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A FAMÍLIA
INDO-EUROPÉIA
Emmanuel
AS MIGRAÇÕES
SUCESSIVAS
Se as civilizações
hindu e egípcia definiram-se no mundo em breves séculos, o mesmo não
aconteceu com a civilização ariana, que ia iniciar na Europa os seus
movimentos evolutivos.
Somente com o escoar
de muitos séculos regularizaram-se as suas migrações sucessivas, através
dos planaltos da Pérsia. Do Irã procederam quase todas as correntes da
raça branca, que representariam mais tarde os troncos genealógicos da
família indo-européia.
Conforme
afirmávamos, os arianos que procuravam as novas emoções de uma terra
desconhecida eram, na sua maioria, os espíritos revoltados com as
condições do seu degredo; poucos efeitos aos misteres religiosos que, pela
força das circunstâncias, impunham uma disciplina de resignação e
humildade, não cuidaram da conservação do seu tradicionalismo, na ânsia de
conquistar um novo paraíso e serenarem, assim, as suas inquietações
angustiosas.
A AUSÊNCIA DE
NOTÍCIAS HISTÓRICAS
Aí reside a razão do
escasso conhecimento dos historiadores, acerca dos árias primitivos que
lançaram os marcos da civilização européia.
Caminheiros do
desconhecido, erraram pelas planícies e montanhas desertas, não como o
povo hebreu, que guardava a palavra divina com a sua fé, mas desarvorados
e sem esperança, contando apenas com as próprias forças, em virtude do seu
caráter livre e insubmisso.
Suas incursões,
entre as tribos selvagens da Europa, datam de mais ou menos dez milênios
antes da vinda do Cristo,
não obstante a Humanidade localizar-lhe a marcha apenas quatro mil anos
antes do grande acontecimento da Judéia. É que, em vista de sua situação
psicológica, os primitivos árias do Velho Mundo não deixaram vestígios nos
domínios da fé, único caminho, daqueles tempos, através do qual poderia
uma raça assinalar a sua passagem pela terra. Não guardavam a história
verbal de uma religião que não possuíam. Mais revoltados e enrijecidos que
todos os demais companheiros exilados no orbe terrestre, sua
reminiscências da vida pregressa nos planos mais elevados, qual a que
haviam experimentado no sistema de Capela, traduziam-se numa revolta
íntima, amargurada e dolorosa, contra as determinações de ordem divina.
Apenas, muito mais tarde, com a contribuição dos milênios, os celtas
retornaram ao culto divino, venerando as forças da Natureza, junto dos
carvalhos sagrados, e os germanos iniciaram a sua devoção ao fogo, que
personificava, a seus olhos, a potência criadora dos seres e das coisas,
enquanto outros povos começaram a sacrificar vítimas e objetos aos seus
numerosos deuses.
A GRANDE VIRTUDE DOS
ÁRIAS EUROPEUS
A misericórdia do Cristo,
porém, jamais deixou de acompanhar esse grande povo no seu atribulado
desterro. Ao influxo dos seus emissários, as massas migratórias da Ásia se
dividiram em grupos diversos, que penetraram na Europa, desde o Peloponeso
até as vastas regiões da Rússia, onde se encontram os antepassados dos
gregos, latinos, samnitas, úmbrios, gauleses, citas, iberos, romanos,
saxônios, germanos, eslavos. Essas tribos assimilaram todos os elementos
encontrados em seus caminhos, impulsionando-lhes os passos nas sendas do
progresso e do aperfeiçoamento. Enquanto os semitas e hindus se perderam
na cristalização do orgulho religioso, as famílias arianas da Europa,
embora revoltadas e endurecidas, confraternizaram com o selvagem e nisso
reside a sua maior virtude. Assimilando os aborígenes, engendraram as
premissas de todos os surtos das civilizações futuras. Nessa movimentação
para o estabelecimento de novo "habitat", organizaram as primeiras noções
políticas da vida coletiva, elegendo cada tribo um chefe para a
direção de sua vida em comum. A agricultura, as indústrias
pastoris, com elas encontraram os primeiros impulsos nas estradas incertas
dos que descendiam do "primata" europeu. Com as organizações econômicas,
oriundas do trato direto com o solo, deixaram perceber a lembrança de suas
lutas no antigo mundo que haviam deixado. Bastou que inaugurassem na Terra
o senso da propriedade, para que o germe da separatividade e do ciúme, da
ambição e do egoísmo lhes destruísse os esforços benfazejos...
As rivalidades entre
as tribos, na vida comum, induziram-nas aos primeiros embates
fratricidas.
O MEDITERRÂNEO E O
MAR DO NORTE
Por essa época,
novos fenômenos geológicos abalam a vida do globo.
Precisava Jesus
estabalecer as linhas definitivas da grande civilização, cujos primórdios
se levantavam; e dessas convulsões físicas do orbe surgem renovações que
definem o Mediterrâneo e o Mar do Norte, fixando-se os limites da ação
daqueles núcleos de operários da evolução coletiva.
O Cristo sabia
valorizar a atividade da família indo-européia, que, se era a mais
revoltada contra os desígnios do Alto, era também a única que
confraternizava com o selvagem, aperfeiçoando-lhe os caracteres raciais,
sem esmorecer na ação construtiva das oficinas do porvir. Através dos
milênios, aliviou-lhe os pesares no caminho sobrecarregado de lutas e
dores tenazes. Assim, enviou-lhe emissários em todas as circunstâncias,
atendendo-lhe os secretos apelos do coração, no labor educativo das tribos
primitivas do continente. Suavizou-lhe a revolta e a amargura, ajudando a
reconstruir o templo da fé, na esteira das gerações. Nos bosques da
Armórica, os celtas antigos levantaram os altares da crença entre as
árvores sagradas da Natureza. Doces revelações espirituais caem na alma
desse povo místico e operoso, que, muito antes dos saxões, povoou as
terras da Grã-Bretanha.
A reencarnação de
numerosos auxiliares do Mestre, em seus labores divinos, opera uma nova
fase de evolução no seio da família indo-européia, já caracterizada pelas
mais diversas expressões raciais. Enquanto os germanos criam novas
modalidades de progresso, o Lácio se ergue na Itália Central, entre a
Etrúria e a Campânia; a Grécia se povoa de mestres e cantores, e todo o
Mediterrâneo oriental evolve com o uso da escrita, adquirido na
convizinhança das civilizações mais avançadas.
OS NÓRDICOS E OS
MEDITERRÂNICOS
O fenômeno das
trocas e os primeiros impulsos comerciais levantam, todavia, longa série
de barreiras entre as relações desses povos. De um lado, estavam os
nórdicos e de outro permaneciam os mediterrânicos, em luta acérrima e
constante. A rivalidade acende nessas duas facções os fogos da guerra, sob
os céus tranqüilos do Velho Mundo. Uns e outros empunham as armas
primitivas para as lutas de extermínio e destruição das hostes inimigas, e
a linha divisória dos litigantes se alonga justamente no local onde hoje
se traçam os limites da França e da Alemanha contemporâneas.
È como se explica
essa intensidade de aversão racial entre as duas nações, contadas entre as
mais progressistas e operosas do planeta. Tal situação psicológica entre
ambas haveria de tornar-se em fatalidade histórica, oriunda dos atritos
entre o Germanismo e a Latinidade, nas épocas primitivas. Ou que se não
justifica, porém, é a perpetuação dessas animosidades no curso do tempo,
pelo que se impõe, como imperativo constante, a concentração de todos os
pensamentos no objetivo da fraternidade geral.
ORIGEM DO
RACIONALISMO
Os arianos da
Europa, como ficou esclarecido, não possuíram grandes ascendentes
religiosos na sua formação primitiva, em vista do senso prático que os
caracterizou nos primeiros tempos de sua organização.
O racionalismo de
suas concepções, a tendência para as ciências positivas e o amor pela
hegemonia e liberdade são, dessa maneira, elucidados dentro da análise dos
seus primórdios. Em matéria de religião, quase todos os seus passos foram
orientados pelos povos semitas e hindus, mas, pelo cultivo da razão,
puderam aperfeiçoar a Ciência até às culminâncias das conquistas modernas.
O mundo, se muitas
vezes perdeu com as suas inquietações e com as suas lutas renovadoras,
muito lhes deve pela colaboração decidida e sincera no labor do
pensamento, em todas as épocas e períodos evolutivos.
AS ADVERTÊNCIAS DO
CRISTO
A sua
confraternização com os terrícolas primários, encontrados no seu caminho,
constitui uma dívida sagrada da Humanidade para os seus labores
planetários.
O Senhor da
semeadura e da seara não lhes desconhece essa sagrada virtude e é por isso
que as exortações de toda natureza são por ele enviadas do Alto, nos
tempos que correm, às nações européias, a fim de que se preservem do
extermínio e da destruição terrestre, arrancando-as do primitivismo para
um elevado nível de aperfeiçoamento nos grandes trabalhos construtivos da
evolução global; se erraram muito, foram igualmente muito sinceras, porque
a sua inquietação era por levantar um novo paraíso para si mesmas e para
os homens terrestres, com cujas famílias fraternizaram-se desde o
princípio. Faltaram-lhes os valores espirituais de uma perfeita base
religiosa, situação essa para a qual concorreram, inegavelmente, na
utilização do livre-arbítrio; mas o Cristo, nas dolorosas transições deste
século, há de amparar-lhes as expressões mais dignas e mais puras,
espiritualmente falando, e, no momento psicológico das grandes
transformações, o fruto de suas atividades fecundas há de ser aproveitado,
como a semente nova, para a civilização do porvir.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |