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ROMA
Emmanuel
O POVO ETRUSCO
Reconhecendo as dedicações ao trabalho, por
parte de todos os Espíritos que se haviam localizado na Itália primitiva,
então dividida em duas partes importantes, que eram a Gália Cisalpina e a
Magna Grécia, ao norte e ao sul da península, os prepostos e auxiliares de
Jesus projetam a fundação de Roma, que se ergueu rapidamente, coroada de
lendas numerosas, para desempenhar tão grande papel na evolução do Mundo.
A esse tempo, o Vale do Pó era habitado
pelos etruscos, que se viam humilhados pelas constantes invasões dos
gauleses. De todos os elementos que formaram os ascendentes da Itália
moderna, eram eles dos mais esforçados, operosos e inteligentes. Nas
regiões da Toscana, possuíam largas indústrias de metais, marinha notável,
destacado progresso no amanho da terra e, sobretudo, sentimentos evolvidos
que os faziam diferentes das coletividades mais próximas. Acreditavam na
sobrevivência e ofereciam sacrifícios às almas dos mortos, venerando os
deuses cujas disposições, em cada dia, presumiam conhecer através dos
fenômenos comuns da Natureza. Atormentados e desgostosos em face das lutas
reiteradas com os gauleses, os etruscos decidiram tentar vida nova e,
guiados indiretamente pelos mensageiros do Invisível, grande parte
resolveu fixar-se na Roma do porvir, que, então, nada mais era que um
agrupamento de cabanas humildes e desprotegidas.
PRIMÓRDIOS DE ROMA
Defendida naturalmente pelo adensamento
constante de população, a cidade mergulhou as suas origens numa corrente
profunda de histórias interessantes e maravilhosas, onde as figuras de
Enéias, de Réia Sílvia, de Rômulo e Remo assumiram papel saliente e
singularíssimo.
A verdade, porém, é que os etruscos, em
grande maioria, edificaram as primeiras organizações da cidade, fundando
escolas de trabalho, transportando para aí as experiências mais valiosas
dos outros povos, criando uma nova terra com o seu esforço enérgico e
decidido. Lá encontraram eles as tribos latinas Ramnenses, Titienses e
Lúceres, congregadas para a edificação comum, das quais assumiram a
direção por largos anos, construindo os alicerces das realizações futuras.
Quando Rômulo chegou, seus olhos já
contemplaram uma cidade próspera e trabalhadora, onde fez valer a sua
enérgica inteligência, mas não faltou à posteridade o gosto de tecer-lhe
uma coroa lendária e fantasiosa, chegando-se a afirmar que a sua figura
fora arrebatada no carro dos deuses, com destino ao Céu.
INFLUÊNCIAS DECISIVAS
Desnecessária será a autópsia da História
nos seus pontos mais divulgados e conhecidos, quando o nosso único
propósito é esclarecer o entendimento do leitor, quanto à direção do
planeta, que se conserva, de fato, no mundo espiritual, de onde o Cristo
vela incessantemente pelo orbe e pelos seus destinos. Todavia, para
fundamentar nossa asserção acerca das influências etruscas nos primórdios
de Roma, somos levados a recordar a figura de Tarquínio Prisco, filho da
Etrúria, que trouxe à cidade grandes reformas e inúmeras inovações em
todos os departamentos da sua consolidação e do seu progresso, lembrando,
entre as suas muitas renovações, a construção da Cloaca Máxima e do
Capitólio. Seu sucessor, Sérvio Túlio, era igualmente da sua família.
Este, dividiu todo o povo da cidade em classes e centúrias, segundo as
possibilidades financeiras de cada um, desgostando os patrícios, a esse
tempo já organizados, em virtude de essa reforma apresentar-se dentro de
características liberais, não obstante as suas finalidades militares.
Onde, porém, mais se evidenciam as
influências etruscas, nas organizações romanas, é justamente na alma
popular, devotada aos gênios, aos deuses e às superstições de toda
espécie, que seriam multiplicadas em seus contactos com a Grécia. Cada
família, como cada lar, possuía o seu gênio invisível e amigo, e, na
sociedade, alastravam-se as comunidades religiosas, culminando no Colégio
dos Pontífices, cuja fundação remonta ao passado longínquo da cidade. Esse
Colégio foi depois substituído pelo Pontífice Máximo, chefe supremo das
correntes religiosas, do qual os bispos romanos iam extrair, mais tarde, o
Vaticano e o Papado dos tempos modernos.
Os romanos, ao contrário dos atenienses, não
procuravam muitas indagações transcendentes em matéria religiosa ou
filosófica, atendendo somente aos problemas do culto externo, sem muitas
argumentações com a lógica, e foi por isso que, com a evolução da cidade,
o Panteão, seu templo mais aristocrático, chegou a possuir mais de trinta
mil deuses.
OS PATRÍCIOS E OS PLEBEUS
Depois dos últimos Tarquínios, que
procuraram intensificar os poderes militares da realeza, proclama-se a
República, que fica governada por dois magistrados patrícios, assistidos
pelo Senado. Grandes medidas são executadas para consolidar a supremacia
romana, mas as classes pobres, oprimidas pelas mais ricas, que gozavam de
todos os direitos, revoltaram-se em face da penosa situação em que as
colocavam as possibilidades da ditadura preconizada pelos senadores, em
casos especiais com poderes soberanos e amplos em todas as questões da
vida e morte de cada um.
Inspirados pelas forças espirituais que os
assistiam, os plebeus em massa abandonaram a cidade, retirando-se para o
Monte Sagrado, mas os patrícios, examinando a gravidade daquela atitude
extrema, lhes enviam Menênio Agripa, cuja palavra se desincumbe com
felicidade da diligência que lhe fora cometida, contando aos rebeldes o
apólogo dos membros e do estômago, que constituem, no mecanismo de sua
harmonia, o perfeito organismo de um corpo. A plebe concorda em regressar
à cidade, embora impondo condições quase que irrestritamente aceitas. Os
tribunos da plebe inauguram, então, um período de belas conquistas dos
direitos humanos, culminando na Lei Canuleia, que permitia o casamento
entre patrícios e plebeus e com a Lei Ogúlnia, que conferia a estes
últimos as próprias funções sacerdotais.
A FAMÍLIA ROMANA
Muito poderíamos comentar, à margem da
História, mas outros são os nossos fins, considerando-nos no dever de
salientar aqui as sagradas virtudes romanas, na instituição do colégio da
família, em muitas circunstâncias superior ao da própria Grécia cheia de
sabedoria e beleza.
A família romana, em suas tradições
gloriosas, está constituída no mais sublime respeito às virtudes heróicas
da mulher e na perfeita compreensão dos deveres do homem, ante os seus
sucessores e os seus antepassados.
Lembrando-nos de Roma no seu áureo período
de trabalho, enche-se-nos o olhar de lágrimas amargas... Que gênio maldito
imiscuiu-se nessa organização sublimada em seus mais íntimos fundamentos,
devorando-lhe as esperanças mais nobres, corrompendo-lhe os sentimentos,
relaxando-lhe as energias? Que força devastadora derrubou todas as suas
estátuas gloriosas de virtude? Debalde, a mão misericordiosa de Jesus
desceu sobre a sua fronte, levantando-a de quedas tenebrosas, antes dos
tristes espetáculos do seu arrasamento. Os abusos de poder e de liberdade
dos seus habitantes fizeram do ninho do amor e do trabalho um amontoado de
rumarias, afundando-o num mar de lodo sanguinolento.
AS GUERRAS E A MAIORIDADE TERRESTRE
Em breve, porém, a família romana, cheia das
tradições de generosa beleza, foi dilacerada pelos gênios militares e
pelos espíritos guerreiros.
O progresso incessante da cidade formava a
tendência geral ao expansionismo em todos os domínios.
Entretanto, os pródromos do Direito Romano e
a organização da família assinalavam o período da maioridade terrestre. O
homem com semelhantes conquistas, estava a desferir o vôo para as mais
altas esferas espirituais.
As legiões magnânimas do Cristo aprestam-se
para as últimas preparações de seus gloriosos caminhos na face do mundo. O
Evangelho deveria chegar como a mensagem eterna do amor, da luz e da
verdade para todos os seres.
Todavia, a liberdade pessoal e coletiva é
respeitada pelo plano invisível e Roma não se mostra digna das numerosas
dádivas recebidas.
Em vez de estender os seus laços pela
educação e pela concórdia, deixa prender-se por uma legião de espíritos
agressivos e ambiciosos, alargando a sua influência pelo mundo com as
balistas e catapultas dos seus guerreiros. Depois das conquistas da
Península, empreende a conquista do mundo, com as guerras púnicas,
terminando por submeter todo o Oriente, onde também se encontrava a Grécia
esgotada e vencida.
Os enviados do Cristo harmonizam esses
terríveis movimentos no instituto das provações necessárias aos indivíduos
e aos seus agrupamentos; todavia, a realidade é que Roma assumia,
igualmente, as mais pesadas responsabilidades e os mais penosos débitos,
diante da Justiça Divina. Suas águias vitoriosas cruzam, então, todos os
mares; o Mediterrâneo é propriedade sua e o Império Romano é o Império do
homem, ouvindo-se a voz diretora de um só homem para quase todas as
regiões povoadas da Terra.
NAS VÉSPERAS DO SENHOR
As forças do invisível, porém, não
descansaram. Muitas lágrimas foram vertidas, no Alto, em vista de tão
nefastos acontecimentos.
O Cristo reúne as assembléias de seus
emissários. A Terra não podia perder a sua posição espiritual, depois das
conquistas da sabedoria ateniense e da família romana.
É então que se movimentam as entidades
angélicas do sistema, nas proximidades da Terra, adotando providências de
vasta e generosa importância. A lição do Salvador deveria, agora,
resplandecer para os homens, controlando-lhes a liberdade com a
exemplificação perfeita do amor. Todas as providências são levadas a
efeito. Escolhem-se os instrutores, os precursores imediatos, os
auxiliares divinos. Uma atividade única registra-se, então, nas esferas
mais próximas do planeta, e, quando reinava Augusto, na sede do governo do
mundo, viu-se uma noite cheia de luzes e de estrelas maravilhosas.
Harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos
homens e da Natureza. A manjedoura é o teatro de todas as glorificações da
luz e da humildade, e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo
terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a "noite silenciosa, noite
santa".
Livro: A Caminho da
Luz Médium: Francisco Cândido Xavier Espírito: Emmanuel |