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PRECE E
OBSESSÃO
André Luiz
A Providência
Divina, pelas providências humanas, sustenta o amparo indiscriminado a
todas as criaturas, mas estatui a reciprocidade em todos os processos de
ação pelos quais a bondade da vida se manifesta.
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Comparemos a prece e
a obsessão ao anseio de saber e ao tormento da ignorância.
O professor
esclarece o discípulo mas não lhe dispensa a aplicação direta ao ensino. E
se o aluno é surdo-mudo, mesmo assim, para instruir-se, é obrigado a
concentrar muitas das possibilidades da visão e da audição nas sutilezas
do tato, se quer assimilar o que aprende.
Recorramos, ainda, à
lição viva que surge, entre a doença e o remédio.
Administrar-se-á
medicamento ao enfermo, mas não se pode eximi-lo do concurso necessário. E
se o paciente não consegue ou não deve acolher os recursos precisos,
através da boca, é constrangido a recebê-los por intermédio dos poros, das
veias ou de outros canais do corpo.
*
Todo socorro
essencial ao veículo físico reclama a participação do veículo físico.
Ninguém extingue a
própria fome pelo esôfago alheio.
Assim, também, nas
necessidades do espírito,
Na desobsessão, a
prece indica a atividade libertadora, no entanto, não exonera o
interessado da obrigação de renovar-se pelo serviço e pelo estudo, a fim
de que se areje a casa íntima, de vez que todos aqueles que se
acumpliciaram conosco, na prática do mal, em existências passadas, somente
se transformam para o bem, quando nos identificam o esforço, por vezes
difícil e doloroso, da nossa reeducação, na prática do bem.
*
Resumindo,
imaginemos o irmão obsidiado, ainda lúcido, como sendo prisioneiro da
própria mente, convertida então em cela escura e comparemos o socorro
espiritual à lâmpada generosa.
Obsessão é o bolo
pestífero transformado em caprichoso ferrolho na sombra. Oração é luz que
acende.
A claridade traça a
orientação do que se tem a fazer, mas o detento é chamado a tomar a
iniciativa do trabalho para libertar a si mesmo, removendo corajosamente o
tenebroso foco de atração.
Livro A Luz da
Oração. Psicografia de Francisco Candido Xavier - Espíritos Diversos. |