Desejos de
liberdade
Toda
dificuldade iludida se converterá em fantasma a perturbar
nosso repouso.
Se
desejarmos voar, necessitamos de nos tornar mais leves e para
tal, é necessário despirmo-nos de bagagens pesadas
e despojarmo-nos das emoções primárias,
dos desejos desregrados e dos sentimentos menos dignos. Investir
tudo na reforma íntima, na autotransformação,
na abnegação e renúncia contra o fútil
e o vazio, o desapego à matéria, o poder que
denigre, as posses escravizantes, ao ego despudorado, ao sexo
viciado e criminoso. Não basta o intelectualismo, não
basta trilhar graus iniciáticos, é necessário
se submeter ao esmeril do tempo disciplinado e consciente
na remodelação da nossa personalidade, acabar
com as arestas egoísticas ou pontas de nossas paixões
insanas, herança de milhares de vidas passadas. Investir
no burilamento dos sentimentos, no amor profundo e na transformação
íntima para doar-se incondicionalmente ao Evangelho
do CRISTO JESUS.
É
importante, em nós mentalizar e extratificar o estado
de humildade, o perdão e a renuncia tão difíceis
em nossos dias. Nessa cultura de intolerância e individualismo
do Espírita "moderno" urge começar
a fermentá-las devagar, mas continuamente, enaltecendo
os reais valores da vida a luz da Doutrina. O Espírito
de verdade esclarece através de Allan Kardec, da necessidade
de deixarmos tudo que é supérfluo, e distanciarmo-nos
de tudo que atrapalha a livre manifestação das
características herdadas do criador, e deixa claro,
que a mágoa, o ressentimento e a necessidade de vingança
silenciosa e disfarçada, são frutos do orgulho
que destrói tantas vidas e nos torna criminosos, ridículos
e monstruosos.
Há
homens que se ajoelham, mas seu ego continua de pé. As posturas físicas
nem sempre revelam as posturas do Espírito. Há homens que perdoam,
apenas verbalmente, pois suas emoções continuam ressequidas e doentes.
Há egos recalcitrantes, que apesar de várias oportunidades da consciência,
continuam a repetir os erros, enquanto a Senhora Lei registrando tudo, observa
compassiva impessoal e justa.
Felizmente
a "santa" inquisição já acabou, e agora devemos
optar entre o consumismo e a moderação, entre as futilidades sociais
e a Espiritualidade educada, entre as religiões teóricas, periféricas
e fundamentalistas e a realidade do ser fraterno, entre a dó e a compaixão,
entre a religião e a Religiosidade, entre o desregramento pessoal e a consciência
saudável, entre a promiscuidade sexual e o sexo equilibrado fruto do amor
educado, entre a vaidade patológica e a humildade sadia, entre o intelectualismo
arrogante e o trabalho silencioso em direção a dor do outro, entre
o parapsiquismo teórico e a mente equilibrada no amor em favor do próximo,
entre a conscienciologia ortodoxa e a conciencialidade avançada, entre
o parasitismo universitário e cheio de diplomas e o trabalhador liberal
humilde que constrói o país, entre a programação existencial
egoística e a dedicação fraterna na doação
do Amor.
A
espiritualidade é uma estrada divergente que está
na margem direita e de forma discreta numa bifurcação
sutil. É um caminho estreito a todos, mas invisível
aos egos apaixonados e primários, poucos enxergam,
menos o trilham, e menos ainda perseveram até o fim.
Muitos desistem, pois esperam aplausos e recompensas egoísticas,
procuram o meio correto para um fim incorreto, outros querem
o correto, mas não o desejam, e assim não encontram
esta "bifurcação" e continuam na descida
confortável da estrada larga.
O
Espírita de hoje precisa conscientizar-se que a trilha estreita da espiritualidade
não é fácil, é uma subida íngrime cheia de
pedras, onde é necessário subir descalço. Alguns teimam em
subir portando as "vestimentas" pesadas que preenchem o ego, acreditando
que assim subirão mais rápido. Estas vestimentas podem manifestar-se
com nomes chiques, livros grossos, cursos e diplomas, missões, graus iniciáticos,
"importantes" lugares nas filas diante das câmeras, hierarquias
vaidosas e inócuas e tantas formas com que se traveste o ego humano.
E
o mais triste, é que vemos intelectos brilhantes, mas com sua visão
doutrinária estagnada tornando-o vitima de sua própria insensatez.
Tão zeloso dos princípios que torna se cego, não percebendo
nada alem do seu acanhado ponto de vista, é compreensível tal comportamento
doutrinário, mas só demonstra que muitos inadvertidamente ainda
preferem escorregar pelas estradas largas e arraigadas à sua visão
das coisas, não consegue dinamizar sua criatividade e sentir e ver as novas
dimensões do mesmo ponto, o que deixaria de ser ponto de vista para ser
uma visão das mais puras manifestações da Lei, pois deixaria
de estar centralizado no ego e estaria numa dimensão fraterna e útil
ao progresso de todos, pois a maior derrota de uma sociedade é o ponto
de vista.
Mas
todos sabemos disso! Apenas brincamos de viver e fazemos de conta que somos os
melhores, ao invez de estendermos as mãos e os braços a todos a
quem podemos ajudar. Nesta roda viva do século XXI, onde nunca se encontra
tempo. São tantos compromissos sociais: Os casamentos, batizados, visitas
de parentes, aniversários, festas, Páscoa, Natal, futebol, praia,
que não há tempo para meditar e perceber que transformamos estas
coisas em armadilhas contra nós mesmos, pois a mediocridade com que nos
entregamos a elas não nos deixa perceber que distorcemos e inferiorizamos
os seus reais valores, por isso não encontramos tempo para doar a Luz das
nossas orações, para Amor as experiências conscientes dos
benefícios, para estudar e encontrar outras formas de se aplicar à
vida, para fazer um curso sério no fim de semana, para concretizar a autotransformação
que cura o Espírito, para trabalhar e encontrar a humildade e sentir DEUS,
a verdade que nos liberta.
A
razão pode nos advertir sobre o que nos convém evitar, mas somente
o coração nos diz o que devemos fazer.
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