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A VIDA
ORGANIZADA
Emmanuel
AS CONSTRUÇÕES
CELULARES
Sob a orientação
misericordiosa e sábia do Cristo, laboravam na Terra numerosas assembléias
de operários espirituais.
Como a engenharia
moderna, que constrói um edifício prevendo os menores requisitos de sua
finalidade, os artistas da espiritualidade edificavam o mundo das células
iniciando, nos dias primevos, a construção das formas organizadas e
inteligentes dos séculos porvindouros.
O ideal da beleza
foi a sua preocupação dos primeiros momentos, no que se referia às
edificações celulares das origens.
É por isso que, em
todos os tempos, a beleza, junto à ordem, constituiu um dos traços
indeléveis de toda a criação.
As formas de todos
os reinos da natureza terrestre foram estudadas e previstas. Os fluidos da
vida foram manipulados de modo a se adaptarem às condições físicas do
planeta, encenando-se as construções celulares segundo as possibilidades
do ambiente terrestre, tudo obedecendo a um plano preestabelecido pela
misericordiosa sabedoria do Cristo,
consideradas as leis do princípio e do desenvolvimento geral.
OS PRIMEIROS
HABITANTES DA TERRA
Dizíamos que uma
camada de matéria gelatinosa envolvera o orbe terreno em seus mais íntimos
contornos. Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das
sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do
globo terrestre, e, se essa matéria, sem forma definida, cobria a crosta
solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava origem ao
surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres
vivos.
Os primeiros
habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminóides, as
amebas e todas as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se
multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos.
Com o escoar
incessante do tempo, esses seres primordiais se movem ao longo das águas,
onde encontram o oxigênio necessário ao entretenimento da vida, elemento
que a terra firme não possuía ainda em proporções de manter a existência
animal, antes das grandes vegetações; esses seres rudimentares somente
revelam um sentido ? o do tato, que deu origem a todos os outros, em
função de aperfeiçoamento dos organismos superiores.
A ELABORAÇÃO
PACIENTE DAS FORMAS
Decorrido muito
tempo, eis que as amebas primitivas se associam para a vida celular em
comum, formando-se as colônias de infusórios, de polipeiros, em obediência
aos planos da construção definitiva do porvir, emanados do mundo
espiritual onde todo o progresso da Terra tem a sua gênese.
Os reinos vegetal e
animal parecem confundidos nas profundidades oceânicas. Não existem formas
definidas nem expressão individual nessas sociedades de infusórios; mas,
desses conjuntos singulares, formam-se ensaios de vida que já apresentam
caracteres e rudimentos dos organismos superiores.
Milhares de anos
foram precisos aos operários de Jesus, nos serviços da elaboração paciente
das formas.
A princípio,
coordenam os elementos da nutrição e da conservação da existência. O
coração e os brônquios são conquistados e, após eles, formam-se os
pródromos celulares do sistema nervoso e dos órgãos da procriação, que se
aperfeiçoam, definindo-se nos seres.
AS FORMAS
INTERMEDIÁRIAS DA NATUREZA
A atmosfera está
ainda saturada de umidade e vapores, e a terra sólida está coberta de lodo
e pântanos inimagináveis.
Todavia, as
derradeiras convulsões interiores do orbe localizam os calores centrais do
planeta, restringindo a zona das influências telúricas necessárias à
manutenção da vida animal.
Esses fenômenos
geológicos estabelecem os contornos geográficos do globo, delineando os
continentes e fixando a posição dos oceanos, surgindo, desse modo, as
grandes extensões de terra firme, aptas a receber as sementes prolíficas
da vida.
Os primeiros
crustáceos terrestres são um prolongamento dos crustáceos marinhos.
Seguindo-lhes as pegadas, aparecem os batráquios, que trocam as águas
pelas regiões lodosas e firmes.
Nessa fase evolutiva
do planeta, todo o globo se veste de vegetação luxuriante, prodigiosa, de
cujas florestas opulentas e desmesuradas as minas carboníferas dos tempos
modernos são os petrificados vestígios.
OS ENSAIOS
ASSOMBROSOS
Nessa altura, os
artistas da criação inauguram novos períodos evolutivos, no plano das
formas.
A natureza torna-se
uma grande oficina de ensaios monstruosos. Após os répteis, surgem os
animais horrendos das eras primitivas.
Os trabalhadores do Cristo,
como os alquimistas que estudam as combinações das substâncias, na retorta
de acuradas observações, analisavam, igualmente, a combinação prodigiosa
dos complexos celulares, cuja formação eles próprios haviam delineado,
executando, com as suas experiências, uma justa aferição de valores,
prevendo todas as possibilidades e necessidades do porvir.
Todas as arestas
foram eliminadas. Aplainaram-se dificuldades e realizaram-se novas
conquistas. A máquina celular foi aperfeiçoada, no limite do possível, em
face das leis físicas do globo. Os tipos adequados à Terra foram
consumados em todos os reinos da Natureza, eliminando-se os frutos
teratológicos e estranhos, do laboratório de suas perseverantes
experiências. A prova da intervenção das forças espirituais, nesse vasto
campo de operações, é que, enquanto o escorpião, gêmeo dos crustáceos
marinhos, conserva até hoje, de modo geral, a forma primitiva, os animais
monstruosos das épocas remotas, que lhe foram posteriores, desapareceram
para sempre da fauna terrestre, guardando os museus do mundo as
interessantes reminiscências de suas formas atormentadas.
OS ANTEPASSADOS DO
HOMEM
O reino animal
experimenta as mais estranhas transições no período terciário, sob as
influências do meio e em face dos imperativos da lei de seleção.
Mas, o nosso
raciocínio ansioso procura os legítimos antepassados das criaturas
humanas, nessa imensa vastidão do proscênio da evolução anímica.
Onde está Adão com a
sua queda do paraíso? Debalde nossos olhos procuram, aflitos, essas
figuras legendárias, com o propósito de localizá-las no Espaço e no Tempo.
Compreendemos, afinal, que Adão e Eva constituem uma lembrança dos
Espíritos degredados na paisagem obscura da Terra, como Caim e Abel são
dois símbolos para a personalidade das criaturas.
Examinada, porém, a
questão nos seus prismas reais, vamos encontrar os primeiros antepassados
do homem sofrendo os processos de aperfeiçoamento da Natureza. No período
terciário a que nos reportamos, sob a orientação das esferas espirituais
notavam-se algumas raças antropóides, no Plioceno inferior. Esses
antropóides, antepassados do homem terrestre, e os ascendentes dos símios
que ainda existem no mundo, tiveram a sua evolução em pontos convergentes,
e daí os parentescos sorológicos entre o organismo do homem moderno e o do
chimpanzé da atualidade.
Reportando-nos,
todavia, aos eminentes naturalistas dos últimos tempos, que examinaram
meticulosamente os transcendentes assuntos do evolucionismo, somos
compelidos a esclarecer que não houve propriamente uma "descida da
árvore", no início da evolução humana.
As forças
espirituais que dirigem os fenômenos terrestres, sob a orientação do
Cristo, estabeleceram, na época da grande maleabilidade dos elementos
materiais, uma linhagem definitiva para todas as espécies, dentro das
quais o princípio espiritual encontraria o processo de seu acrisolamento,
em marcha para a racionalidade.
Os peixes, os
répteis, os mamíferos, tiveram suas linhagens fixas de desenvolvimento e o
homem não escaparia a essa regra geral.
A GRANDE TRANSIÇÃO
Os antropóides das
cavernas espalharam-se, então, aos grupos, pela superfície do globo, no
curso vagaroso dos séculos, sofrendo as influências do meio e formando os
pródromos das raças futuras em seus tipos diversificados; a realidade,
porém, é que as entidades espirituais auxiliaram o homem do sílex,
imprimindo-lhes novas expressões biológicas. Extraordinárias experiências
foram realizadas pelos mensageiros do invisível. As pesquisas recentes da
Ciência sobre o tipo de Neanderthal, reconhecendo nele uma espécie de
homem bestializado, e outras descobertas interessantes da Paleontologia,
quanto ao homem fóssil, são um atestado dos experimentos biológicos a que
procederam os prepostos de Jesus, até fixarem no "primata" os
característicos aproximados do homem futuro.
Os séculos correram
o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessas criaturas de
braços alongados e de pelos densos, até que um dia as hostes do invisível
operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual preexistente, dos
homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas
reencarnações.
Surgem os primeiros
selvagens de compleição melhorada, tendendo à elegância dos tempos do
porvir.
Uma transformação
visceral verificara-se na estrutura dos antepassados das raças humanas.
Como poderia
operar-se semelhante transição? Perguntará o vosso critério científico.
Muito naturalmente.
Também as crianças
têm os defeitos da infância corrigidos pelos pais, que as preparam em face
da vida, sem que, na maioridade, elas se lembrem disso.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |