O PERDÃO
INTEGRAL
O perdão é integral, quando aquele que perdoa
o faz de fato, isto é, incondicionalmente, de coração,
sem orgulho. É, num sentido mais amplo, a prática
da misericórdia, quando se considera a miséria
alheia extensiva a nós mesmos, porquanto, estamos propensos
aos erros e, assim, passíveis de necessitarmos da misericórdia
dos outros.
Por isso, Jesus nos ensinou a oração dominical,
ou seja, em face da constância de nos considerarmos
ofendidos por alguém. Evidentemente, se jamais ficássemos
ofendidos, jamais teríamos que perdoar. Assim, Jesus,
conhecedor das nossas imperfeições, entre as
palavras sábias da referida oração, constou:
"perdoai as nossas dívidas, assim como nós
perdoamos aos nossos devedores", ou seja, assim como
desejamos o perdão, temos que perdoar.
Existe confusão entre o nosso perdão de criaturas
imperfeitas com o perdão de Deus; como ficou dito,
o perdão cabe em face às ofensas recebidas.
Assim, há que se considerar o perdão humano
e o perdão divino: o primeiro, parte de alguém
que se sentiu ofendido; o segundo, ao contrário, é
próprio do nosso pai e criador que, evidentemente,
jamais se sentiu ofendido por nós, seus filhos. Seu
perdão tem outra conotação: é
misericórdia da magnanimidade da sua lei imutável
que não nos condena - Deus é Amor -, mas propicia
as oportunidades para resgatarmos os nossos débitos
perante a Justiça Divina; tais oportunidades estão
contidas na Lei da Reencarnação.
Para a prática do perdão, temos: de um lado
a vítima e do outro o agressor. O perdão deve
partir da vítima; salvo o arrependimento e pedido de
perdão do agressor. Se não houver o perdão,
isto é, a composição amigável
entre ambos e prevalecer o ódio, antítese do
amor, teremos um campo vibratório negativo, onde os
adversários só têm a perder desgastando-se
mutuamente. Também, podemos imaginar um ciclo vibratório,
onde A atinge B e vice-versa, o qual, apenas se interrompe,
quando uma das partes, em prevalecendo o amor, perdoa. Eis,
aqui, a origem das obsessões que podem ser sanadas
a tempo...
É doutrinário que não existe obsessão
unilateral, é, como num contrato, bilateral, isto é,
um acordo de vontades, onde se verifica, no caso, a ausência
do amor e do perdão, face às incompreensões
e ódios mútuos, logo, é de bom alvitre
e de bom senso, que cultivemos o perdão. Tal disposição
é sábia, considerando-se que é medida
de profilaxia, a fim de mantermos a saúde física
e mental. É, também, para os males já
instalados, uma terapia eficaz.
Vale lembrar que as doenças, de um modo geral, são
psicossomáticas, estão na alma e refletem no
corpo físico. Por exemplo, a depressão, efeito
das mágoas e ressentimentos, corrosivos da alma, é
ausência do perdão às ofensas que só
podem provir de criaturas infelizes e carentes de amor.
"Você poderá estar pensando que é
muito difícil perdoar sempre. E eu sei que em muitas
ocasiões não é nada tão simples
ou tão fácil de conduzir-se superiormente, mas
(...) faça empenho, esforce-se, até conseguir
perdoar com naturalidade, com espontaneidade. (...) Considere
que o agressor é alguém tão infeliz ou
perturbado, em si mesmo, que não necessita do seu ódio."
(...) *
É sabido que das pequenas discórdias surgiram
as grandes guerras, logo, pela paz e para seguirmos Jesus,
só nos resta perdoar!
* Depressão: Causas, Conseqüências e Tratamento,
Izaias Claro, pág. 135, 4ª Ed. O Clarim.
(as.) Julio Laurentino de Lima - juliollima@gmail.com
(Artigo publicado no Jornal O Clarim, Julho/06, pág.
09, Editora O Clarim)
| 
|
| INICIO |
 |