A NOSSA LUZ PRÓPRIA
Na Gênese, primeiro livro de Moisés, capítulo
1, versículos 3 e 4, lemos:
"Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a
luz era boa; e fez a separação entre a luz e
as trevas."
Aqui, a narrativa da criação, "desde o
primeiro dia", na forma alegórica, que colocamos
para ilustrar a importância da luz nas nossas vidas.
Primordialmente, o nosso sol está no início
da vida e foi considerado um deus na religião de muitos
povos da antiguidade. Particularmente, foi cultuado no antigo
Egito dos faraós, onde estes eram considerados divinos,
filhos do deus-solar.
Outrossim, uma antiga religião persa celebrava a 25
de dezembro o "natalis invict solis", o nascimento
do vitorioso sol, e a igreja, com o escopo de cristianizar
tal celebração, introduziu o nascimento de Jesus
identificando-o como a verdadeira luz do mundo; daí
a origem pagã do Natal...
Com efeito, segundo João 1: 9 Jesus é "a
verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todos".
Quando nascemos, disseram da nossa mãe: ela deu à
luz. O símbolo do nosso nascimento é uma estrela
que evoca a luz.
Todas as criaturas almejam a luz; se estamos nas trevas e
vemos um foco de luz a ele nos direcionamos. Até os
vegetais, quando crescem, buscam a luz e com esta ocorre a
fotossíntese produzindo o oxigênio indispensável
à vida.
Enfim, sem a luz natural do sol não há vida
e, também, dependemos da luz artificial para nos movimentarmos;
sem esta, teríamos a inércia. Desde primevas
eras, o homem se preocupou com a iluminação
dos ambientes em que se situa: reportamo-nos às tochas
e archotes...
Não é possível fazer trevas; se o fosse,
teríamos um interruptor para fazê-las. Assim,
somente a luz é real e as trevas são, apenas,
as ausências da luz.
Tais considerações são relativas à
luz material. E a luz espiritual?
"Uma vez que a visão espiritual não se
efetua pelos olhos do corpo, é que a percepção
das coisas não ocorre pela luz comum: com efeito, a
luz material está feita para o mundo material; para
o mundo espiritual existe uma luz especial [...] Há,
pois, a luz material e a luz espiritual. A primeira tem focos
circunscritos nos corpos luminosos; a segunda tem seu foco
por toda a parte: é a razão pela qual não
há obstáculos para a visão espiritual;
[...] O mundo espiritual é, pois, iluminado pela luz
espiritual, que tem seus efeitos próprios, como o mundo
material é iluminado pela luz solar." [1]
Temos que buscar, acima de tudo, a luz que representa o nosso
crescimento moral e espiritual, a nossa luz própria;
para tanto, temos que considerar a diferença entre
crença e iluminação, conforme a seguinte
lição de Emmanuel:
[...] "O que crê, apenas admite; mas o que se ilumina
vibra e sente. O primeiro depende dos elementos externos,
nos quais coloca o objeto da sua crença; o segundo
é livre das influências exteriores, porque há
bastante luz no seu próprio íntimo, de modo
a vencer corajosamente nas provações a que foi
conduzido no mundo." [2]
Enfatizamos que a nossa luz própria será o resultado
das nossas conquistas morais e espirituais; logo, cabe-nos
iniciar, desde já, o trabalho de iluminação
que se faz abeberando-se do Evangelho de Jesus, redivivo pelos
postulados espíritas, conforme outra lição
de Emmanuel:
"[...] voltemos aos nossos propósitos, cumprindo-nos
reconhecer nos evangelhos uma luz maravilhosa e divina, que
o escoar incessante dos séculos só tem podido
avivar e reacender. E que eles guardam a súmula de
todos os compêndios de paz e de verdade para a vida
dos homens, constituindo o roteiro de luz e de amor, através
do qual todas as almas podem ascender às luminosas
montanhas da sabedoria dos céus." [3]
Outrossim, a nossa luz própria propicia um modo de
ver superior. Superior no sentido de ver o lado bom das pessoas,
coisas e acontecimentos, pela iluminação que
nos é inerente; porquanto, o lado mal, nós já
o passamos e superamos; temos que respeitar àqueles
que ainda estão na fase de superação.
Neste entendimento, quanto mais vermos, com bons olhos, os
nossos semelhantes e irmãos perante o nosso criador,
mais luminosos nos tornaremos.
"São os olhos a lâmpada do corpo. Se os
teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;
se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo
estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há
sejam trevas, que grandes trevas serão!" (Mateus
6: 22/23)
Nascemos. Vivemos. Jovens, nos tornamos velhos. Velhos, apenas
os nossos corpos que estão sujeitos aos desgastes face
ao tempo, doenças e término da vitalidade. Contudo,
podemos, através de uma vivência sadia espiritualmente
considerada, melhorar, rejuvenescer os nossos corpos espirituais
- perispíritos - e, ao deixarmos este plano, adentrarmos
noutra dimensão da vida, nos tornar mais belos, mais
dignos das bênçãos do Criador e da Espiritualidade
Maior.
Evidentemente, temos que cuidar dos nossos corpos perecíveis;
todavia, não como o fazem aqueles que, com exclusividade,
cuidam da beleza exterior, até fazendo cirurgias plásticas,
olvidando ou nem sequer cogitando sobre os corpos espirituais,
pré-existentes, modeladores dos corpos atuais e sobreviventes
na imortalidade.
Pela nossa desmaterialização e conseqüente
espiritualização, vamos despojando a matéria
mais grosseira e carreando conosco o que é de mais
belo e sutil.
Enfim, os nossos corpos perecíveis ficam velhos, feios,
mas os nossos perispíritos, segundo os nossos pensamentos
e ações positivas, ficam novos, belos, luminosos
e, aí, estaremos cumprindo a determinação
amorável do nosso Mestre Jesus, portando-nos como seus
lídimos seguidores:
"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder
a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia
para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador,
e alumia a todos que se encontram na casa. Assim, brilhe também
a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus."
(Mateus 5: 14 - 16)
Bibliografia:
[1] A Gênese, Allan Kardec, Cap. XIV, nº 24, pág.
253, Trad. Salvador Gentile, 18ª Ed. IDE - 1988.
[2] O Consolador, Emmanuel, psic. F. Cândido Xavier,
2ª Parte, IV, pág. 132, 6ª Ed. FEB - 1976.
[3] A Caminho da Luz, Emmanuel, psic. F. Cândido Xavier,
Cap. XIV, pág. 129, Ed. FEB - 1972.
(as.) Julio Laurentino de Lima - juliollima@uol.com.;br
(Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo,
mês de Janeiro/07, pág. 649)
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