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A LÍNGUA

Anatomicamente, a língua é um órgão muscular que serve ao sentido da gustação, deglutição e articulação dos sons da voz, ou seja, da palavra. Tratamos, aqui, da sua maior importância que é a articulação da palavra, ou melhor, das miríades de palavras que compõem os idiomas existentes no mundo, porquanto, a linguagem articulada é uma característica do homem desde primevas eras e instrumento de progresso da humanidade. É um dos fatores determinantes do destino das criaturas.
Assim, um pequeno órgão, a língua, é de alta relevância na comunicação social, consoante os pensamentos e conseqüentes idéias externadas pelas palavras e atos, os quais podem ser bons ou maus, fomentadores da paz ou da guerra. Por isso, dizemos que, enquanto não pronunciamos uma palavra, somos senhores dela, porém, quando a pronunciamos, passamos a escravos da mesma.
A história da humanidade é a história da violência, face à confusão de línguas antagônicas, simbolizada pela lenda bíblica da Torre de Babel. Para ilustrar o nosso tema, eis alguns fragmentos da lição do Evangelista Tiago: (1)
"Se alguém não tropeça no falar é perfeito varão (...)"
"Se pomos freios na boca dos cavalos, para nos obedecerem (...)"
"Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos por rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro."
"Assim também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!"
"Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; (...) está situada entre os membros do nosso corpo e contamina o corpo inteiro (...)"
"(...) toda espécie de feras (...) se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar (...)"
De nossa parte, sem comentários; deixo às ilações dos nossos prezados leitores.
Outrossim, sobre a língua, eis alguns fragmentos de uma lição de André Luiz: (2)
"Ponderada - favorece o juízo.
Leviana - descortina a imprudência.
Alegre - espalha o otimismo.
Triste - semeia desânimo.
Generosa - abre caminho à elevação.
Maledicente - cava despenhadeiros.
Gentil - provoca o reconhecimento.
Atrevida - traz a perturbação.
Serena - produz a calma" (...)
"A língua é bússola da nossa alma, enquanto nos demoramos na Terra. Conduzamo-la na romagem do mundo para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que abre as portas do nosso coração às fontes luminosas da vida ou às correntes escuras da morte."
Sobre a língua, as lições de Tiago e de André Luiz, parecem-nos que são concludentes... Sejamos o condutor, não o conduzido; sejamos o senhor, não o escravo...
Para enfatizar, afirmamos: "Não sou conduzido, conduzo." (3)


(1) Epístola de Tiago 3: 1 - 10.
(2) "A Língua", mensagem de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
(3) Legenda do brasão de S. Paulo: "Non ducor, duco".

(as.) Julio Laurentino de Lima - juliollima@gmail.com

(Artigo publicado no Jornal O Clarim, Setembro/06, pág. 9, Editora O Clarim)

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