Rede Visão TV Espírita TV Luz TV Aborto SOM
150 ANOS CONSCIENTIZANDO
E ILUMINANDO
CAMINHOS

O QUE É UM CRISTÃO?

Ser cristão não é apenas ser adepto desta ou daquela religião cristã, segundo o que lemos num folheto (1) que nos chegou às mãos, o qual, escoimado dos resíduos salvacionistas, serviu-nos de base para escrever sobre este tema.
Ser cristão é estar enquadrado nas seguintes condições:
1ª) Como uma escolha: Paulo estava preso diante do Rei Agripa e fez um discurso inflamado sobre os ensinos de Jesus e sua conversão. O monarca, comovido, replicou: "Por pouco me persuades a me fazer cristão" (Atos 26: 28), ou seja, não fez a escolha de Jesus. "Por pouco" não é suficiente; apenas se manteve na mesma posição.
Na Europa, a cordilheira dos Alpes é um grande divisor de águas. Segundo Agassiz, se nos posicionássemos num ponto elevado da mesma e jogássemos um graveto à nossa esquerda, o mesmo cairia num riacho, depois alcançaria um rio e, finalmente, o Mar do Norte. Se, ao contrário, jogássemos o graveto à nossa direita, o mesmo seria levado para o Mar Mediterrâneo, bem ao sul. Evidentemente o lado, para o qual o graveto fosse jogado, seria pequena diferença, porém, o ponto alcançado seria a milhares de quilômetros de onde deveria estar, se jogado na direção contrária. Pelo nosso livre arbítrio, podemos escolher entre Jesus, o Cristo e, por exemplo, o anticristo que representa todas as forças do mal contra Ele. No momento da escolha a diferença seria pequena, porém, para a nossa vida futura seria muito grande; logo, cristão é alguém que fez a escolha correta.
2ª) Como uma transformação: "Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos." (Atos 11: 26) "Assim, se alguém está em Cristo é nova criatura: as coisas antigas já passaram, eis que se tornaram novas". (II Coríntios 5: 17) Os discípulos tinham se transformado, principalmente Saulo que se tornou Paulo. É a reforma íntima das criaturas. Logo, cristão é alguém que, após a escolha correta, numa progressão, se transformou.
3ª) Como um desafio: Pedro escreveu aos cristãos perseguidos: "Se sofrer como um cristão, não se envergonhe disso: antes, glorifique a Deus com esse nome." (I Pedro 4: 16) Ser cristão não significa ficar isento das provas e expiações que deverão advir. É a disposição de enfrentar os desafios como um lutador que se adestra, a fim de superar o adversário. Enfim, cristão é alguém que fez a escolha de Jesus, se transformou moralmente e está preparado para enfrentar os desafios que se anteponham aos seus desideratos, segundo a Boa Nova.
Ser cristão há dois mil anos, parece-nos que era mais difícil, face às perseguições de que temos notícias... Nos dias atuais, os confrontos, quando ocorrem, paradoxalmente, são entre os próprios cristãos, por exemplo, a guerra entre católicos e protestantes na Irlanda. Melhor dizendo, os beligerantes se intitulam cristãos, porém, não se enquadram nas condições acima enunciadas e comentadas, segundo os postulados espíritas.
Outrossim, podemos aproveitar o ensejo para colocar, em paralelo, o cristão e o espírita, em consideração àqueles que não assumem o "título" de cristãos ou de espíritas. É respeitável que assim procedam por não se considerarem dignos, face às suas imperfeições, porém, temos que nos definir entre ser ou não ser... Temos que erguer o estandarte e partir para a luta: luta contra as nossas próprias imperfeições. Nem todos os cristãos são espíritas, mas todos os espíritas são cristãos, logo, reconhecemos que ser espírita representa mais responsabilidade. Assim, não vamos ficar "marcando passo", aguardando a nossa melhoria que não virá: temos que ir ao encontro da mesma. As virtudes são conquistadas e requerem a nossa disposição de luta para já! Jesus não escolheu virtuosos para o seu discipulado, mas homens predispostos ao bem e à causa redentora da humanidade.
As virtudes "(...) caracterizam o verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão, que são a mesma coisa". (2)
"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações". (3)

(1) Sociedade Brasileira de Folhetos - Literatura Bíblica Internacional - S. Paulo.
(2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, nº 4.
(3) Idem, ibidem.
Nova Veneza, 10/3/06 - (as.) Julio Laurentino de Lima - juliollima@uol.com.br

(Artigo publicado no Jornal O Clarim de Agosto/2006, pág. 12)

INICIO
Contador de visitas

DÚVIDAS, CRÍTICAS E SUGESTÕES
http://www.consciesp.com.br © 1998. Todos os direitos reservados