflição e se
entrega à imprudência, mas a oração tecida de harmonia e confiança é força
imprimindo direção à bússola da fé viva, recompondo a paisagem em que
vivemos e traçando rumos novos para a vida superior.
Do livro À Luz da Oração. Psicografia de
Francisco Cândido Xavier.
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