Apometria
não convém às Casas Espíritas
Que pensa Emmanuel do espírita diante do sincretismo religioso?
Nosso amigo espiritual nos aconselha a respeitar cren ças, preconceitos,
pontos de vista e normas de quaisquer criaturas que não pensem como nós,
mas adverte-nos que temos deveres intransferíveis para com a Doutrina Espírita
e que precisamos guardar-lhe a limpidez e a simplicidade com dedicação
sem intransigência e zelo sem fanatismo (...)
Cabe-nos, assim, defender a obra de Allan Kardec, em em qualquer tempo?
Sim. Os Espíritos Amigos nos dizem que nos compete a obrigação
de defender os ensinamentos de Allan Kardec, sobretudo, na vivência dessas
benditas lições, através de nossas próprias vidas.
Compreendendo assim, reconheceremos que é necessário sermos fiéis
a Kardec em todas as nossas atividades (...) 1
Há
três anos a Casa de Eurípedes Hospital Espírita Eurípedes
Barsanulfo, Goiânia (GO) promoveu a realização de Seminário
sobre apometria.
E
permitiu que um grupo estudasse e aplicasse a técnica, em caráter
experimental. Sendo a Casa de Eurípedes instituição técnico-científico,
como deve ser qualquer hospital psiquiátrico moderno, com filosofia e práticas
espíritas, existe espaço para a discussão e experimentação
de novas técnicas, sem preconceito e espírito de segregação,
mas sempre com supervisão e acompanhamento técnico.
Como
veremos, essa postura não se aplica a experimentações de
natureza mediúnica.
Nesse
sentido, a técnica apométrica foi aplicada, principalmente em pacientes
internos, associando de alguma forma o Departamento Doutrinário e Mediúnico
dessa Instituição à apometria. Decorridos três anos
e não tendo sido, ainda, realizada qualquer avaliação mais
ampla sobre esse trabalho, o assunto foi levantado, buscando respostas para as
questões:
a)
A teoria e a prática da técnica conhecida como apometria (e
suas leis) estão em pleno acordo com os princípios doutrinários
codificados por Allan Kardec, nas obras básicas do Espiritismo, ou seja,
a apometria pode ser considerada uma técnica espírita?
b)
Caso a apometria não seja uma técnica espírita (como
várias técnicas terapêuticas anímicas e/ou mediúnicas
não o são), é aconselhável incluí-la dentro
do corpo do Departamento Doutrinário e Mediúnico da Casa?
2
c) Sendo ou não uma técnica espírita, a aplicação
da técnica tem resultado em benefícios terapêuticos reais
para os pacientes em tratamento nesta instituição hospitalar?
Neste
artigo, resumimos parecer da Comissão formada com o objetivo de oferecer
respostas às questões acima, levando-se em conta que a Instituição
tem se prezado pela fidelidade aos fundamentos da Doutrina Espírita.
-.-
Não se trata de julgar a técnica dita apométrica,
de saber se ela funciona ou não. Nem de julgar pessoas ou grupos que a
praticam.
EXAME
DO ASSUNTO, À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA:
1.1)
Por que Allan Kardec atribuiu a ela o nome de Doutrina Espírita?
A
Doutrina é dos Espíritos. E isso porque foi revelada por eles, a
muitos médiuns, em inúmeros lugares, simultaneamente:
(...)
a Doutrina dos Espíritos não é de concepção
humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam,
quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral
a repelia. (...) Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares
de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e
que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa? 2
Allan
Kardec não aceitava tudo que vinha dos Espíritos nem recomenda
que o façamos , submetendo seus ensinos ao crivo da razão,
aplicando o preceito de Jesus:
Meus
bem-amados, não creiais em qualquer Espírito; experimentai se os
Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm
levantado no mundo. 3 (I Jo, 4:1)
Kardec
utilizou na Codificação do Espiritismo o Controle universal
do ensino dos Espíritos, conforme se lê em O Evangelho
Segundo o Espiritismo item II AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA.
Afirmou
ser progressiva a Terceira Revelação, mas publicou Revista
Espírita, agosto/1661, mensagem Da Influência Moral dos
Médiuns nas Comunicações, Espírito Erasto:
Mais
vale repelir dez verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria
falsa. 4
Máxima
repetida em O Livro dos Médiuns, Ed. FEB, cap. XX, item 230,
p. 292.
Em muitas partes de sua obra, o Codificador recomenda-nos submeter a exame severo
as comunicações dos Espíritos, como, por exemplo, nos itens
266 e 267, de O Livro dos Médiuns.
Desaconselhável,
pois, a crença cega no que dizem os mentores. O ideal é estudar
mais e buscar respostas nas obras confiáveis, já existentes, transmitidas
por médiuns de reconhecida idoneidade.
A
Doutrina Espírita não está engessada em verdades acabadas,
absolutas. Não é nem se diz dona da Verdade, em parte alguma.
1.2)
Por que os Espíritos não revelaram aos homens a técnica dita
apométrica, quando tiveram à mão excelentes médiuns,
ao longo do século XX? Se é, como afirmam os apômetras, mais
eficiente que a reunião de desobsessão, por que o silêncio
dos Espíritos Superiores?
Seu
divulgador no Brasil, Dr. José Lacerda de Azevedo adotou-a, após
demonstração, em Porto Alegre - RS, pelo porto-riquenho Luiz Rodrigues,
na década de sessenta do século passado.
A
essa época ainda se encontrava entre nós, vigoroso, nosso irmão
Francisco Cândido Xavier. Seria uma falha dos Espíritos Superiores,
embora interessados na regeneração da humanidade? Hipótese
esta absolutamente inadmissível!
1.3)
Quanto à desobsessão, utilizada na prática Espírita,
o Espírito André Luiz transmitiu, ao médium Francisco C.
Xavier, instruções de como realizá-la, em 1964 coincidentemente
na mesma década da divulgação da apometria entre nós
, na grande obra intitulada Desobsessão, editada pela
Federação Espírita Brasileira.
1.4)
No que se refere à apometria, o silêncio dos Espíritos Superiores
é sintomático. Que saibamos, não houve manifestações
sobre o tema em várias partes do mundo, através de médiuns
conceituados. Devemos considerar, portanto, que não houve o controle universal
dos ensinos da técnica, como preconizava Kardec. Também não
se confirmou o que preceitua o seguinte pensamento:
Estai
certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens,
é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios,
que dispõem de médiuns também sérios, e não
a tais ou quais, com exclusão dos outros. ESE, Cap. XXI, item 10,
6 §.5
Por
outro lado, a Ciência ainda não comprovou a eficácia da técnica
apométrica. E se é por ela admitida, também desconhecemos.
Por
estes fatos, não pode ser admitida como vinculada à Doutrina dos
Espíritos, pois não atende a nenhum dos dois critérios definidos
por Kardec:
Por
sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter:
participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação
científica. 6
Assim,
não deve ser adotada em Instituições verdadeiramente Espíritas.
2.1
- INCONSISTÊNCIAS.
É
necessário preservar o Espiritismo conforme o herda mos do eminente Codificador,
mantendo-lhe a claridade dos
postulados, a limpidez dos seus conteúdos,
não permitindo que se lhe instale adenda perniciosa, que somente irá
confundir os incautos e os menos conhecedores das suas diretrizes.
Bezerra de Menezes/Divaldo P. Franco Reformador/Dezembro 2003, p. 446.
Os
apômetras adotam terminologias diversas daquelas utilizadas pela Doutrina
Espírita e conceitos de crenças orientais. Além disso, certas
afirmações deles colidem com a razão:
a)
- O perdão quase instantâneo, por parte de adversários seculares,
após serem submetidos à técnica;
b)
- A incorporação de vários corpos, de uma só
personalidade, encarnada, ou não, em vários médiuns, com
doutrinação simultânea, nas manifestações
desses corpos!
Para
justificar o primeiro item, afirmam que, pela técnica do desdobramento
e o uso de pulsos de energia, a entidade espiritual sofredora e vingativa é
transportada no tempo, ao passado e ao futuro, perdoando em poucos segundos, esquecendo
o ódio de séculos ou milênios, contrariando a própria
natureza humana e a necessidade de reforma íntima! E preconiza esse resultado
em todos os casos!
Em
contraposição a esses conceitos, consultemos algumas obras de fontes
seguras.
Ao
final dos livros Instruções Psicofônicas e Vozes
do Grande Além, de mensagens recebidas por Francisco C. Xavier, em
trabalhos de desobsessão, nos anos de 1952 a 1956, em Pedro Leopoldo, há
boletins anuais, com estatísticas dos atendimentos, aos quais remetemos
o leitor, onde se vê que é muito pequeno o percentual de recuperação
plena.
E
lembrem-se de que estes trabalhos mediúnicos contavam com a presença
do maior médium da história da Humanidade Francisco Cândido
Xavier!
5
Manoel P. de Miranda/Divaldo, em Loucura e Obsessão,
afirma à página 14:
A cura das obsessões, conforme
ocorre no caso da loucu- ra, é de difícil curso e nem sempre rápida,
estando a depen- der de múltiplos fatores, especialmente, da renovação,
para
melhor, do paciente (...). (Grifo nosso).
Allan
Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 26, item 64, diz:
Observação.
A cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança
e devotamento.
Albino
Teixeira/Francisco C. Xavier, em Paz e Renovação, indaga,
no capítulo 46 (Obsessão e Cura), à p. 135:
Em
qualquer progresso ou desenvolvimento de aquisições do mundo, nada
se obtém sem paciência, amor, educação e
serviço;
como quereis, meus irmãos da Terra, que a obsessão que é
freqüentemente desequilíbrio cronificado da alma, venha a desaparecer
sem paciência, amor, educação e serviço, de um dia
para o outro? (Sublinhamos)
Bastam
estas citações, eminentemente doutrinárias, para saber que
a cura das obsessões não se faz com um toque de mágica, de
uma hora para outra. É também o que nos revela a experiência.
Nossa razão não aceita tanta facilidade eis que não
admite seja possível transformação tão rápida
em Espíritos que cultivam o ódio tão intensamente.
Quanto
ao item b, pelo inusitado da proposta e para não nos alongarmos ainda mais,
deixamos que cada um avalie por si mesmo!
2.2)
MANIFESTAÇÕES DE RESPEITÁVEL ESPÍRITO E DE MÉDIUNS.
2.2.1
Francisco Cândido Xavier relata orientações recebidas de Emmanuel,
seu mentor:
"Lembro-me
de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar
ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos
de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia,
ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as
palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando
esquecê-lo."
(Chico Xavier: Mediunidade e Coração,
de Carlos A. Baccelli, Editora IDEAL, 1965, p. 12/3: Emmanuel e Duas Orientações
para o Resto da Vida).
2.2.2
Divaldo Pereira Franco, durante uma larga entrevista, no
programa Presença
Espírita da Rádio Boa Nova, de Guarulhos (SP), em Agosto/2001, a
partir de uma pergunta a ele dirigida, afirma:
Não
irei entrar no mérito nem no estudo da apometria porque eu não sou
apômetra, eu sou espírita.
O que posso dizer é que a apometria,
segundo os apômetras, não é Espiritismo, porquanto as suas
práticas estão em total desacordo com as recomendações
de O Livro dos Médiuns. (Grifamos)
Não
examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico
a apometria, mas, segundo os livros que têm sido publicados, a apometria,
segundo a presunção de alguns, é um passo avançado
do Movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria ultrapassado.
Allan
Kardec foi a proposta para o século XIX e para parte do século XX
e a apometria é o degrau mais evoluído, no qual Allan Kardec encontra-se
totalmente ultrapassado.
Tese com a qual, na condição de espírita,
eu não concordo em absoluto.
Na prática e nos métodos
de libertação dos obsessores, a violência que ditos métodos
apresentam, a mim a mim pessoalmente me parece tão chocante
que faz recordar-me da lei de Talião, que Moisés suavizou com o
código legal e que Jesus sublimou através do amor. (...)
Tenho
certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não
conhecem as bases Kardequianas, e, ao conhecerem-nas, nunca as vivenciaram para
terem certeza.
Então, se alguém prefere a apometria, divorcie-se
do Espiritismo. É um direito! Mas não misture, para não confundir.
(...)
Não temos nada contra a apometria, as correntes mento-magnéticas,
aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudocientíficos. Mas
como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta espírita.
(Destacamos)
(...) Não entrarei no mérito dos métodos,
que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que
não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos,
porque a única força é aquela que vem de dentro a
moral. Para esta classe de espíritos são necessários
jejum e oração. disse Jesus. Jornal virtual A
Jornada (www.ajornada.hpg.ig.com.br/doutrina/mat-0030a.htm)
2.2.3)
O Dr. Ricardo Di Bernardi que é inteiramente favorável
à correta utilização do método apométrico e
defende o aprofundamento do estudo , admite falhas nessa prática
e fala em umbandização da Doutrina Espírita:
Com
todo respeito aos nossos "primos" umbandistas, que executam trabalho
sério e útil, faz-se necessário definir algumas fronteiras
que devem ser tão nítidas quanto fraternas. Não há
porque criarmos grupos de umbanda técnico-cintífica científica
nas casas espíritas. Ao invés do clássico e necessário
"DIÁLOGO COM AS SOMBRAS" tão preconizado por Hermínio
de Miranda, passamos a ouvir o contínuo estalar de dedos, se guido, de
verdadeiras expulsões dos espíritos obsessores ou simplesmente sofredores.
O diálogo construtivo e fraterno passou a ser considera do peça
de museu. Ao invés de amor e filosofia, muita sonoridade e gesticulação
espalhafatosa, sob o argumento de que som serve de veículo para a energia.
Então, bater palmas e gritar alto seria tão útil quanto mais
ruidosos forem... Naturalmente, o impacto energético seria cada vez mais
produtivo quanto mais escandalosa for a sessão... É necessário
que acordemos para que logo não estejamos admitindo outras atitudes materiais
e periféricas totalmente incompatíveis com nossa filosofia. O trabalho
espiritual é, acima de tudo, mental. Nem tanto ao mar, nem tanto à
terra: equilíbrio... (...)
Obsessores
retirados do campo mental do obsediado "a fortiori" e enviados a "outros
planetas" ou a estranhos lo-
cais ou dimensões extra-físicas,
talvez merecessem uma aten ção mais adequada.
A
ausência de diálogo com espíritos enfermos, em certos casos,
apenas determinará a mudança de endereço dos obsessores,
bem como a admissão de novos inquilinos na casa mental desocupada do obsediado.
(...)
Faz-se
necessário recolocarmos a filosofia espírita, o amor e a seriedade
nos trabalhos mediúnicos e não umbandizar mos a doutrina espírita,
nem brincarmos irresponsavelmente com animadas técnicas.
Artigo Apometria: Nem problema, nem solução www.ipepe.com.br/apometria.html
CONSIDERAÇÕES
FINAIS E CONCLUSÕES.
3)
TÉCNICAS MEDIÚNICAS EXISTEM QUE NÃO SÃO PRÁTICAS
ESPÍRITAS
A
mediunidade não é patrimônio exclusivo da Doutrina Espírita
e muitas práticas alheias ao Espiritismo a utilizam. É dever de
todo espírita estudar profundamente as obras básicas, para que possamos
preservar a pureza doutrinária. O Codificador, referindo-se ao Espiritismo,
indaga-nos: Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência
do Infinito?, em O Livro dos Espíritos (Introdução
ao estudo da Doutrina Espírita, item XIII, p. 39), edição
FEB.
3.1
Diversos cultos religiosos desenvolvem atividades que favorecem a renovação
espiritual de encarnados e desencarnados. Merecem nosso respeito, mas nem por
isso vamos adotar seus rituais e práticas exteriores, por considerá-los
contrários aos princípios básicos da Doutrina Espírita.
Concluímos
que falta o conhecimento da Doutrina Espírita. Não basta a freqüência
à Casa Espírita. Indispensável estudá-la, incessante,
incansavelmente. Seu aprendizado exige esforços.
6
Percebe-se,
claramente, que a Doutrina Espírita é uma ilustre desconhecida de
boa parte dos espíritas, especialmente quanto à sua
parte teórica.
Reconhecemos
haver pessoas sinceras, com elevados sentimentos, que enveredam por esses outros
caminhos; mas sabemos que não bastam os bons sentimentos, como bem nos
recomenda o Espírito da Verdade, em O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Cap. VI, item 5:
Espíritas,
amai-vos, este o primeiro ensinamento;
instruí-vos, este o segundo.
Portanto,
urge estudar a Doutrina Espírita, para melhor aplicá-la. Indispensável
estabelecer critérios mais rigorosos quanto à admissão de
participantes às reuniões mediúnicas. Allan Kardec era extremamente
rigoroso para admitir freqüentadores às reuniões ditas experimentais.
Há
dois meios fundamentais ao aprimoramento das reuniões mediúnicas:
estudo e reforma íntima.
Não
imaginais o que se pode obter numa reunião séria, de onde se haja
banido todo sentimento de orgulho e de personalismo e onde reine perfeito o de
mútua cordialidade. O Livro dos Médiuns, cap.
XXV, item 262, 15ª ed. FEB.
4)
CONCLUSÕES. Do exposto, concluíram os integrantes da Comissão
de Trabalhos Mediúnicos:
4.1)
Que o Espiritismo constitui-se numa doutrina completa, em seus aspectos moral,
religioso, filosófico e científico, com suas raízes no Evangelho
de Jesus Cristo, representando o Cristianismo Redivivo;
4.2)
Que não basta afirmar-se espírita e utilizar a mediunidade para
que uma prática seja considerada espírita;
4.3)
Que as orientações dos Espíritos Superiores que acompanham
o Movimento Espírita no Brasil são muito claras quanto à
fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec;
4.4)
Que a orientação, a experiência e a prática dos médiuns
mais amadurecidos como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco,
entre outros, tem demonstrado sempre a necessidade de vigilância com relação
à preservação da pureza dos princípios básicos
da Doutrina Espírita;
4.5)
Que esta prática da técnica apométrica realizada dentro da
Casa de Eurípedes teve caráter experimental, com o objetivo de avaliar
sua aplicabilidade, eficiência e adequação aos princípios
espíritas que aquela Instituição tem preservado com rigor
e fidelidade;
9
4.6) Que ultrapassado esse período de experimentação e avaliação,
concluíram pela incompatibilidade da apometria com os princípios
que a Casa adota;
4.7)
Que o uso de energia para afastar obsessores sem a necessária transformação
moral (Reforma Íntima), indispensável à libertação
real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos
do Espiritismo, pois, o simples afastamento das entidades rancorosas não
resolve a questão;
4.6)
Que a apometria, especialmente por suas leis e rituais, não é técnica
que se enquadra nos princípios doutrinários espíritas, codificados
por Allan Kardec não sendo, portanto, uma prática Espírita;
(Grifos do original).
4.9)
Que a ausência, nas reuniões da apometria, de atitudes de recolhimento
íntimo, de concentração superior e da manutenção
do ambiente de prece e elevação mental contraria as orientações
doutrinárias espíritas, tanto do ponto de vista moral como da técnica
mediúnica espírita, propiciando as manifestações anímicas
e a mistificação, com grande risco de se perder o controle e evoluir
para processos obsessivos graves;
4.10)
Que a utilização pela prática apométrica de contagens
de pulsos, gestos especiais, entre outros atos exteriores, abre precedentes graves
para implantação de rituais e maneirismos, totalmente inaceitáveis
na prática espírita, que é doutrina da fé raciocinada;
4.11)
Que o programa terapêutico do Hospital prevê a abordagem do ser humano
nos seus aspectos bio-psico-sócio-espirituais, oferecendo tratamento médico,
sócio-familiar, psicoterápico e espiritual de forma integrada e
solidária, de acordo com a visão espírita, não existindo
dados que possam garantir superioridade da técnica apométrica isoladamente
sobre quaisquer outras utilizadas pelo Hospital.
Concluíram,
afinal, após longos estudos e, especialmente, ouvir detalhada exposição
do assunto, com uso de datashow, pela equipe que a praticava em nossa Instituição,
que a apometria não se ajusta à Doutrina Espírita e, por
isso, sua prática não é adequada à Casa de Eurípides.
Neste artigo expomos aos interessados o resultado desses estudos, que justificam
nossa posição contrária à utilização
desse método.
Assim,
o parecer daquela Comissão sugeriu que o Conselho Doutrinário e
Mediúnico recomendasse, ao grupo que aplica a técnica apométrica
naquele Hospital Espírita, que a suspendesse, retornando à prática
das reuniões mediúnicas de desobsessão, de acordo com os
princípios doutrinários espíritas.
Aventou,
ainda, a possibilidade de o Conselho Doutrinário e Mediúnico adotar
alternativas, para o encaminhamento da relevante questão. Mas que considerasse
sobretudo a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, conforme assinala o digno
Dr. Bezerra de Menezes:
Cumpre-vos
transferir às gerações porvindouras, com a pulcritude que
o recebestes, o patrimônio espírita legado pelos Benfeitores da Humanidade
e codificado pelo ínclito Allan Kardec, preparando as gerações
novas, que vos sucederão na jornada de construção do mundo
novo.
(Bezerra de Menezes/Divaldo P. Franco: Bezerra de Menezes ontem
e hoje, ed. FEB, p. 155)
A
recomendação para que se preserve, naquele Hospital Espí-
rita, a fidelidade ao Espiritismo, que é doutrina completa, cristalina,
dispensando enxertias de quaisquer natureza, foi aprovada.
Lamentavelmente,
não obstante reiterados apelos de vários integrantes do Conselho,
o grupo não acatou a sugestão de voltar à lídima prática
mediúnica espírita, preferindo afastar-se da Casa de Eurípedes.
Mas lhes foi dito que as portas da Casa permanecem-lhes abertas, bem assim os
nossos corações, se se dispuserem à fidelidade a Jesus e
a Allan Kardec!
·
- Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo,
em Goiânia (GO).
BIBLIOGRAFIA:
1
- BARBOSA, Elias. No Mundo de Chico Xavier.
2 KARDEC, Allan. O Livro
dos Espíritos.
3 Bíblia Sagrada;
4 - KARDEC, Allan.
Revista Espírita. 1663.
5 KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo
o Espiritismo.
6 KARDEC, Allan. A Gênese.
Ai
está, o que muitas pessoas pensam a respeito do assunto,
seus argumentos são por demais convincentes, pois
se baseiam em estudos e experiências. Embora não
extremistas nem radicais, nos levam a meditar sobre tema
tão interessante. De nossa parte, sem estrangulamento
de qualquer linha de raciocino, acreditamos ser a apometria
um método que podemos estudar e usar como usamos
a ciência, matemática e história, para
ilustrar o entendimento mais profundo do Espiritismo na
sua prática, na compreensão de sua mecânica
em todas as suas nuances "Herméticas".