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INTRODUÇÃO
Emmanuel
Enquanto as penosas
transições do século XX se anunciam ao tinido sinistro das armas, as
forças espirituais se reúnem para as grandes reconstruções do porvir.
Aproxima-se o
momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestre para o
ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo, e natural é que
recordemos o ascendente místico de todas as civilizações que surgiram e
desapareceram, evocando os grandes períodos evolutivos da Humanidade, com
as suas misérias e com os seus esplendores, para afirmar as realidades
espirituais acima de todos os fenômenos transitórios da matéria.
Esse esforço de
síntese será o da fé reclamando a sua posição em face da ciência dos
homens, e ante as religiões da separatividade, como a bússola da
verdadeira sabedoria.
Diante dos nossos
olhos de espírito passam os fantasmas das civilizações mortas, como se
permanecêssemos diante de um "écran" maravilhoso. As almas mudam a
indumentária carnal, no curso incessante dos séculos; constroem o edifício
milenário da evolução humana com as suas lágrimas e sofrimentos, e até
nossos ouvidos chegam os ecos dolorosos de suas aflições. Passam as
primeiras organizações do homem e passam as suas grandes cidades,
transformadas em ossuários silenciosos. O tempo, como patrimônio divino do
espírito, renova as inquietações e angústias de cada século, no sentido de
aclarar o caminho das experiências humanas. Passam as raças e as gerações,
as línguas e os povos, os países e as fronteiras, as ciências e as
religiões. Um sopro divino faz movimentar todas as coisas nesse torvelinho
maravilhoso. Estabelece-se, então, a ordem equilibrando todos os fenômenos
e movimentos do edifício planetário, vitalizando os laços eternos que
reúnem a sua grande família.
Vê-se, então, o fio
inquebrantável que sustenta os séculos das experiências terrestres,
reunindo-as, harmoniosamente, umas às outras, a fim de que constituam o
tesouro imortal da alma humana em sua gloriosa ascensão para o
Infinito.
As raças são
substituídas pelas almas e as gerações constituem fases do seu aprendizado
e aproveitamento; as línguas são formas de expressão, caminhando para a
expressão única da fraternidade e do amor, e os povos são os membros
dispersos de uma grande família trabalhando para o estabelecimento
definitivo de sua comunidade universal. Seus filhos mais eminentes, no
plano dos valores espirituais, são agraciados pela Justiça Suprema, que
legisla no Alto para todos os mundos do Universo, e podem visitar as
outras pátrias siderais, regressando ao orbe, no esforço abençoado de
missões regeneradoras dentro das igrejas e das academias terrenas.
Na tela mágica dos
nossos estudos, destacam-se esses missionários que o mundo muitas vezes
crucificou na incompreensão das almas vulgares, mas, em tudo e sobre
todos, irradia-se a luz desse fio de espiritualidade que diviniza a
matéria, encadeando o trabalho das civilizações, e, mais acima, ofuscando
o "écran" das nossas observações e dos nossos estudos, vemos a fonte de
extraordinária luz, de onde parte o primeiro ponto geométrico desse fio de
vida e de harmonia, que equilibra e satura toda a Terra numa apoteose de
movimento e divinas claridades.
Nossos pobres olhos
não podem divisar particularidades nesse deslumbramento, mas sabemos que o
fio da luz e da vida está nas suas mãos. É Ele quem sustenta todos os
elementos ativos e passivos da existência planetária. No seu coração
augusto e misericordioso está o Verbo do princípio. Um sopro de sua
vontade pode renovar todas as coisas, e um gesto seu pode transformar a
fisionomia de todos os horizontes terrestres.
Passaram as gerações
de todos os tempos, com as suas inquietações e angústias. As guerras
ensangüentaram o roteiro dos povos nas suas peregrinações incessantes para
o conhecimento superior. Caíram os tronos dos reis e esfacelaram-se coroas
milenárias. Os príncipes do mundo voltaram ao teatro de sua vaidade
orgulhosa, no indumento humilde dos escravos, e, em vão, os ditadores
conclamaram, e conclamam ainda, os povos da Terra, para o morticínio e
para a destruição.
O determinismo do
amor e do bem é a lei de todo o Universo e a alma humana emerge de todas
as catástrofes em busca de uma vida melhor.
Só Jesus não passou,
na caminhada dolorosa das raças, objetivando a dilaceração de todas as
fronteiras para o amplexo universal. Ele é a luz do princípio e nas suas
mãos misericordiosas repousam os destinos do mundo. Seu coração magnânimo
é a fonte da vida para toda a Humanidade terrestre. Sua mensagem de amor,
no Evangelho, é a eterna palavra da ressurreição e da justiça, da
fraternidade e da misericórdia. Todas as coisas humanas passaram, todas as
coisas humanas se modificarão. Ele, porém, é a Luz de todas as vidas
terrestres, inacessível ao tempo e à destruição.
Enquanto falamos da
missão do século XX, contemplando os ditadores da atualidade, que se
arvoram em verdugos das multidões, cumpre-nos voltar os olhos súplices
para a infinita misericórdia do Senhor, implorando-lhe a paz e amor para
todos os corações.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |