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A
CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA
Emmanuel
OS EGÍPCIOS
Dentre os espíritos
degredados na Terra, os que constituíram a civilização egípcia foram os
que mais se destacavam na prática do Bem e no culto da Verdade.
Aliás, importa
considerar que eram eles os que menos débitos possuíam perante o tribunal
da Justiça Divina. Em razão dos seus elevados patrimônios morais,
guardaram no íntimo uma lembrança mais viva das experiências de sua pátria
distante. Um único desejo os animava, que era trabalhar devotadamente para
regressar, um dia, aos seus penates resplandecentes. Uma saudade
torturante do céu foi a base de todas as suas organizações religiosas. Em
nenhuma civilização da Terra o culto da morte foi tão altamente
desenvolvido. Em todos os corações morava a ansiedade de voltar ao orbe
distante, ao qual se sentiam presos pelos mais santos afetos. Foi por esse
motivo que, representando uma das mais belas e adiantadas civilizações de
todos os tempos, as expressões do antigo Egito desapareceram para sempre
do plano tangível do planeta. Depois de perpetuarem nas Pirâmides os seus
avançados conhecimentos, todos os Espíritos daquela região africana
regressaram à pátria sideral.
A CIÊNCIA SECRETA
Em virtude das
circunstâncias mencionadas, os egípcios traziam consigo uma ciência que a
evolução da época não comportava.
Aqueles grandes
mestres da antiguidade foram então, compelidos a recolher o acervo de suas
tradições e de suas lembranças no ambiente reservado dos templos, mediante
os mais terríveis compromissos dos iniciados nos seus mistérios. Os
conhecimentos profundos ficaram circunscritos ao círculo dos mais
graduados sacerdotes da época, observando-se o máximo cuidado no problema
da iniciação.
A própria Grécia,
que aí buscou a alma de suas concepções cheias de poesia e de beleza,
através da iniciativa dos seus filhos mais eminentes, no passado
longínquo, não recebeu toda a verdade das ciências misteriosas. Tanto é
assim, que as iniciações no Egito se revestiam de experiências terríveis
para o candidato à ciência da vida e da
Os sábios egípcios
conheciam perfeitamente a inoportunidade das grandes revelações
espirituais naquela fase do progresso terrestre; chegando de um mundo de
cujas lutas, na oficina do aperfeiçoamento, haviam guardado as mais vivas
recordações, os sacerdotes mais eminentes conheciam o roteiro que a
Humanidade terrestre teria de realizar. Aí residem os mistérios
iniciáticos e a essencial importância que lhes era atibuída no ambiente
dos sábios daquele tempo.
O POLITEÍSMO
SIMBÓLICO
Nos círculos
esotéricos, onde pontificava a palavra esclarecida dos grandes mestres de
então, sabia-se da existência do Deus Único e Absoluto, Pai de todas as
criaturas e Providência de todos os seres, mas os sacerdotes conheciam,
igualmente, a função dos Espíritos prepostos de Jesus, na execução de
todas as leis físicas e sociais da existência planetária, em virtude das
suas experiências pregressas.
Desse ambiente
reservado de ensinamentos ocultos, partiu, então, a idéia politeísta dos
numerosos deuses, que seriam os senhores da Terra e do Céu, do Homem e da
Natureza.
As massas requeriam
esse politeísmo simbólico, nas grandes festividades exteriores da
religião.
Já os sacerdotes da
época conheciam essa fraqueza das almas jovens, de todos os tempos,
satisfazendo-as com as expressões exotéricas de suas lições sublimadas.
Dessa idéia de
homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais,
classificando-as para o espírito das massas, na categoria dos deuses, é
que nasceu a mitologia da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das
flautas dos pastores, em contacto permanente com a Natureza.
O CULTO DA MORTE E A
METEMPSICOSE
Um dos traços
essenciais desse grande povo foi a preocupação insistente e constante da
Morte. A sua vida era apenas um esforço para bem morrer. Seus papiros e
frescos estão cheios dos consoladores mistérios do além-túmulo.
Era natural. O
grande povo dos faraós guardava a reminiscência do seu doloroso degredo na
face obscura do mundo terreno. E tanto lhe doía semelhante humilhação,
que, na lembrança do pretérito, criou a teoria da metempsicose,
acreditando que a alma de um homem podia regressar ao corpo de um
irracional, por determinação punitiva dos deuses. A metempsicose era o
fruto da sua amarga impressão, a respeito do exílio penoso que lhe fora
infligido no ambiente terrestre.
Inventou-se, desse
modo, uma série de rituais e cerimônias para solenizar o regresso dos seus
irmãos à pátria espiritual.
Os mistérios de Ísis
e Osíris mais não eram que símbolos das forças espirituais que presidem
aos fenômenos da morte.
OS EGÍPCIOS E AS
CIÊNCIAS PISÍQUICAS
As ciências
psíquicas da atualidade eram familiares aos magnos sacerdotes dos templos.
O destino e a
comunicação dos mortos e a pluralidade das existências e dos mundos eram,
para eles, problemas solucionados e conhecidos. O estudo de suas artes
pictóricas positivam a veracidade destas nossas afirmações. Num grande
número de frescos, apresenta-se o homem terrestre acompanhado do seu duplo
espiritual. Os papiros nos falam de suas avançadas ciências nesse sentido,
e, através deles, podem os egiptólogos modernos reconhecer que os
iniciados sabiam da existência do corpo espiritual preexistente, que
organiza o mundo das coisas e das formas. Seus conhecimentos, a respeito
das energias solares com relação ao magnetismo humano, eram muito
superiores aos da atualidade. Desses conhecimentos nasceram os processos
de mumificação dos corpos, cujas fórmulas se perderam na indiferença e na
inquietação dos outros povos.
Seus reis estavam
tocados do mais alto grau de iniciação, enfeixando nas mãos todos os
poderes espirituais e todos os conhecimentos sagrados. É por isso que a
sua desencarnação provocava a concentração mágica de todas as vontades, no
sentido de cercar-lhes o túmulo de veneração e de supremo respeito. Esse
amor não se traduzia, apenas, nos atos solenes da mumificação. Também o
ambiente dos túmulos era santificado por um estranho magnetismo. Os
grandes diretores da raça, eram considerados dignos de toda a paz no
silêncio da morte.
Nessas saturações
magnéticas, que ainda aí estão a desafiar milênios, residem as razões da
tragédia amarga de Lord Carnarvon e de alguns de seus companheiros que
penetraram em primeiro lugar na câmara mortuária de Tut Ankh Amon, e ainda
por isso é que, muitas vezes, nos tempos que correm, os aviadores ingleses
observam o não funcionamento dos aparelhos radiofônicos, quando as suas
máquinas de vôo atravessam a limitada atmosfera do vale sagrado.
AS PIRÂMIDES
A assistência
carinhosa do
Cristo não
desamparou a marcha desse povo cheio de nobreza moral. Enviou-lhe
auxiliares e mensageiros, inspirando-o nas suas realizações, que
atravessaram todos os tempos provocando a admiração e o respeito da
posteridade de todos os séculos.
Aquelas almas
exiladas, que as mais interessantes características espirituais
singularizam, conheceram, em tempo, que o seu degredo na Terra atingia o
fim. Impulsionados pelas forças do Alto, os círculos iniciáticos sugerem a
construção das grandes pirâmides, que ficariam como a sua mensagem eterna
para as futuras civilizações do orbe. Esses grandiosos monumentos teriam
duas finalidades simultâneas: representariam os mais sagrados templos de
estudo e iniciação, ao mesmo tempo que constituiriam, para os pósteros, um
livro do passado, com as mais singulares profecias em face das
obscuridades do porvir.
Levantaram-se,
dessarte, as grandes construções que assombram a engenharia de todos os
tempos. Todavia, não é o colosso de seus milhões de toneladas de pedra nem
o esforço hercúleo do trabalho de sua justaposição o que mais empolga e
impressiona a quantos contemplam esses monumentos. As pirâmides revelam os
mais extraordinários conhecimentos daquele conjunto de Espíritos
estudiosos das verdades da vida. A par desses conhecimentos, encontram-se
ali os roteiros futuros da humanidade terrestre. Cada medida tem a sua
expressão simbólica, relativamente ao sistema cosmogônico do planeta e à
sua posição no sistema solar. Ali está o meridiano ideal, que atravessa
mais continentes e menos oceanos, e através do qual se pode calcular a
extensão das terras habitáveis pelo homem, a distância aproximada entre o
Sol e a Terra, a longitude percorrida pelo globo terrestre sobre a sua
órbita no espaço de um dia, a precessão dos equinócios, bem como muitas
outras conquistas científicas que somente agora vêm sendo consolidadas
pela moderna astronomia.
REDENÇÃO
Depois dessa
edificação extraordinária, os grandes iniciados do Egito voltam ao plano
espiritual, no curso incessante dos séculos.
Com o seu regresso
aos mundos ditosos da Capela, vão desaparecendo os conhecimentos sagrados
dos templos tebanos, que, por sua vez, os receberam dos grandes sacerdotes
de Mênfis.
Aos mistérios de
Ísis e de Osíris, sucedem-se os de Elêusis, naturalmente transformados nas
iniciações da Grécia antiga.
Em algumas centenas
de anos, reuniram-se de novo, nos planos espirituais, os antigos
degredados, com a sagrada bênção do Cristo, seu patrono e salvador. A
maioria regressa, então, ao sistema de Capela, onde os corações se
reconfortam nos sagrados reencontros das suas afeições mais santas e mais
puras, mas grande número desses Espíritos, estudiosos e abnegados,
conservaram-se nas hostes de Jesus, obedecendo aos sagrados imperativos do
sentimento e, ao seu influxo divino, muitas vezes têm reencarnado na
Terra, para desempenho de generosas e abençoadas missões.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |