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AS RAÇAS
ADÂMICAS
Emmanuel
O SISTEMA DE CAPELA
Nos mapas zodiacais,
que os astrônomos terrestres compulsam em seus estudos, observa-se
desenhada uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na
Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico sol entre os astros que nos
são vizinhos, ela, na sua trajetória pelo Infinito, faz-se acompanhar,
igualmente, da sua família de mundos, cantando as glórias divinas do
Ilimitado. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra,
considerando-se, desse modo, a regular distância existente entre a Capela
e o nosso planeta, já que a luz percorre o espaço com a velocidade
aproximada de 300.000 quilômetros por segundo.
Quase todos os
mundos que lhe são dependentes já se purificaram física e moralmente,
examinadas as condições de atraso moral da Terra, onde o homem se
reconforta com as vísceras dos seus irmãos inferiores, como nas eras
pré-históricas de sua existência, marcham uns contra os outros ao som de
hinos guerreiros, desconhecendo os mais comezinhos princípios de
fraternidade e pouco realizando em favor da extinção do egoísmo, da
vaidade, do seu infeliz orgulho.
UM MUNDO EM
TRANSIÇÕES
Há muitos milênios,
um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades com o globo
terrestre, atingira a culminância de um de seus extraordinários ciclos
evolutivos.
As lutas finais de
um longo aperfeiçoamento estavam delineadas, como ora acontece convosco,
relativamente às transições esperadas no século XX, neste crepúsculo de
civilização.
Alguns milhões de
Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando
a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e
virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade,
que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados
trabalhos.
As grandes
comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar
aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra
longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do
seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando,
simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores.
ESPÍRITOS EXILADOS
NA TERRA
Foi assim que Jesus
recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres
sofredores e infelizes.
Com a sua palavra
sábia e compassiva, exortou essas almas desventuradas à edificação da
consciência pelo cumprimento dos deveres de solidariedade e de amor, no
esforço regenerador de si mesmas. Mostrou-lhes os campos imensos de luta
que se desdobravam na Terra, envolvendo-as no halo bendito da sua
misericórdia e da sua caridade sem limites. Abençoou-lhes as lágrimas
santificadoras, fazendo-lhes sentir os sagrados triunfos do futuro e
prometendo-lhes a sua colaboração cotidiana e a sua vinda no porvir.
Aqueles seres
angustiados e aflitos, que deixavam atrás de si todo um mundo de afetos,
não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam
degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na
noite dos milênios da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das
raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos
firmamentos distantes. Por muitos séculos não veriam a suave luz da
Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na
sua imensa misericórdia.
FIXAÇÃO DOS
CARACTERES RACIAIS
Com o auxílio desses
Espíritos degredados, naquelas eras remotíssimas, as falanges do Cristo
operavam ainda as últimas experiências sobre os fluidos renovadores da
vida, aperfeiçoando os caracteres biológicos das raças humanas. A Natureza
ainda era, para os trabalhadores da espiritualidade, um campo vasto de
experiências infinitas; tanto assim que, se as observações do mendelismo
fossem transferidas àqueles milênios distantes, não se encontraria nenhuma
equação definitiva nos seus estudos de biologia. A moderna genética não
poderia fixar, como hoje, as expressões dos "genes", porquanto, no
laboratório das forças invisíveis, as células ainda sofriam longos
processos de acrisolamento, imprimindo-se-lhes elementos de astralidade,
consolidando-se-lhes as expressões definitivas, com vistas às organizações
do porvir.
Se a gênese do
planeta se processara com a cooperação dos milênios, a gênese das raças
humanas requeria a contribuição do tempo, até que se abandonasse a penosa
e longa tarefa de sua fixação.
ORIGEM DAS RAÇAS
BRANCAS
Aquelas almas
aflitas e atormentadas reencarnaram, proporcionalmente, nas regiões mais
importantes, onde se haviam localizado as tribos e famílias primitivas,
descendentes dos "primatas", a que nos referimos ainda a pouco. Com a sua
reencarnação no mundo terreno, estabeleciam-se fatores definitivos na
história etnológica dos seres.
Um grande
acontecimento se verificara no planeta.
É que, com essas
entidades, nasceram no orbe os ascendentes das raças brancas.
Em sua maioria,
estabeleceram-se na Ásia, de onde atravessaram o istmo de Suez para a
África, na região do Egito, encaminhando-se igualmente para a longínqua
Atlântida, de que várias regiões da América guardam assinalados vestígios.
Não obstante as
lições recebidas da palavra sábia e mansa do Cristo, os homens brancos
olvidaram os seus sagrados compromissos.
Grande percentagem
daqueles Espíritos rebeldes, com muitas exceções, só puderam voltar ao
país da luz e da verdade depois de muitos séculos de sofrimentos
expiatórios; outros, porém, infelizes e retrógrados, permanecem ainda na
Terra, nos dias que correm, contrariando a regra geral, em virtude do seu
elevado passivo de débitos clamorosos.
QUATRO GRANDES POVOS
As raças adâmicas
guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa, tecendo o hino sagrado
das reminiscências.
As tradições do
paraíso perdido passaram de gerações a gerações, até que ficassem
arquivadas nas páginas da Bíblia.
Aqueles seres
decaídos e degradados, à maneira de suas vidas passada no mundo distante
da Capela, com o transcurso dos anos reuniram-se em quatro grandes grupos
que se fixaram depois nos povos mais antigos, obedecendo às afinidades
sentimentais e lingüísticas que os associavam na constelação do Cocheiro.
Unidos, novamente, na esteira do tempo, formaram desse modo o grupo dos
árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia.
Dos árias descende a
maioria dos povos brancos da família indo-européia; nessa descendência,
porém, é necessário incluir os latinos, os celtas e os gregos, além dos
germanos e dos eslavos.
As quatro grandes
massas de degredados formaram os pródromos de toda a organização das
civilizações futuras, introduzindo os mais largos benefícios no seio da
raça amarela e da raça negra, que já existiam.
É de grande
interesse o estudo de sua movimentação no curso da história. Através dessa
análise, é possível examinarem-se os defeitos e virtudes que trouxeram do
seu paraíso longínquo, bem como os antagonismos e idiossincrasias
peculiares a cada qual.
AS PROMESSAS DO
CRISTO
Tendo ouvido a
palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no mundo, as raças
adâmicas, nos seus grupos insulados, guardaram a reminiscência das
promessas do Cristo, que, por sua vez, as fortaleceu no seio das massas,
enviando-lhes periodicamente os seus missionários e mensageiros.
Eis porque as
epopéias do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da
vinda do Sublime Emissário.
Os enviados do
Infinito falaram, na China milenária, da celeste figura do Salvador,
muitos séculos antes do advento de Jesus. Os iniciados do Egito
esperavam-no com as suas profecias.Na Pérsia, idealizaram a sua
trajetória, antevendo-lhe os passos nos caminhos do porvir; na Índia
védica, era conhecida quase toda a história evangélica, que o sol dos
milênios futuros iluminaria na região escabrosa da Palestina, e o povo de
Israel, durante muitos séculos, cantou-lhe as glórias divinas, na
exaltação do amor e da resignação, da piedade e do martírio, através da
palavra de seus profetas mais eminentes.
Uma secreta intuição
iluminava o espírito divinatório das massas populares.
Todos os povos O
esperavam em seu seio, acolhedor; todos O queriam, localizando em seus
caminhos a sua expressão sublime e divinizada. Todavia, apesar de surgir
um dia no mundo, como Alegria de todos os tristes e Providência de todos
os infortunados, à sombra do trono de Jessé, o Filho de Deus em todas as
circunstâncias seria o Verbo de Luz e de Amor do Princípio, cuja
genealogia se confunde na poeira dos sóis que rolam no infinito. (*)
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(*) Entre as
considerações acima e as do capítulo precedente, devemos ponderar o
interstício de muitos séculos. Aliás, no que se refere à historicidade das
raças adâmicas, será justo meditarmos atentamente no problema da fixação
dos caracteres raciais. Apresentando o meu pensamento humilde, procurei
demonstrar as largas experiências que os operários do Invisível levaram a
efeito, sobre os complexos celulares, chegando a dizer da impossibilidade
de qualquer cogitação mendelista nessa época da evolução planetária. Aos
prepostos de Jesus foi necessária grande soma de tempo, no sentido de
fixar o tipo humano.
Assim, pois,
referindo-nos ao degredo dos emigrantes da Capela, devemos esclarecer que,
nessa ocasião, já o primata hominis se encontrava arregimentado em tribos
numerosas. Depois de grandes experiências, foi que as migrações do Pamir
se espalharam pelo orbe, obedecendo a sagrados roteiros, delineados nas
Alturas.
Quanto ao fato de se
verificar a reencarnação de Espíritos tão avançados em conhecimentos, em
corpos de raças primigênias, não deve causar repugnância ao entendimento.
Lembremo-nos de que um metal puro, como o ouro, por exemplo, não se
modifica pela circunstância de se apresentar em vaso imundo, ou disforme.
Toda oportunidade de realização do bem é sagrada. Quanto ao mais, que
fazer com o trabalhador desatento que estraçalha no mal todos os
instrumentos perfeitos que lhe são confiados? Seu direito, aos aparelhos
mais preciosos, sofrerá solução de continuidade. A educação generosa e
justa ordenará a localização de seus esforços em maquinaria imperfeita,
até que saiba valorizar as preciosidades em mão. A todo tempo, a máquina
deve estar de acordo com as disposições do operário, para que o dever
cumprido seja caminho aberto a direitos novos.
Entre as raças negra
e amarela, bem como entre os grandes agrupamentos primitivos da Lemúria,
da Atlântida e de outras regiões que ficaram imprecisas no acervo de
conhecimentos dos povos, os exilados da
trabalharam
proficuamente, adquirindo a provisão de amor para suas consciências
ressequidas. Como vemos, não houve retrocesso, mas providência justa de
administração, segundo os méritos de cada qual, no terreno do trabalho e
do sofrimento para a redenção.
? (Nota de
Emmanuel.)
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |