A
chave e a fé
Naquela
tarde, eu me encontrava sentado em um velho tronco à
sombra da velha amiga arvore que me viu crescer. Observava
o por do sol e o silêncio. O céu, como pintado
por artista divino, como sempre me convidava à meditação
e a sentir o aroma das pequenas flores silvestres, que como
tapete, cobria a planície até onde eu pudesse
ver. O vento suave nas folhas secas, quase não me permitiu
sentir os passos do meu velho mestre, se colocando a meu lado,
também olhando o cenário divino a nossa frente.
Ele melhor que eu, sentia e vivia o esplendor da vida e do
infinito amor de Deus.
Depois
de alguns minutos, rompi o silencio. Olhando seu rosto sereno
disse: Eu me pergunto, será que a turba ímpia
dos gozadores não tem razão, quando afirmam
que não existe nada alem dessa ilusão de matéria,
já que o Céu permanece silencioso, não
importando o quanto podem ser indignas as atrocidades aqui
cometidas. Porque o plano espiritual superior não se
apresenta em defesa de seus irmãos e da verdade? Porque
permitir essa destruição avassaladora de nossos
sonhos? Em vez de interceder e parar o escárnio dos
negadores da espiritualidade, que pregam contra quaisquer
leis morais; contra qualquer sentimento de ideais e anunciando,
por exemplo: Que a verdadeira cidadania e hombridade é
não reagir ao mal, ou que não importa os meios
de conquista toda propriedade além da necessidade não
é roubo, e mais uma centena de idênticos paradoxos
absurdos prejudiciais e até criminosos? E nós?
Nós também vamos perecer nessa arena, enquanto
o resto do mundo afunda na lama nossa mais importante riqueza
cultural, nossa história, nossos ideais superiores?
todas as nossas conquistas?.
Depois
de ouvir minhas amarguras infantis, suavemente ele se vira pousando terno olhar
em mim e enternecido e confiante me diz: Meu filho, nosso senhor e criador deu-nos
a chave que abre a porta do Céu, ninguém tem culpa se os homens
não quer pega-la, nada é dado sem luta, nós vemos isto em
cada ser, mesmo nos minúsculos animaizinhos. Em todos os lugares enfrentam-se
dois princípios. Jesus, disse-nos claramente: "...Que o reino do céu
é tomado à força". Ele também diz:- "...Pedi,
e dar-se-vos-há, Batei e abrir-se-vos-há". E explica que a
fé remove montanhas. A culpa do abandono do altar íntimo e o enfraquecimento
da fé recaem sobre aqueles que, tendo sido iniciados ao serviço
do bem maior, deveria estoicamente defender os ideais do Cristo Jesus, evitando
a profanação do seu Evangelho.
Eles
que se consideram os grandes intermediários dos planos superiores, tem
a obrigação de invocar as forças do coração
acionando os poderes cósmicos e pedir o auxilio do mudo superior, milhares
de curas ditas milagrosas foram conseqüências deste poder que se chama
prece. O apaixonado apelo à Divindade é ouvido e o céu responde.
Quando no início do século XX começou a difundir-se feito
uma loucura contagiosa a revolução e o anarquismo derrubando a conjuntura
social, a moralidade e a religião, e desencadeando uma terrível
epidemia de assassinatos, suicídios e outros fenômenos psicopatológicos
de massa, ficou claro a todos os que quisessem ver que havia algo de anormal,
e que a humanidade encarnada estavam sendo envolvida por forças malignas
que também pululam no espaço próximo da crosta. Os remédios
conhecidos e testados já estavam em mãos, eram e sempre será
a prece, neste caso não me refiro a conversa fiada nem as altercações
vazias, mas sim, a prece fervorosa e convicta que eletriza as multidões
e invoca o fogo sagrado e cria os mártires e os heróis.
Nos
estudos que temos feito, aprendemos que a camada atmosférica
mais baixa que cerca a Terra, é povoada pelos que retornaram
à dimensão invisível como espíritos,
cujos crimes e maldades os impedem de subir ao nível
superior devido ao seu corpo espiritual pesado como chumbo,
cheios de excreções e fluídos carnais.
Não é por acaso que na prece que o mestre Jesus
nos ensinou está dito "Livrai nos do mal".
Todos estes espíritos bestializados, estão tentando
invadir o nosso mundo e quanto maior o número deles
a entrar tanto mais se ampliará o venenoso contágio.
Estas hordas selvagens enchem o ar, destroem tudo em seu caminho
para satisfação dos seus instintos animais.
Como se fossem vibriões venenosos procuram seu alimento
nos vapores densos pesados e malcheirosos da devassidão.
Os vapores destes monstros envenenam o ar e os homens os respiram,
sujeitando-se a uma epidemia fluídica. Vicejam em profusão
todos os gêneros de vícios e paixões vergonhosas,
e o povo tornou-se suscetível a diferentes tipos de
enfermidades. Já podemos notar sérios distúrbios
de comportamento e quase todos de cunho neurológico.
Das boas ações renasce a misericórdia
que alimenta a fé e na prece se torna a guarda celestial
que protege as dimensões terrenas dos inimigos do mundo
invisível. A lei é única e é exatamente
assim que a prece e a fé é, fontes de luz e
calor purificam a atmosfera espiritual próxima da superfície.
Todas as leis do universo, dependem da Misericórdia
Divina, tudo é disciplina e ordem, mesmo o suposto
mal. Deus não violenta consciências, não
constrange ninguém. Organizou suas leis que governa
os fenômenos naturais de todo o cosmos e dentro delas
os seres se movem, assim o mal é a ausência de
bem, o resultado da inconsciência das criaturas sentindo-se
honradas em exibir as marcas da besta, querem com isso demonstrar
seu desprezo ao Criador.
É
de nosso conhecimento que a vivência do ideal espiritual e tudo que se refere
às leis divinas, ainda são extremamente proibidos por aqui. Isto
significa que, sem qualquer freio ético, a humanidade vê-se definitivamente
em poder dos instintos da carne. A moral está mais do que fraca e as tendências
apóiam cada vez mais o seu massacre. Por este motivo a ciência da
alma sempre foi desprezada e perseguida pela maioria. Enlamearam-na e cobriram-na
de risos. Entretanto esta ciência nunca fez mal a ninguém, pelo contrário,
muito ensinou aos homens nestes milhares de anos iluminando a escuridão
de nossa inconsciência. Mesmo quando o Cristo Jesus por amor nos envia o
iluminado espírito Allan Kardec, e na forja da dor, ele sintetiza todos
os conhecimentos e a faz renascer com toda sua pureza usando o evangelho como
farol para iluminar seus caminhos.
É
a nova era do espírito, ressurgiu como fênix das cinzas da escuridão
dos tempos. Revelando a existência destas criaturas que preferiam que jamais
alguém soubesse da sua existência, para poderem continuar se alimentando
sem obstáculos da humanidade cega e devassa, que dança a beira do
precipício sem dar ouvido aos avisos constantes do alto. Esta pura e grande
ciência que estuda o mundo invisível, hoje chamada de Espiritismo,
é uma terrível arma contra os espíritos ainda embrutecidos
e já salvou uma infinidade de almas das suas garras traiçoeiras.
A união faz a força mas esta força, não foi acionada
e a invasão dos espíritos das trevas não foi rechaçada.
Os homens não sabem e nem querem compreender a alavanca de poder colossal
que vem a ser para o mundo astral, o reflexo do fluído puro de uma fervorosa
prece. Essa força, tão poderosa como os elementos da natureza, a
imagem de um raio, ascende à chama divina em qualquer coração,
fertiliza a terra e penetra nas profundezas do oceano, passa como um furacão
no espaço desconhecendo obstáculos. A prece, a primeira das ciências,
poder extraordinário, talismã mágico que aciona forças
internas desconhecidas. Qualquer um que possuir uma fé ardente e pura,
poderá dispor desta gigantesca força, governar sobre os elementos
da natureza, apaziguar as tempestades, curar as doenças e parar todas as
guerras.
Assim
meu filho, não podemo-nos safar à responsabilidade e também
assumirmos parte destas faltas diante do Pai. O que nos deixa felizes é
que o senhor nos abençoa com as grandes oportunidades junto ao mestre amado
Jesus, que sempre nos reanima dizendo: "Tendes bom ânimo, eu estarei
sempre convosco". "Nenhuma ovelha se perderá". Meu filho,
diante da grandeza de Deus, todos são infinitamente pequenos, no entanto,
podemos sempre marchar para a luz o que já é uma benção
divina, não acha? Concordei com ele.
...Os
raios avermelhados do sol iluminava-nos a meditar na grandeza de nosso Pai, e
ainda envolvia-nos com o silêncio do anoitecer...
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