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RENASCENÇA NO MUNDO
Emmanuel
MOVIMENTOS REGENERADORES
Nos albores do século XV, quando a idade
medieval estava prestes a extinguir-se, grandes assembléias espirituais se
reúnem nas proximidades do planeta, orientando os movimentos renovadores
que, em virtude das determinações do Cristo, deveriam encaminhar o mundo
para uma nova era.
Todo esse esforço de regeneração efetuava-se
sob o seu olhar misericordioso e compassivo, derramando sua luz em todos
os corações.Mensageiros devotados reencarnam no orbe, para desempenho de
missões carinhosas e redentoras. Na Península Ibérica, sob a orientação da
personalidade de Henrique de Sagres, incumbido de grandes e proveitosas
realizações, fundam-se escolas de navegadores que se fazem ao grande
oceano, em busca de terras desconhecidas. Numerosos precursores da Reforma
surgem por toda a parte, combatendo os abusos de natureza religiosa.
Antigos mestres de Atenas reencarnaram na Itália, espalhando nos
departamentos da pintura e da escultura as mais belas jóias do gênio e do
sentimento. A Inglaterra e a França preparam-se para a grande missão
democrática que o Cristo lhes conferira. O comércio se desloca das águas
estreitas do Mediterrâneo para as grandes correntes do Atlântico,
procurando as estradas esquecidas para o Oriente. Jesus dirige essa
renascença de todas as atividades humanas, definindo a posição dos vários
países europeus, e investindo cada qual com determinada responsabilidade
na estrutura da evolução coletiva do planeta. Para facilitar a obra
extraordinária dessa imensa tarefa de renovação, os auxiliares do Divino
Mestre conseguem ambientar na Europa antigas invenções e utilidades do
Oriente, como a bússola para as experiências marítimas e o papel para a
divulgação do pensamento.
MISSÃO DA AMÉRICA
O Cristo localiza, então, na América as suas
fecundas esperanças. O século XVI alvorece com a descoberta do novo
continente, sem que os europeus, de modo geral, compreendessem, na época,
a importância de semelhante acontecimento. As riquezas fabulosas da Índia
deslumbram o espírito aventureiro daquele tempo, e as testas coroadas do
Velho Mundo não entenderam a significação moral do continente americano.
Os operários de Jesus, porém, abstraídos da
crítica ou do aplauso do mundo, cumprem os seus grandes deveres no âmbito
das novas terras. Sob a determinação superior, organizam as linhas
evolutivas das nacionalidades que aí teriam de florescer no porvir. Nesse
campo de lutas novas e regeneradoras, todos os espíritos de boa-vontade
poderiam trabalhar pelo advento da paz e da fraternidade do futuro humano,
e foi por isso que, laborando para os séculos porvindouros, definiram o
papel de cada região no continente, localizando o cérebro da nova
civilização no ponto onde hoje se alinham os Estados Unidos da América do
Norte, e o seu coração nas extensões da terra farta e acolhedora onde
floresce o Brasil, na América do Sul. Os primeiros guardam os poderes
materiais; o segundo detém as primícias dos poderes espirituais,
destinadas à civilização planetária do futuro.
O PLANO INVISÍVEL E A COLONIZAÇÃO DO NOVO
MUNDO
Após a descoberta da América, grande esforço
de seleção espiritual foi levado a efeito no seio das lutas européias, no
intuito de criar no Novo Mundo um outro sentido de evolução.
Se os colonizadores da região americana, nos
primeiros tempos, eram os degredados ou os proscritos das sociedades
européias, importa considerar que esses colonos não vinham tão -somente
das grandes capitais do antigo continente, na exclusiva observância do
plano material. Do mundo invisível, igualmente, partiram caravanas
inúmeras de almas de boa-vontade, que encarnaram nas terras novas, como
filhos daqueles degredados muitas vezes perseguidos pela iniqüidade da
justiça dos homens. A esses Espíritos mais ou menos adiantados, aliaram-se
numerosas entidades da Europa, cansadas das lutas inglórias de hegemonia e
de ambição, buscando a redenção no esforço construtivo de uma nova pátria
em bases sólidas de fraternidade e amor, originando-se, desse modo, entre
os povos americanos, sentimentos mais elevados, quanto à compreensão da
comunidade continental. Se reconhecemos na América a projeção espiritual
da Europa, temos de convir que se trata de uma Europa mais sábia e mais
experiente, não só quanto aos problemas da concórdia internacional e da
solidariedade humana, como também em todas as questões que significam os
verdadeiros bens da vida.
APOGEU DA RENASCENÇA
Essa renascença, iniciada do Alto, clareou a
Terra em todas as direções.
A invenção da imprensa facultava o mais alto
progresso no mundo das idéias, criando as mais belas expressões de vida
intelectual. A literatura apresenta uma vida nova e as artes atingem
culminâncias que a posteridade não poderia alcançar. Numerosos artífices
da Grécia antiga, reencarnados na Itália, deixam traços indeléveis da sua
passagem, nos mármores preciosos. Há mesmo, em todos os departamentos das
atividades artísticas, um pronunciado sabor da vida grega, anterior às
disciplinas austeras do Catolicismo na idade medieval, cujas regras,
aliás, atingiam rigorosamente apenas quem não fosse parte integrante do
quadro das autoridades eclesiásticas.
RENASCENÇA RELIGIOSA
A essas atividades reformadoras não poderia
escapar a Igreja, desviada do caminho cristão. O plano invisível
determina, assim, a vinda ao mundo de numerosos missionários com o
objetivo de levar a efeito a renascença da religião, de maneira a
regenerar os seus relaxados centros de força. Assim, no século XVI,
aparecem as figuras veneráveis de Lutero, Calvino, Erasmo, Melanchton e
outros vultos notáveis da Reforma, na Europa Central e nos Países Baixos.
Por ocasião dos primeiros protestos contra o
fausto desmedido dos príncipes da Igreja, ocupava a cadeira pontifícia
Leão X, cuja vida mundana impressionava desagradavelmente os espíritos
sinceramente religiosos. Sob a sua direção criara-se, em 1518, o célebre
"Livro das Taxas da Sagrada Chancelaria e da Sagrada Penitenciaria
Apostólica", onde se encontrava estipulado o preço de absolvição para
todos os pecados, para todos os adultérios, inclusive os crimes mais
hediondos. Tais rebaixamentos da dignidade eclesiástica ambientaram as
pregações de Lutero e seus companheiros de apostolado. De nada valeram as
perseguições e ameaças ao eminente frade agostiniano. Alguns historiadores
enxergaram na sua missão uma simples expressão de despeito dos seus
companheiros de comunidade, em face da preferência de Leão X encarregando
os Dominicanos da pregação das indulgências. A verdade, contudo, é que o
humilde filho de Eisleben tornara-se órgão da repulsa geral aos abusos da
Igreja, no capítulo da imposição dogmática e da extorsão pecuniária. Os
postulados de Lutero constituíram, antes de tudo, modalidade de combate
aos absurdos romanos, sem representarem o caminho ideal para as verdades
religiosas. Ao extremismo do abuso, respondia com o extremismo da
intolerância, prejudicando a sua própria doutrina. Mas o seu esforço se
coroou de notável importância para os caminhos do porvir.
A COMPANHIA DE JESUS
Uma onda de claridades novas felicitava
todas as consciências, mas os Espíritos tenebrosos e pervertidos, que
mostraram ao europeu outras aplicações da pólvora, além daquelas que os
chineses haviam enxergado na beleza dos fogos de artifício, inspiraram ao
cérebro obcecado e doentio de Inácio de Loiola a fundação do jesuitismo,
em 1534, colimando reprimir a liberdade das consciências.
A Igreja, estendendo mão forte a essa idéia,
inaugurava um dos períodos mais tristes da história ocidental. O Tribunal
da Inquisição, com poderes de vida e morte nos países católicos, fez
milhares e milhares de vítimas, ensombrando o caminho dos povos.
Espetáculos sangrentos e detestáveis verificaram-se em quase todas as
grandes cidades da Europa, os autos-de-fé acenderam horrendas fogueiras do
Santo-Ofício, por toda parte onde existissem cérebros que pensassem e
corações que sentissem. Instituiu-se a devassa de todos os institutos
sociais e a violação de todos os lares. Na Espanha, queimavam o infeliz na
praça pública; na França, tétrica noite causava pesadelos coletivos em
matéria de fé; na Irlanda, muitos "fiéis" faziam questão de levar ao altar
de Jesus a vela feita da gordura dos protestantes.
AÇÃO DO JESUITISMO
A Companhia de Jesus, de nefasta memória,
não procurava conhecer os meios, para cogitar tão-somente dos fins imorais
a que se propunha.
Sua ação desdobrou-se por largos anos de
treva, nos domínios da civilização ocidental, contribuindo amplamente para
o atraso moral em que se encontra o "homem científico" dos tempos
modernos.
Suas hordas de predomínio, de cupidez e de
ambição não martirizaram apenas o mundo secular. Também os padres sinceros
sofreram largamente sob a sua preponderância nefasta. Tanto assim que,
quando o papa Clemente XIV tentou extingui-la, em 1773, com o seu breve
"Dominus ac Redemptor", exclamava desolado: - "Assino minha sentença de
morte, mas obedeço à minha consciência." Com efeito, em setembro de 1774,
o grande pontífice entregava a alma a Deus, no meio dos mais horrorosos
padecimentos, vitimado por um veneno letal que lhe apodreceu lentamente o
corpo.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |