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A IDADE MEDIEVAL
Emmanuel
OS MENSAGEIROS DE JESUS
Em todo o século VI, de conformidade com as
deliberações efetuadas no plano invisível, aparecem grandes vultos de
sabedoria e bondade, contrastando a vaidade orgulhosa dos bispos
católicos, que em vez de herdarem os tesouros de humildade e amor do
Crucificado, reclamaram para si a vida suntuosa, as honrarias e
prerrogativas dos imperadores. Os chefes eclesiásticos, guindados à mais
alta preponderância política, não se lembravam da pobreza e da
simplicidade apostólicas, nem das palavras do Messias, que afirmara não
ser o seu reino ainda deste mundo.
Todavia, nesse pantanal de ambições
floresciam, igualmente, os lírios da misericórdia de Jesus, em sublimadas
realizações de sacrifício e bondade. Espíritos heróicos e missionários,
cuja maioria não se incorporou aos nomes da galeria histórica terrestre,
exerceram a função de novos sacerdotes da idéia sagrada do Cristianismo,
conservando-lhe o fogo divino para as futuras gerações do planeta.
Subordinados, embora, à disciplina da Igreja romana, eles ouviam, no ádito
do coração, a palavra eterna e suave do Divino Jardineiro e sabiam, por
isso, que a sua missão era a da renúncia, do sacrifício e da humildade.
Roma podia negociar os títulos eclesiásticos com a política do mundo e
estabelecer a simonia nos templos sagrados, esquecendo os mais severos
compromissos; eles, porém, nas suas túnicas rotas, atravessariam o mundo
alentando a palavra as promessas evangélicas, edificariam pousos de
silêncio e de misericórdia, onde guardassem as tradições escritas da
cultura sagrada, para os dias do porvir.
Desses exércitos de abnegados que se
organizaram com Jesus e por Jesus, no seio da Igreja, somos levados a
destacar os missionários beneditinos, cujo esforço amoroso e paciente
conduziu grande número de coletividades dos povos considerados bárbaros,
principalmente os germanos, para o seio generoso das idéias do
Cristianismo.
O IMPÉRIO BIZANTINO
Depois da morte do imperador Teodósio, eis
que o mundo conhecido se reparte em dois impérios - o do Ocidente e o do
Oriente - divididos entre os seus dois filhos, Honório e Arcádio. Com o
assalto dos hérulos, em 476 desaparece o império ocidental e com ele, para
sempre, os resquícios da integridade do Império Romano, instalando-se
depois, em 493, o reino ostrogodo na Itália, tendo Ravena por capital.
Constantinopla é então a sucessora legítima
da grande cidade imperial. O império bizantino era o depositário da
legislação e dos costumes romanos. Um poderoso sopro de latinidade
vitaliza as suas instituições. Debalde, porém, as expressões romanas
buscam um refúgio nas outras terras, com o objetivo de uma perpetuação.
Homens enérgicos, como Justiniano, não conseguem salvá-las. Forças ocultas
e poderosas estavam incumbidas de sua visceral renovação, e, não obstante
sua resistência milenar, o império bizantino, herdeiro dos Césares, ia
cair exânime, em 1453, ao assalto de Maomet II.
O ISLAMISMO
Antes da fundação do Papado, em 607, as
forças espirituais se viram compelidas a um grande esforço no combate
contra as sombras que ameaçavam todas as consciências. Muitos emissários
do Alto tomam corpo entre as falanges católicas no intuito de regenerar os
costumes da Igreja. Embalde, porém, tentam operar o retorno de Roma aos
braços do Cristo, conseguindo apenas desenvolver o máximo de seus esforços
no penoso trabalho de arquivar experiências para as gerações vindouras.
Numerosos Espíritos reencarnam com as mais
altas delegações do ano invisível. Entre esses missionários, veio aquele
que se chamou Maomet, ao nascer em Meca no ano 570. Filho da tribo dos
Coraixitas, sua missão era reunir todas as tribos árabes sob a luz dos
ensinos cristãos, de modo a organizar-se na Ásia um movimento forte de
restauração do Evangelho do Cristo, em oposição aos abusos romanos, nos
ambientes da Europa. Maomet, contudo, pobre e humilde no começo de sua
vida, que deveria ser de sacrifício e exemplificação, torna-se rico após o
casamento com Khadidja e não resiste ao assédio dos Espíritos da Sombra,
traindo nobres obrigações espirituais com as suas fraquezas. Dotado de
grandes faculdades mediúnicas inerentes ao desempenho dos seus
compromissos, muitas vezes foi aconselhado por seus mentores do Alto, nos
grandes lances da sua existência, mas não conseguiu triunfar das
inferioridades humanas. É por essa razão que o missionário do Islã deixa
entrever, nos seus ensinos, flagrantes contradições. A par do perfume
cristão que se evola de muitas das suas lições, há um espírito belicoso,
de violência e de imposição; junto da doutrina fatalista encerrada no
Alcorão, existe a doutrina da responsabilidade individual, divisando-se
através de tudo isso uma imaginação superexcitada pelas forças do bem e do
mal, num cérebro transviado do seu verdadeiro caminho. Por essa razão o
Islamismo, que poderia representar um grande movimento de restauração do
ensino de Jesus, corrigindo os desvios do Papado nascente, assinalou mais
uma vitória das Trevas contra a Luz e cujas raízes era necessário
extirpar.
AS GUERRAS DO ISLÃ
Maomet, nas recordações do dever que o
trazia à Terra, lembrando os trabalhos que lhe competiam na Ásia, a fim de
regenerar a Igreja para Jesus, vulgarizou a palavra "infiel", entre as
várias famílias do seu povo, designando assim os árabes que lhe, eram
insubmissos, quando a expressão se aplicava, perfeitamente, aos sacerdotes
transviados do Cristianismo. Com o seu regresso ao plano espiritual, toda
a Arábia estava submetida à sua doutrina, pela força da espada; e todavia
os seus continuadores não se deram por satisfeitos com semelhantes
conquistas. Iniciaram no exterior as guerras santas", subjugando toda a
África setentrional, no fim do século VII. Nos primeiros anos do século
imediato, atravessaram o estreito de Gibraltar, estabelecendo-se na
Espanha, em vista da escassa resistência dos visigodos atormentados pela
separação, e somente não seguiram caminho além dos Pirineus porque o plano
espiritual assinalara um limite às suas operações, encaminhando Carlos
Martel para as vitórias de 732.
CARLOS MAGNO
É depois dessa época que Jesus permite a
reencarnação de um dos mais nobres imperadores romanos, ansioso de
auxiliar o espírito europeu na sua amargurada decadência. Essa entidade
renasceu, então, sob o nome de Carlos Magno, o verdadeiro reorganizador
dos elementos dispersos para a fundação do mundo ocidental. Quase
analfabeto, criou as mais vastas tradições de energia e de bondade, com a
superioridade que lhe caracterizava o espírito equilibrado e altamente
evolvido. Num reinado de 46 anos consecutivos, Carlos Magno intensificou a
cultura, corrigiu defeitos administrativos que imperavam entre os povos
desorganizados da Europa, deixando as mais belas perspectivas para a
latinidade.
Sabe Jesus quanto de lágrimas lhe custou o
cumprimento de uma tarefa dessa natureza, cujo desempenho exigia as mais
altas qualidades de cérebro e coração. Mas, antecipando as doces comoções
que o aguardavam no plano espiritual, numerosos amigos invisíveis, que com
ele haviam caminhado na Roma do direito e do dever, cercam-lhe a
personalidade na noite do Natal do ano 800, quando o seu pensamento em
prece se elevava a Jesus, na basílica de São Pedro. Uma onda de vibrações
harmoniosas invade o ambiente suntuoso, pouco propício às demonstrações da
verdadeira espiritualidade. Leão III, o papa reinante, sente-se tocado de
incompreensível arrebatamento espiritual, e, aproximando-se do grande
batalhador do bem, cinge-lhe a fronte com uma coroa de ouro, enquanto a
multidão designa-o, em vozes comovidas e entusiásticas, como "imperador
dos romanos".
Carlos Magno sente que aquela cidade era
também dele. Parece-lhe voltar ao passado longínquo, contemplando a Roma
do pretérito, cheia de dignidade e de virtude. Seu coração derrama
lágrimas, como Jeremias sobre a Jerusalém das suas dores, agradecendo a
Jesus os favores divinos.
Decorridos alguns anos sobre esse
acontecimento, o grande imperador busca de novo as claridades do Além,
para reconhecer que o seu esforço caía sobre as almas qual uma bênção, mas
o império por ele organizado teria escassa duração.
O FEUDALISMO
Depois das nobres conquistas atenienses em
matéria de política administrativa, depois das grandes jornadas do direito
romano à face do mundo, custa-se a entender o porque do feudalismo, que se
estendeu pela Europa, desde o século VIII até o século XII, figurando-se
ao estudioso da História um como retrocesso de toda a civilização.
Toda a unidade política desaparece nesses
tempos de luzidas lembranças para a Humanidade. A propriedade individual
jamais alcançou tamanha importância e nunca a servidão moral ganhou tão
forte impulso. Com semelhante regime, as lutas fratricidas tiveram campo
largo no território europeu, disputando-se uma hegemonia que jamais
chegava na equação dos movimentos bélicos. Somente as poucas qualidades
cristãs da Igreja Católica conseguiram atenuar o caráter nefasto dessa
situação, instituindo-se as chamadas "tréguas de Deus", obrigando os
guerreiros ao repouso em determinados dias da semana, com o objetivo de
comemorar as passagens da vida de Jesus - Cristo e defendendo-se a paz com
a periódica cessação das hostilidades.
RAZÕES DO FEUDALISMO
Esse regime, todavia, é facilmente
explicável.
A missão de Carlos Magno houvera sido
organizada pelo plano invisível como uma das mais vastas tentativas de
reorganização do império do Ocidente, mas, observando-se a inutilidade do
tentame, em virtude do endurecimento da maioria dos corações, as
autoridades espirituais, sob a égide do Cristo, renovaram os processos
educativos do mundo europeu, então no início da civilização atual,
chamando todos os homens para a vida do campo, a fim de aprenderem melhor,
no trato da terra e no contacto da Natureza. Só o feudalismo podia
realizar essa obra, e as suas normas, embora grosseiras, foram
aproveitadas na escola penosa das aquisições espirituais, onde a reflexão
e a sensibilidade iam surgir para a construção do edifício milenar da
civilização do Ocidente.
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |