A
Doutrina Espírita trouxe para o homem uma nova forma de ver as grandes
verdades. Retirou o véu dos mistérios que envolviam os trabalhos
anteriores realizados pelo divino Jesus e outros grandes homens. Esclareceu a
origem do homem e as conseqüências que podem tirar de suas experiências
terrenas, como Espíritos imortais que são. Não quer nada
mais que endereçar a criatura ao encontro de si mesma, estimulando o autoconhecimento
e a partir daí, o surgimento de um novo homem, que gradativamente se molda
ao equilíbrio com o Criador, entrando definitivamente no entendimento das
leis divinas que regem o Universo.
A Doutrina Espírita ensina, que apesar da inexorabilidade da Lei, é
evidente que os caminhos do homem são traçados por seu livre-arbítrio.
Chegar mais cedo ou mais tarde à perfeição é escolha
sua. Avançar ou permanecer no mesmo lugar depende do si mesmo. Deus oferece
ao homem os instrumentos, mas o uso que fará deles é de inteira
responsabilidade da criatura. Essa é a razão pela qual o planeta
se encontra na condição de descontrole moral em que está.
Por muitos séculos semeou o grão podre, baseado em seus interesses
poucas vezes nobres. Agora se depara com o resultado disso no fim de um ciclo
que têm se dado sob os olhares estupefatos de quem se dá ao trabalho
de ver além das circunstâncias.
Analisando
as situações, podemos perceber que o que falta ao homem nada mais
é que o sentido de vida. Analisou e sabe que morrerá, mas pretende
usar-se bem da vida, aproveitando-a com todas as vantagens que pode oferecer.
Na incerteza quanto às realidades espirituais, constatou que há
mais perigo em entregar-se a mãos inábeis de pretensos condutores,
do que em desbravar por se mesmo o desafio intrincado do seu existir. Optando
pelo hoje e agora, limita sua ansiedade, voluntariamente defendendo-se de pensar
no que não consegue ainda compreender. Ele na verdade não sabe quem
é de onde vem nem para onde vai depois que seus olhos se fecharem definitivamente
nesta vida.
E
não procurando saber, o ser humano em sua grande maioria irá ainda
permanecer mergulhado no desconhecimento das questões espirituais, pois
ainda não se deu conta daquela que é fundamental para sua própria
existência, ou seja, que é um espírito, provisoriamente habitando
um corpo físico, nessa breve viagem que é a vida terrena. Vive da
mesma forma em que vivia nas comunidades pastoris do início da civilização,
pois busca apenas atender suas necessidades materiais em sua vida de instintos.
Apesar da maioria da população do planeta ter uma crença
em que diz se apoiar espiritualmente e das pesquisas mostrarem que mais de 95%
da população do globo se diz espiritualista, percebe-se que essa
convicção não traz ao homem qualquer conseqüência
de ordem moral, não tendo portanto, nenhum efeito sobre as mudanças
de postura que deveria ter para que o mundo se configurasse de melhor condição.
Perguntamos:
De onde o homem tirará outra mensagem que possa conduzi-lo ao equilíbrio?
Dos livros de auto-ajuda? Dos tratados das ciências do mundo? Dos livros
de neurolingüística? Dos ambientes infestados de orgulho e vaidade
da academia de letras? Dos tratados de apometria? Das psicografias de Espíritos
desorientados? Dos escritos de médiuns orgulhosos e vaidosos? Não!
Pois, como disse o Espírito de Verdade a Allan Kardec, "a verdade
não pode ser interpretada pela mentira". A mensagem está entre
nós há tempos. Só precisamos compreendê-la e tomá-la
definitivamente como modelo de conduta.
O
que moveu o homem em todos esses anos foi o orgulho e o egoísmo, duas terríveis
barreiras para a emancipação do Espírito. O que o fará
livre disso é a compreensão e observação das leis
de Deus sintetizadas no Evangelho e entre nós há 2000 anos. O avanço
intelectual desorganizado do homem o tem deixado anestesiado para as coisas de
Deus, e em um meio onde deveria fomentar esse espírito de harmonia entendimento
para orientar o crescimento, já que o homem necessita do avanço
intelectual para ter um alcance do lado moral, falar dos ensinos de Jesus é
dar um atestado de ignorância. Mesmo entre os intelectuais espíritas,
há um preconceito velado pelos que se detém em examinar os ensinamentos
da Lei para tirar disso as reais conseqüências de instrução
para o Espírito.
São
chamados pejorativamente de espíritas evangélicos, como se essa
condição configurasse um atraso. Mais uma vez o orgulho a permear
as ações e pensamentos. Vivemos em um tempo de muita desordem. O
homem tem imensa dificuldade em aplicar a ética da moral do Cristo em sua
vida prática. Anseia por dias melhores, mas melhores no seu ponto de vista
essencialmente material. Freqüenta igrejas, templos evangélicos, centros
espíritas, terreiros, tendas de consulentes apenas em busca do que é
transitório. Quer boa casa, bom emprego, boa comida, carro do ano e se
puder, um (a) companheiro (a)
rico (a) e apaixonado (a).
Não tendo outra razão para viver, acalenta na alma essa meta como
um tesouro a conquistar. Não deveríamos centrar nossa atenção
unicamente nesse objetivo.
Se
for apresentado a ele uma visão mais ampla da realidade, pode ser que venha
a modificar sua conduta, melhorando sua qualidade de vida, no sentido do que é
verdadeiro e eterno. Mas quando norteamos nossos olhos para o movimento Espírita,
percebemos que a ausência da consciência crítica no meio faz
com que se assimile com facilidade tudo o que chega através de expositores
ou mesmo de médiuns mal assistidos espiritualmente.
Métodos,
costumes e práticas as mais variadas são absorvidas com facilidade,
sem o devido cuidado da análise criteriosa conforme nos adverte Erasto,
em o Livro dos Médiuns, na questão 230. Entretanto não é
o que acontece. Uma grande parte do desarrumado movimento espírita, aonde
se encontram os chamados laicos, os livres pensadores, os que já se consideram
além de Allan Kardec, incluindo aí os holistas, tevepistas, neurolingüísticos,
apometristas e outras tantas invencionices, tratam desse assunto com explícito
preconceito e ironia. Jesus há muito nos deixou um seguro roteiro para
ser seguido. Interpelado pelos doutores sobre qual seria o maior mandamento da
Lei, Ele disse: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo mais
que a si mesmo".
E
não adianta se o templo interior do Espírito estiver sujo pela hipocrisia,
inveja, maledicência, ciúme, egoísmo, orgulho, vaidade e todas
as mazelas morais que escravizam o homem em sua pobreza espiritual. Buscar esse
entendimento deve ser o objetivo de todos, o restante, virá por acréscimo,
conforme nos falou o Mestre no seu Sermão do Monte. "Não vos
inquieteis pelo ouro. Mas entesourai para vós tesouros no céu, onde
não os consomem nem a ferrugem nem as traças, e onde os ladrões
não os desenterram nem roubam. Porque onde está o teu tesouro aí
está o teu coração". Quem tiver ouvidos de ouvir que
ouça!
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