"DEUS
PROIBIU A PRÁTICA DO ESPIRITISMO"
Considerações ao "argumento
demolidor" dos nossos detratores
Os nossos detratores nos apresentam o texto bíblico
do Deuteronômio 18: 9/14, para argumentarem que "o
Espiritismo foi proibido por Deus" ou o pior: "foi
condenado"!
Preliminarmente, perguntamos: como se poderia proibir ou condenar
algo que não existia? O texto bíblico referido
foi escrito há, pelo menos, quatro mil anos e o Espiritismo,
como Doutrina Espírita, foi codificado por Allan Kardec,
há, apenas, 151 anos...!
Que disparate! Que "santa ignorância"...!
Por que estamos considerando esta enorme diferença
de idade? Porque temos que situar o Espiritismo no tempo e,
enfatizamos, como Doutrina Espírita!
Porque temos que esclarecer que o Espiritismo é confundido
com os fenômenos, isto é, com as manifestações
dos espíritos que sempre existiram, porquanto, desde
que existem homens, existem espíritos e, conseqüentemente,
sempre existiram as manifestações dos espíritos!
Inclusive, é confundido com o mediunismo, isto é,
com as práticas decorrentes da mediunidade empírica,
porquanto, mediunidade é uma faculdade humana e independe
de ser espírita ou não!
Outrossim, o confundem com as práticas do chamado sincretismo
religioso afro-brasileiro atuais e as antigas arroladas no
Deuteronômio... O sincretismo religioso é um
fenômeno sociológico natural, isto é,
uma mistura de crenças e crendices. O Espiritismo é
uma doutrina codificada: Na sua codificação
não constam, evidentemente, as referidas práticas
que os nossos detratores nos impingem! Assim, é, tão-somente,
uma discriminação sectária e sem fundamento!
É bom lembrar que há confusão, inclusive,
por parte dos nossos detratores, entre as Leis de Deus e as
Leis de Moisés: as primeiras são sempre válidas;
as segundas foram válidas para a época. Ide
meus caros, por exemplo, apedrejar, até a morte, os
filhos desobedientes e os casais adúlteros! Conforme
o Deuteronômio, capítulo 21: 18 - 21 e capítulo
22: 22...
Quanto ao tão decantado Deuteronômio capítulo
18: 9 - 14, em si, consideramos que Moisés foi muito
sábio em proibir as práticas primitivas dos
povos que eles dominaram, porém, esquecem de considerar
que em Números 11: 26 - 29, lemos que vieram comunicar
a Moisés que Eldade e Medade estavam profetizando no
arraial, isto é, transmitindo comunicações
de espíritos e Josué, reafirmando a proibição
de tal prática, disse: "Moisés, meu senhor,
proíbe-lho. Porém, Moisés lhe disse:
Tens tu ciúmes por mim? Oxalá todo o povo do
Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!"
Aparentemente, Moisés estaria sendo contraditório,
consoante o seu decreto; porém, o mesmo apenas proibia
a ação de médiuns inescrupulosos que
serviam a espíritos frívolos e embusteiros e
não àqueles que "estavam entre os inscritos",
palavras constantes do citado texto, espécie de "médiuns
oficiais", então denominados "videntes"
ou "profetas", através dos quais "consultavam
Deus", a fim de obterem orientações e conselhos
dos seus tutelares, fato incontestável de intercâmbio
entre o mundo físico e o mundo espiritual.
Se os nossos detratores insistem nas proibições
do Deuteronômio, devem ser coerentes e observarem todas
as leis mosaicas, além das supracitadas, como as do
referido livro, capítulo 23: 13, e capítulo
25: 11 - 12, bem esdrúxulas para o nosso tempo, cuja
transcrição omitimos, com respeito à
sensibilidade moral dos nossos leitores.
Acresce que a palavra Espiritismo é um neologismo criado
por Allan Kardec ao tempo da codificação; logo,
não existia antes, quando tínhamos, apenas,
o Espiritualismo, base evidente de todas as religiões
novas ou antigas e antítese do materialismo.
Para finalizar, consideramos uma lição de Emmanuel:
"Antes de tudo, faz-se preciso considerar que a afirmativa
"consulta aos mortos", tem sido objeto injusto de
largas discussões por parte dos adversários
da nova revelação que o Espiritismo trouxe aos
homens na sua feição de Consolador. As expressões
sectárias, todavia, devem considerar que a época
de Moisés não comportava as indagações
do Invisível, porquanto o comércio com os desencarnados
se faria com um material humano excessivamente grosseiro e
inferior." *
* O Consolador, Questão 274, psicografia de Francisco
Cândido Xavier.
(as.) Julio Laurentino de Lima - juliollima@gmail.com
(Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo,
Outubro/2005, pág. 488 - Casa Editora O Clarim - Matão-SP.)
| 
|
| INICIO |
 |