O
tarefeiro
Allan
Kardec já advertia no século passado, que o mal das interpretações
humanas está na falta de uma visão mais ampla e profunda da realidade.
Por isso urge atendermos a necessidade de falarmos sobre o tarefeiro(a)
na casa espírita. Com meus trinta e dois anos de experiência e observação
e do meu próprio aprendizado ainda longe de terminar e também de
minhas observações em diversas casas espíritas, tanto nas
grandes cidades como nas zonas interioranas onde nossa cultura espírita
mais se destacou, pois sua simplicidade e delicadas nuances são ali interpretadas
com a mais pura fé, não aquela fé simplória e cega
mas uma fé real e esclarecida. Assim, com o apoio dos Espíritos
imbuídos de nos educar a luz Evangelho, pretendo contribuir também
para a formação daqueles que se propõe a essa tarefa.
Mas,
a minha intenção maior será se possível despertar
o interesse de servir na seara, naqueles que não se sentirem ofendidos
com este trabalho, e sim utilizarem-no para o seu engrandecimento. Sabemos ser
necessário os estudos preparatórios das obras básicas e dos
cursos que auxiliem o entendimento, mas refiro-me especificamente aos tarefeiros(as)
que na maioria das vezes não completa seus estudos da codificação
e infelizmente são convidados por outros inexperientes a auxiliar nas tarefas
de grande responsabilidade da casa espírita, simplesmente porque fez um
cursinho, sem no mínimo terem esperado no despertar de sua sensibilidade
que vai florescendo assim que com o esclarecimento, vamos observando a vida e
as dores nossas e de nossos irmãos.
Na
maioria das vezes, toda orientação foi fruto de um curso feito muitas
vezes na cidade vizinha, e por mais bem intencionado(a)
ele(a) tem que interpretar a doutrina
com o seu pouco conhecimento e experiência ou na maioria das vezes o curso
foi dado, por outro tarefeiro(a) totalmente
despreparado(a). Com isso percebemos,
que não importa quantos diplomas temos, quando se trata de tarefeiro(a)
na seara espírita isso não importa, o que importa é o conhecimento
doutrinário, o idealismo apaixonado pelo evangelho e pela sua vivência,
pois este conhecimento doutrinário é que vai iluminar e auxiliar
a compreensão do conhecimento acadêmico e de todos os diplomas adquiridos,
e então despertar a sensibilidade de trabalhar com amor seguindo Jesus.
Durante
este tempo, tristemente encontramos muitos tarefeiro(a)s
com graves distúrbios de comportamento, pois ainda não conhecem
nem um pouco de si mesmos para identificar e corrigir ao longo do tempo, suas
falhas morais, e não se melindrar com as primeiras dificuldades que venha
a viver. Neste caso eles(as) se desequilibram
e acham que as disciplinas e regras tem que ser do jeito que eles querem, e se
tornam elementos completamente alheios aos trabalhos quando não obedecidos,
se tornando presa fácil dos muitos grupos de espíritos que querem
destruir todas as boas instituições voltadas ao evangelho como já
vimos muitas vezes isso acontecer.
Exploram
neles a vaidade, o ciúme, a rivalidade e o amor próprio, leva-os
ao atrito e a separação e ao estagnamento doutrinário, os
transformando em elementos que adulteram a doutrina, semeando sandices e truncando
a realidade espiritual, arvorando-se em missionários, montando casas espíritas
onde destroem a sutileza e as delicadas nuances do Evangelho. Gerando vasto campo
de desequilíbrados, nascidos da cegueira voluntária e da perversidade
completa, atraindo espíritos que se bestializaram, fixos que se acham na
crueldade e no egocentrismo.
Em
vez de iniciativa e reforma intima no trabalho silencioso em nome do Cristo Jesus,
acena com permissividades para comunidades espirituais inferiores que ali se estacionam
sem pressa e disfarçadamente enaltece a ansiedade pelo fenômeno espetacular.
Em vez do discernimento espiritual crece a obsessão light devido ao descuido
para com a responsabilidade espiritual superior. Trabalham para o mal ao lado
do bem, alterando sutilmente o entendimento da sublimidade das diretrizes das
leis sintetizadas no código moral do Evangelho de Jesus.
A
intenção dessas mentes pervertidas é realmente atrasarem
o crescimento de todos, assim permanecem mais tempo estagnados moralmente. Inconscientemente
e a eles se afinizam e muitas vezes como por hipnose, tentam disfarçadamente
aniquilar os esforços de crescimento da criatura humana. Ambiciosos, perversos
e imorais em qualquer atividade humana eles procuram esconder suas mazelas sob
a bandeira das conquistas morais do Espiritismo.
Assim
os nossos benfeitores, os deixam então temporariamente entregues a si mesmos,
aí então começa o cortejo das más influências,
falando aos seus ouvidos "Não liga, deixa-os, todos estão envolvidos
com os espíritos das trevas, continue trabalhando assim"... E assim
não percebem e pegam carona nas mentes doentias que agem dentro do movimento
espírita com um único interesse, destruir de dentro pra fora todos
os ideais de crescimento do ser humano.
Precisamos
urgentemente adaptar o tarefeiro(a)
à doutrina espírita de acordo com os moldes de Kardec, não
estamos mais a mercê da antiga Casa de Ismael, "FEB" que com os
dispositivos de seus estatutos, barravam os kardecistas na participação
de sua diretoria e exigiam a confissão expressa do credo roustainguista.
Hoje, o dia-a-dia é bem diferente, sabemos ser necessário o estudo
das obas base para nosso esclarecimento, que depois de ter feito todos os estudos
nas áreas de preferências específicas, na hora de aplicar
precisamos de maturidade para sentir o prazer de viver em nós mesmos a
felicidade de estar colaborando na seara do Mestre Jesus, mesmo que seja com a
migalha que já conseguimos e reconhecer, que somos tão endividados
quanto aqueles que auxiliamos e que diante da vida, eles são a benção
de Deus ajudando em nossa própria recuperação. Por isso,
o tarefeiro(a) deve fazer com que
todos que recebem a sua ajuda, entendam que são tão importantes
quanto ele, e que essa ajuda, se possível seja percebida como um trabalho
de grupo.
Reconhecemos
também, as dificuldades dos órgãos Espirituais diretores
do Espiritismo no mundo, e sabemos quão difícil é encontrar
pessoas que estejam dentro da doutrina por amor. Na maioria das vezes são
pessoas que vem já com um currículo cheio de predicados, não
há nada de errado ou estranho nisso, afinal, esta é uma doutrina
que investe na reconstrução, no esclarecimento, nas mudanças
de rumos em nossas vidas, e todas estas mudanças precisam ser feitas com
muito amor, muita paciência, mais confiança em Deus, aos poucos deixar
a vida acontecer, enfim, dar tempo de tudo acontecer, completar a fase e tornarmos
mais humanos, mais sensíveis e mais completos.
Essas
fazes tem um tempo para acontecer, a natureza não dá saltos, não
podemos antes da flor querer colher os frutos. Não será por isso,
que temos tantos tarefeiros(as) desequilibrados
em postos de grandes responsabilidades na doutrina? Talvez eles muito ansiosos,
motivados por interesses não doutrinários, convida o iniciante na
doutrina só porque ele fez um cursinho muitas vezes baseado no pensamento
de Roustaing, já vem cheio de diplomas só que com pouca maturidade,
pouca vivência, cheio de planos de mudanças só que na vida
dos outros, aí não precisa ser profeta pra saber o resultado. É
como observar um caminhão de 25 toneladas sem freio, com o motorista bêbado,
descendo uma rua bem inclinada e tendo pela frente várias residências
3 creches, um pronto socorro, e no final uma praça cheia de transeuntes.
Que
falta nos faz Kardec! Será preciso ele voltar para pararmos de interpretar
a doutrina como se fosse uma empresa, onde os tarefeiros(as)
que antes eram feitos pelo coração e esclarecimento, agora são
meros "funcionários", sem o mínimo de comprometimento
com a obra de redenção do ser, sem compreender os reais motivos
de ela existir, os ideais e objetivos do Espiritismo no planeta? Ou será
porque ele fere mortalmente os interesses terrenos que não está
sendo encarado com a devida seriedade pelos próprios espíritas.
A doutrina Espírita
conquistou moralmente por sua adesão ao Evangelho de Jesus, a posição
de Cristianismo revivido e terceira oportunidade de compreendermos, as intenções
do Criador para conosco, por isso, entendo todos nós, sermos irmãos
e devemos continuar hoje e sempre crentes de que não possuímos muitas
virtudes, temos sim um pesado passado constrangendo-nos à reflexão
e à disciplina. Oportunidades redentoras, sempre vão brilhar em
nossos cominhos como benção do Pai, independente de estarmos na
casa espírita ou não, comportarmo-nos como legítimos representantes
da doutrina Espírita é nosso maior dever e honra.
Pois
assim como todos os irmãos tarefeiros, também sou aqui um companheiro,
e com muito esforço venho me adaptando aos moldes do Evangelho, ele, me
acena também com o propósito da vida superior, trabalhando em mim
e comigo, através de todos os meios, para guiar-me à perfeição.
E mereço como todos os irmãos, observar com prudência e vigilância
e refletir nas respostas do nosso querido irmão Gabriel Delanne, quando
na espiritualidade entrevistado por André Luiz esclarece:
P
) Onde os percalços maiores para a expansão da Doutrina Espírita?
Delanne) Em nossa opinião, os maiores embaraços para o Espiritismo
procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-lo,
seja através da mediunidade direta ou da mediunidade indireta, no campo
da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções
da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das
regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo,
mas estão prontos a ridicularizá-las, através de escritos
sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as
demonstrações fenomênicas improdutivas, as histórias
fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror.
P
) Como vê semelhantes deformações?
Delanne) Os
milhões de Espíritos inferiores que cercam a Humanidade possuem
seus médiuns. Impossível negar isso.
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