TEMPO PARA TUDO
"Tudo tem o seu tempo determinado e
há tempo para todo propósito debaixo do céu", diz o
Eclesiastes, cap. 3, v. 1, e acrescentaríamos, aos propósitos relacionados
no referido texto, versículos seguintes, o tempo preciso do estabelecimento
do Espiritismo junto a humanidade terrestre. Seu advento não poderia se
firmar antes, porquanto o conhecimento, principalmente o relativo às ciências,
era incipiente, sendo necessário o decurso do tempo, para a elaboração
dos seus princípios.
O Espiritismo, face à história da
humanidade, considerando-se as religiões, é novíssimo: apenas
150 anos completos no próximo dia 18 de abril. Novíssimo, em termos;
porquanto é um monumento granítico edificado no decurso do tempo,
medido por milênios e, inaugurado, por assim dizer, na era da razão
e do bom senso. Não é a voz de um homem, mas "as vozes do céu",
da Espiritualidade Maior; novíssimo como doutrina codificada por Allan
Kardec, porém tão antigo como a humanidade, visto que o fato espírita
sempre existiu.
"Convém deixar bem clara a distinção
entre fatos espíritas e doutrina espírita, para compreendermos o
que Kardec dizia, ao afirmar que o Espiritismo está presente em todas as
fases da história humana. Os fatos espíritas - assim chamados os
fenômenos ou as manifestações mediúnicas - são
de todos os tempos." (1)
Assim, desde que existem homens, existem espíritos
e conseqüentemente as manifestações dos espíritos; fenômenos
explicáveis pelos seus postulados, os quais deixaram de ser sobrenaturais,
consoante o seguinte enunciado:
"A ciência espírita que compreende
duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral,
outra filosófica, sobre as manifestações inteligentes. Aquele
que não observou senão a primeira, está na posição
daquele que não conhece a física senão por experiências
recreativas," (...) (2)
O acervo das obras destinadas a sua divulgação
é colossal. O começo são as obras basilares da Codificação
da Doutrina, enriquecida por uma plêiade de escritores, inclusive, psicógrafos,
lídimos continuadores de Allan Kardec e, tudo isso, em tão pouco
tempo; contudo, tempo oportuno e produtivo.
Disse Jesus, o Divino Mestre:
"Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar
agora." (3)
Evidentemente, sabedor de que, ainda, naquela época,
não era o tempo propício ao advento do Consolador, o Espírito
da Verdade que só encontraria solo fértil, isto é, consciências
emancipadas, sem os entraves dos sectarismos religiosos (em parte), a fim de se
corporificar como a Doutrina dos Espíritos, codificada pelo insigne mestre
lionês.
É importante considerar que as grandes revelações
são gradativas e não dispensam os seus precursores; todavia, estes
são, inicialmente, incompreendidos ou os seus ensinamentos são desnaturados,
acrescendo que, nas origens, sempre houveram médiuns em potencial que,
com exceções, faliram nos seus mandatos mediúnicos.
Outrossim,
é importante considerar que, antes do advento do Espiritismo, prevalecia
o mediunismo, isto é, a prática empírica da mediunidade,
visto que esta só se firmaria com os postulados espíritas que, como
estamos demonstrando, vieram no tempo determinado pela Espiritualidade Maior.
"Por que os espíritos não ensinaram, em todos os tempos, o
que ensinam hoje?"
"Não ensinais às crianças
o que ensinais aos adultos, e não dais para um recém nascido um
alimento que ele não possa digerir; cada coisa em seu tempo. Eles ensinaram
muitas coisas que os homens não compreenderam ou desnaturaram, mas que
podem compreender atualmente. Por seus ensinamentos, mesmo incompletos, prepararam
o terreno para receber a semente que vai frutificar hoje." (4)
Assim,
são chegados os tempos do Espiritismo como doutrina que não veio
para derrogar a lei ou as religiões, mas para auxiliá-las no tocante,
pelo menos, ao vero espiritualismo que se contrapõe ao materialismo que,
ainda, predomina nas suas estruturas político-religiosas; tempos do Espiritismo,
disse, cumprir o seu desiderato de Consolador Prometido por Jesus.
Há
que se considerar que o Espiritismo não se impõe, não se
preocupa com o proselitismo; ao contrário das religiões que, face
a tal intento, fizeram e ainda fazem as suas "guerras santas"; particularmente,
uma que levou, às fogueiras, incontáveis valores do pensamento libertário
das garras do obscurantismo e do fanatismo, principalmente na "noite medieval"
e, isso, desde há muito tempo, pois é a mais antiga...
"A
humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos.
Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam
alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar
material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre
si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar
moral." (...) (5)
Como se vê, nós espíritas temos
maiores responsabilidades e, face ao tempo que urge, posicionemo-nos no "aqui
e agora", a fim de cumprirmos as nossas tarefas, rogando a Jesus que nos
supra as naturais deficiências, tendo em vista que, também, segundo
o Eclesiastes, cap. 3, v. 15:
"O que é já foi, e o que
há de ser, também já foi; Deus fará renovar-se o que
se passou."
Bibliografia
(1) O Espírito e o Tempo, J. Herculano
Pires, I Parte, Cap. I, nº 1, pág. 17, Ed. Pensamento 1964.
(2)
O Livro dos Espíritos, Introdução, XVII, pág. 40,
120ª Ed. IDE, Trad. Salvador Gentile - 1999.
(3) O Evangelho de João
16: 12.
(4) O Livro dos Espíritos, Questão 801, 120ª Ed.
IDE, trad. Salvador Gentile - 1999.
(5) A Gênese, Cap. XVIII, n. 5, pág.
380, 14ª Ed. FEB, Trad. Guilon Ribeiro.
(as.) Julio Laurentino
de Lima - juliollima@uol.com.br
(Artigo publicado na Revista Internacional
de Espiritismo de Fev/07, pág. 16)
| 
|
| INICIO |
 |