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A ÍNDIA
Emmanuel
A ORGANIZAÇÃO HINDU
Dos Espíritos
degredados no ambiente da terra, os que se gruparam nas margens do Ganges
foram os primeiros a formar os pródromos de uma sociedade organizada,
cujos núcleos representariam a grande percentagem de ascendentes das
coletividades do porvir.
As organizações
hindus são de origem anterior à própria civilização egípcia e antecederam
de muito os agrupamentos israelitas, de onde sairiam mais tarde
personalidades notáveis, como as de Abraão e Moisés.
As almas exiladas
naquela parte do Oriente muito haviam recebido da misericórdia do Cristo,
de cuja palavra de amor e de cuja figura luminosa guardaram as mais
comovedoras recordações, traduzidas nas belezas dos Vedas e dos Upanishads.
Foram elas as primeiras vozes da filosofia e da religião no mundo
terrestre, como provindo de uma raça de profetas, de mestres e iniciados,
em cujas tradições iam beber a verdade dos homens e os povos do porvir,
salientando-se que também as suas escolas de pensamento guardavam os
mistérios iniciáticos, com as mais sagradas tradições de respeito.
OS ARIANOS PUROS
Era na Índia de
então que se reuniam os arianos puros, entre os quais cultivavam-se
igualmente as lendas de um mundo perdido, no qual o povo hindu colocava as
fontes de sua nobre origem. Alguns acreditavam se tratasse do antigo
continente da Lemúria, arrasado em parte pelas águas dos Oceanos Pacífico
e Índico, e de cujas terras ainda existem porções remanescentes, como a
Austrália.
A realidade, porém,
qual já vimos, é que, como os egípicios, os hindus eram um dos ramos da
massa de proscritos da Capela, exilados no planeta. Deles descendem todos
os povos arianos, que floresceram na Europa e hoje atingem um dos mais
agudos períodos de transição na sua marcha evolutiva. O pensamento moderno
é o descendente legítimo daquela grande raça de pensadores, que se
organizou nas margens do Ganges, desde a aurora dos tempos terrestres,
tanto que todas as línguas das raças brancas guardam as mais estreitas
afinidades com o sânscrito, originário de sua formação e que constituía
uma reminiscência da sua existência pregressa, em outros planos.
O EXPANSIONISMO DOS
ÁRIAS
Muitos séculos antes
de qualquer prenúncio de civilização terrestre, os árias espalharam-se
pelas planícies hindus, dominando os autóctones, descendentes dos
"primatas", que possuíam uma pele escura e deles se distanciavam pelos
mais destacados caracteres físicos e psíquicos. Mais tarde, essa onda
expansionista procurou localizar-se ao longo das terras da futura Europa,
estabalecendo os primeiros fundamentos da civilização ocidental nos
bosques da Grécia, nas costas da Itália e da França, bem como do outro
lado do Reno, onde iam ensaiar seus primeiros passos as forças da
sabedoria germânica.
As balizas da
sociedade dos gregos, dos latinos, dos celtas e dos germanos estavam
lançadas.
Cada corrente da
raça ariana assimilou os elementos encontrados, edificando-se os
primórdios da civilização européia; cada qual se baseou no princípio da
força para o necessário estabelecimento, e, muito cedo, começaram no Velho
Mundo os choques de suas famílias e tribos.
OS MAHATMAS
Da região sagrada do
Ganges partiram todos os elementos irresignados com a situação humilhante
que o degredo da Terra lhes infligia. As arriscadas aventuras forneceriam
uma noção de vida nova e aqueles seres revoltados supunham encontrar o
esquecimento de sua posição nas paisagens renovadas dos caminhos; lá
ficaram apenas, as almas resignadas e crentes nos poderes espirituais que
as conduziriam de novo às magnificências dos seus paraísos perdidos e
distantes.
Os cânticos dos
Vedas são bem uma glorificação da fé e da esperança, em face da Majestade
Suprema do Senhor do Universo. A faculdade de tolerar, e esperar, aflorou
no sentimento coletivo das multidões, que suportaram heroicamente todas as
dores e aguardaram o momento sublime da redenção. Os "mahatmas" criaram um
ambiente de tamanha grandeza espiritual para o seu povo, que, ainda hoje,
nenhum estrangeiro visita a terra sagrada da índia sem de lá trazer as
mais profundas impressões acerca de sua atmosfera psíquica. Eles deixaram
também, ao mundo, as suas mensagens de amor, de esperança e de estoicismo
resignado, salientando-se que quase todos os grandes vultos do passado
humano, progenitores do pensamento contemporâneo, deles aprenderam as
lições mais sublimes.
AS CASTAS
O povo hindu, não
obstante o seu elevado grau de desenvolvimento nas ciências do Espírito,
não aproveitou de modo geral, como devia, o seu acervo de experiências
sagradas.
Seus condutores
conheciam as elevadas finalidades da vida. Lembravam-se vagamente das
promessas do Senhor, anteriores à sua reencarnação para os trabalhos do
penoso degredo. A prova disso é que eles abraçaram todos os grandes
missionários do pretérito, vendo neles os avatares do seu Redentor. Viasa
foi instrumento das lições do Cristo,
seis mil anos antes do Evangelho, cuja epopéia, em seus mínimos detalhes,
foi prevista pelos iniciados hindus, alguns milênios antes da organização
Palestina.
Crisna, Buda
e outros grandes enviados de Jesus ao plano material, para exposição de
suas verdades salvadoras, foram compreendidos pelo grande povo sobre cuja
fronte derramou o Senhor, em todos os tempos, as claridades divinas do seu
amor desvelado e compassivo. Mas, como se a questão fosse determinada por
um doloroso atavismo psíquico, o povo hindu, embora as suas tradições de
espiritualidade, deixou crescer no coração o espinho do orgulho que,
aliás, dera motivo ao seu exílio na Terra.
Em breve, a
organização das castas separava as suas coletividades para sempre. Essas
castas não se constituíam num sentido apenas hierárquico, mas com a
significação de uma superioridade orgulhosa e absoluta. As fortes raízes
de uma vaidade poderosa dividem os espíritos no campo social e religioso.
Os filhos legítimos do país dão-s o nome de árias, designação original de
sua raça primitiva, e o seu sistema religioso, de modo geral, chama-se "Ária-Darma",
que eles afirmam trazer de sua longínqua origem, e em cujo seio não
existem comunidades especiais ou autoridade centralizadora, senão profunda
e maravilhosa liberdade de sentimento.
OS RAJÁS E OS
PARIAS
Na verdade, esses
sistemas avançados de religião e filosofia evocam o fastígio da raça no
seu mundo de origem, de onde foi precipitada ao orbe terreno pelo seu
orgulho desmedido e infeliz.
Os arianos da Índia,
porém, não se compadeceram das raças atrasadas que encontraram em seu
caminho e cuja evolução devia representar para eles um imperativo de
trabalho regenerador na face da Terra; os aborígenes foram considerados
como os parias da sociedade, de cujos membros não podiam aproximar-se sem
graves punições e severos castigos.
Ainda hoje, o
espírito iluminado de Gandhi, que é obrigado a agir na esfera da mais
atenciosa psicologia dos seus irmãos de raça, não conseguiu eliminar esses
absurdos sociais do seio do grande povo de iniciados e profetas. Os parias
são a ralé de todos os seres e são obrigados a dar um sinal de alarme
quando passam por qualquer caminho, a fim de que os venturosos se afastem
do seu contágio maléfico.
A realidade,
contudo, é que os rajás soberanos, ao influxo da misericórdia do Cristo,
voltam às mesmas estradas que transitaram sobre o dorso dos elefantes
ajaezados de pedrarias, como mendigos desventurados, resgatando o
pretérito em avatares de amargas provações expiatórias. Os que humilharam
os infortunados, do alto de seus palácios resplandecentes, volvem aos
mesmos caminhos, cheios de chagas cancerosas, exibindo a sua miséria e a
sua indigência.
E o que é de
admirar-se é que nenhum povo da Terra tem mais conhecimentos, acerca da
reencarnação, do que o hindu, ciente dessa verdade sagrada desde os
primórdios da sua organização neste mundo.
EM FACE DE JESUS
Nos bastidores da
civilização, somos compelidos a reconhecer que a Índia foi a matriz de
todas as filosofias e religiões da Humanidade, inclusive do materialismo,
que lá nasceu na escola dos charvacas.
Um pensamento de
gratidão nos toma o íntimo, examinando a sua grandeza espiritual e as suas
belezas misteriosas, mas, acima dos seus iogues e de seus "mahatmas",
temos de colocar a figura luminosa dAquele que é a luz do mundo, e cuja
vinda à Terra se verificaria para trazer a palma da concórdia e da
fraternidade, para todos os corações e para todos os povos, arrasando as
fronteiras que separam os espíritos e eliminando os laços ferrenhos das
castas sociais, para que o amor das almas substituísse o preconceito de
raça no seu reinado sem-fim.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |