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AS TENTAÇÕES DO DIA A DIA

É doutrinal que Jesus jamais poderia ter sido tentado por alguém; pelo contrário, seria aceitar a interpretação literal das passagens evangélicas de Mateus 4: 1 - 11; Marcos 1: 12 e 13; e Lucas 4: 1 - 13.
Todavia, não vamos nos deter em maiores considerações às referidas passagens evangélicas. Apenas citamos, preliminarmente, os seguintes ensinamentos doutrinários:
"Qual é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?" (Resposta:) "Vede Jesus." (1)
"Jesus não foi arrebatado, mas queria fazer os homens compreenderem que a Humanidade está sujeita a falir, e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações, às quais a sua natureza fraca a leva a ceder. A tentação de Jesus, portanto, é uma figura, e seria preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como quereríeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, estivesse submetido por um tempo, tão curto que fosse, às sugestões do demônio", (...) (2)
Pelo exposto, vamos, sim, considerar o nosso problema como criaturas ainda imperfeitas, portanto sujeitas às tentações...
Com efeito, alguém pode nos tentar, mas podemos também tentar alguém. Assim, é fácil nos considerarmos como vítimas das tentações, porém, e quando nós somos os autores das mesmas? Parece-nos que a recíproca é verdadeira...
Por que sofremos tentações? Evidentemente, pelas nossas imperfeições; se fôssemos perfeitos não as sofreríamos. Logo, há que se buscar um roteiro, a fim de, pelo menos, minimizarmos o problema. Estamos nos dirigindo àqueles que, sabedores de que temos amigos e inimigos, encarnados ou desencarnados, podem fazer uma escolha, ouvindo para o bem ou para o mal, segundo o livre-arbítrio, lei que nos assiste.
Vamos ser francos e objetivos: as tentações, principalmente, giram em torno de um eixo binômino: sexo e dinheiro. Logo, é fastidioso ficarmos a enumerar as miríades de tentações; basta-nos, para exemplificarmos sucintamente, visar o referido eixo e nos determos na autocorrigenda das nossas más inclinações...
"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações", (...) (3)
Temos que ser realistas: não é desarraigar; é domar. Vem-nos à mente a imagem do domador e a fera... Visualizamos o céu, mas ainda estamos vivendo na Terra, planeta de provas e expiações. Emmanuel, a respeito, pontifica o seguinte:
"Nenhum lidador vinculado à Terra se encontra integramente livre das tendências inferiores". (4)
Podemos acrescer a seguinte assertiva: as tentações nos chegam por várias vias de comunicação, porém vamos considerar basicamente três, às quais são a palavra verbal ou escrita, a visual e o pensamento. Todas requerem, de nossa parte, uma introspecção, a fim de detectá-las; porém a segunda, a visual, está condicionada à sabedoria popular, ao adágio: "o que os olhos não vêem, o coração não sente"; e a terceira, o pensamento, é mais sutil, mais adstrita ao espírito; esta, quanto a introspecção, pode exigir de nós a humildade de pedirmos a ajuda dos nossos amigos espirituais e buscarmos o nosso fortalecimento no estudo, análise e reflexão dos textos doutrinários e evangélicos, consoante o entendimento de que as tentações só podem provir da influência dos maus espíritos. Logo, para tal fortalecimento e salvaguarda, recorremo-nos aos postulados seguintes:

"Por que meios se pode neutralizar a influência dos maus espíritos?"
"Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos espíritos inferiores, e destruís o império que eles querem tomar sobre vós. Evitai escutar as sugestões dos espíritos que suscitam em vós os maus pensamentos, sopram a discórdia entre vós e vos excitam todas as más paixões. Desconfiai, sobretudo, daqueles que exaltam vosso orgulho, porque vos tomam por vossa fraqueza. Eis porque Jesus nos faz dizer na oração dominical: "Senhor! Não nos deixeis sucumbir à tentação, mas livrai-nos do mal". (5)
Outrossim, não podemos postergar o estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo e, particularmente, face às tentações, indicamos o cap. XXVIII, nºs 20 a 23, que trata da resistência e do agradecimento pela vitória sobre uma tentação.
O estudo proposto, face ao presente tema, é concludente.
E mais: para reforçar as nossas posições, temos:
"Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz". (Epístola de Tiago, cap. 1, v. 14)
Emmanuel, comentando este ensinamento de Tiago, escreveu:
"A observação de Tiago é roteiro seguro para analisarmos a origem das tentações." (6)
Para finalizarmos com proficiência, outra lição assaz convincente de Emmanuel:
"Ser tentado é ouvir a malícia própria, é abrigar os inferiores alvitres de si mesmo, porquanto, ainda que o mal venha do exterior, somente se concretiza e persevera, se com ele afinamos, na intimidade do coração". (7)


(1) O Livro dos Espíritos, Questão 625;
(2) A Gênese, Cap. XV, nº 53;
(3) O Evangelho Seg. o Espiritismo, cap. XVII, nº 4;
(4) Religião dos Espíritos, Emmanuel, psic. de Francisco Cândido Xavier, pág. 191, 4ª Edição FEB - 1978;
(5) O Livro dos Espíritos, Questão 469;
(6) Caminho, Verdade e Vida, Emmanuel, psic. de Francisco Cândido Xavier, cap. 129, pág. 273, 9ª Edição FEB - 1981; e
(7) Idem, obra citada, anterior.

(as.) Julio Laurentino de Lima - juliollima@gmail.com


(Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo, Maio/07, pág. 200, Editora O Clarim)

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